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Mostrando postagens de 2021

Presente de Natal

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Li o livro. Na verdade, reli o livro. A lembrança insistente – prazerosamente insistente – da pergunta do Artur, com sua voz mansa e profunda me levou à releitura. Que prazer. Nada a mudar naquele momento de susto, com a pergunta direta sobre o autor. Assim, na lata. Num início de noite de outono, com uma vista linda a espraiar-se pelas vidraças da quinta, no alto de uma colina. O Paço da Quinta de Juste. Ah, Braga... Pois é. A capa vermelha do livro. Nada mais. O nome no meio da capa vermelha. O famigerado formato 14x21 não fez diminuir a sobriedade da capa. Nome em branco sobre espaço vago em vermelho. Sugestivo. Não. Não se trata de uma blague com o livro daquele fiador Chinês. Nem mesmo pode haver qualquer associação com a simbologia “ideológica” da cor. Bem. Neste aspecto, devo admitir, há que ajude a sustentar a tese de que este livro pode, sim, ser lido nesta perspectiva. Não é o meu caso. Definitivamente, não! Não vou gastar o meu tempo, e o de quem me lê (Se é que alguém me lê...

Poucas linhas

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Um pensamento a me ocupar a mente quando estava do lado de lá... "De que valem as palavras não ditas a ecoar entre as pedras, testemunhas do tempo, repositório de silêncios, a ecoar os rastros de Cronos? O caminho que leva (agora) nada a a lugar nenhum, pleno de sentidos, como que chora a ignorância plúmbea a desconhecer belezas e sonhos."

Quem sabe...

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“IMBECILIS TROPICALIS” O pequeno verbete tem cheiro e sabor de parábola. Para completar, é temperado com ironia e mordacidade, o que o faz mais atraente e apetitoso para a inteligência. Como dito no final, a autoria é desconhecida. Tomei a liberdade de apor alguns pitacos, cortar algumas excrescências e modificar algumas outras tantas  cositas . Ao fim e ao cabo, pode ser divertida, a leitura. Também conhecido por “otarius tupiniquensis”, é uma subespécie humanoide que habita várias regiões do Brasil. Devido à baixa capacidade cognitiva, seus hábitos ainda são um mistério para os pesquisadores. As primeiras pistas indicam que se alimentam de mortadela e têm uma religião primitiva, que adora um ser marinho pequeno e vulgar. Ainda não foram registradas atividades laborais, o que leva a crer que sejam alguma espécie de parasita, que sobrevive do trabalho alheio. Com baixíssima capacidade de entrosamento entre espécies, o “imbecilis tropicalis”, geralmente, é avistado somente...

Realidade e ficção: tênue limite

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A mulher cumpriu vinte anos de prisão por assassinato. Sua irmã, mais nova, criada por ela – a mãe morreu e o pai suicidou-se – foi adotada por uma família. Durante os anos de cadeia, a mulher escreveu inúmeras cartas para a irmão, através do serviço social. Jamais recebeu uma resposta. Os pais adotivos da menina guardaram todas as cartas, mas jamais mencionaram nada acerca da irmã presa. A irmã mais nova foi criada sem saber se a irmã está viva ou morta. Saindo da prisão, a mulher, tenta fazer contato com a família. A resistência é grande. A atitude dos pais adotivos está correta? A mulher, depois de solta, tem direito de procurar a irmã? A “justiça” pode impedir o reencontro das irmãs? Os pais poderiam ter feito o que fizeram com as cartas da mulher para sua irmã mais nova? O drama está armado. Todas as outras nuances possíveis parecem fenecer diante do impasse que se cria. A subjetividade de pais adotivos, de advogado e de mulher assassina são componentes fortes num drama que ultrap...

Palavras outras

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Significar, como verbo transitivo direto significa querer dizer; apresentar-se como expressão de; exprimir, traduzir. Por força de derivação por prefixação, resinificar é um verbo transitivo que caracteriza a ação de atribuir um novo significado a algo ou alguém. A ressignificação é um elemento importante no processo criativo, em que a habilidade de atribuir novas importâncias a um evento comum se torna útil e propicia prazer às pessoas. Claro está que esta “definição” não foi retirada do Houaiss. Copiei da “rede”. Entretanto, serve para o meu propósito aqui. É preciso, para isso, prestar atenção na ideia principal do verbo. Em seguida, atente-se para o fato de que o prefixo aposto ao verbo, faz dele a expressão de um ato repetitivo, de reforço de seu próprio significado. Ou seja, o prefixo aglutina ao sentido original do verbo o aspecto positivo de seu significado. Em outras palavras, o verbo prefixado, em sua forma derivada, faz com que o senso de positividade carregado pela forma or...

Um filme

Um tratado. No dicionário que consultei  on line , esta palavra apresenta duas acepções. Como adjetivo, significa que o que se tratou; como substantivo masculino significa convenção, entre dois ou mais países, referente a comércio, paz, etc. No entanto, que eu saiba, há ainda uma outra acepção. Tratado  (do termo  latino   tractatus ) é um estudo formal, científico, de caráter acadêmico, fundamentado e sistemático sobre determinado assunto. É bem mais extenso que um  ensaio  devido às suas características acadêmicas, sempre se propondo a apresentar uma teoria acadêmica bem fundamentada, sendo, normalmente, publicado em formato de livro ou livros ou, ainda, bibliotecas, os mais extensos. Famosos tratados foram escritos por filósofos, cientistas,  teólogos ,  místicos , militares, políticos, dentre muitos outros pensadores. Diferentemente do ensaio, que é um texto literário breve e informal, o tratado é algo mais complexo e formal. O ensai...

O mistério da conferência denegada

Entre setembro e outubro do corrente, recebi convite para fazer uma conferência durante m congresso na Paraíba. O promotor do evento é um grupo de pesquisas vinculado à UFPB, chamado GELIPSI – Grupo de pesquisa Gênero, Literatura e Psicanálise. Vaidoso que sou, fiquei honrado e aceitei, agradecido. Troquei algumas mensagens com um mestrando Matheus Pereira acerca de detalhes. Às vésperas de minha viagem que fiz a Portugal, mandei mensagem para o rapaz, avisando que estaria em solo estrangeiro no período de realização do confesso e que, tão logo quanto possível iria precisar de uma data para minha intervenção. Isso era necessário para eu me organizar. Minha viagem foi de lazer, mas o compromisso estava formado – pelo menos, de minha parte. Não obtive resposta, nas duas ou três tentativas. Em chegando a Lisboa, tentei mais uma vez o contato. Nada. Nenhuma resposta. No final de semana anterior ao evento, tentei ainda uma vez, avisando, desta feita que estaria em Braga e que a data e o hor...

O fim

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Hoje é o primeiro dia do início do fim do ano. Mais um. Tudo igual. A mesma cantilena. É a época do ano de que menos gosto, mas fazer o quê? Amanhã, já vou providenciar o bacalhau para a noite do dia 24, como é costume aqui em casa. Aproveito para comprar umas jujubas de que tanto gosto. Com parcimônia, porque o diabetes é um demônio que ronda a gente com vigilância mais que canina... Assim, resolvi fazer a postagem de hoje com um texto que já deve ser conhecido de tão “rodado” na rede. Fazer o quê? É só pra matar o tempo mesmo e tentar não deixar pesar o “clima”... O texto não é meu e desconheço a autoria, por isso está entre aspas. Aí vai: “ Estou indo embora. Não há mais lugar para mim. Eu sou o trema. Você pode nunca ter reparado em mim, mas eu estava sempre ali, na Anhangüera, nos aqüíferos, nas lingüiças e seus trocadilhos por mais de quatrocentos e cinqüentas anos. Mas os tempos mudaram. Inventaram uma tal de reforma ortográfica e eu simplesmente tô fora. Fui expulso pra sempre ...

Lusofonia

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Tenho um amigo em Lisboa, O José Colaço. Faz ex-libris muito bonitos. Um sujeito muito simpático. Mandou-me mensagem com expressões correntes em Portugal. Tem sua graça. Partilho aqui. É divertido e aprende-se um pouco mais acerca dessa cultura nossa matriz.  — Um português não tem um problema, na realidade ele está “feito ao bife”. — Um português não lhe diz para deixá-lo em paz, diz-lhe “vai chatear o Camões”. — Um português não lhe diz que é sexy, diz-lhe “é boa como o milho”. — Um português não repete o que diz, ele “vira o disco e toca o mesmo”. — Um português nunca se chateia, apenas “fica com os azeites”. — Um português não tem muita experiência, ele tem “muitos anos a virar frangos”. — Um português não se livra de problemas, ele “sacode a água do capote”. — Um português não está numa situação desesperante, ele está com “água pela barba”. — Um português não se irrita, ele “vai aos arames”. — Um português que muda de ideias facilmente é um “troca-tintas”. — Um português não é...

Viagem

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Pois é... Faz hoje 30 dias sem escrever aqui. Trinta dias que fiz um exame. Recolha de “material prostático” para biópsia. O urologista quis investigar mais profundamente a dita cuja, depois de uma alta no índice de PSA. Mesmo que eu desconfiasse, com quase toda segurança intuitiva, que não se passava de erro de digitação. O laboratório era o mesmo. O intervalo foi de duas semanas. Os resultados: 3,90, primeiro e 0,39, depois. Muita coincidência, pois não? Não teve jeito. O resultado sairia somente depois da minha viagem. É sobre ela que desejo falar. Faz temo que não fazia uma viagem tão profundamente reveladora, instigante, emocionante e instrutiva. Todo isso a um só tempo, com assessoria luxuosíssima de dois amigos queridos: José Filipe Menéndez e Alexandra Pereira de Castro. Os nomes completos dos dois é bem mais extenso. A genealogia os leva a píncaros da nobreza lusitana Aqui vão apresentados pela versão mais “social” ou “resumida”. O afeto é o mesmo. A gratidão tem a mesma medid...

Tentativa e erro

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Há momentos em que eu penso que estou perdendo o juízo. Não sou tão presunçoso para considerar que o que eu escrevo é melhor do que outros escrevem. No entanto, há coisas que leio, coisas “premiadas” que... por favor... Nem deixando toda a presunção de lado, sou capaz de reconhecer alguma “qualidade” no que leio. Mas não dou tratos a esta bola. Deixo passar e continuo “cometendo” meus poemas. Como os que seguem abaixo. Há quem critique o fato de compartilhar poemas inéditos. A roubalheira é grande. Não me importo. Sigo tentando. Quem sabe um dia... Credo   Juntei duas palavras bonitas, daquelas de que gosto muito. Juntei-as numa frase sonora. E acreditei ter escrito um poema.   À direita, o rapaz de barba e óculos não gostou, disse que não tinha substância. A senhora vetusta e grisalha, do alto de sua erudição, concluiu que o poema era o resultado, apenas o resultado de um moedor de palavras. A mocinha, loura e espevitada, riu, e não disse nada, mas escreveu à colega comentand...