Uma carta
O texto que segue não é meu. É de Fernando Pessoa. No entanto, o que ele escreveu poderia, caso eu tivesse tido talento, ter sido por mim escrito. Inveja? Sim! Sem pudor, mas com a compreensão estoica de que não coube a mim tal fardo. Porque é um fardo ser famoso, epítome, referência. Uma carta de amor. Às avessas, diria um. Inútil, diria outro. Não digo nada. Não é ridícula, como quis o mesmo poeta! Apenas sublinho (com maiúsculas) os trechos recitados por certa cantora brasileira. A carta fala por si... Ophelinha: Agradeço a sua carta. Ela trouxe-me pena e alívio ao mesmo tempo. Pena, porque estas coisas fazem sempre pena; alívio, porque, na verdade, a única solução é essa — o não prolongarmos mais uma situação que não tem já a justificação do amor, nem de uma parte nem de outra. Da minha, ao menos, fica uma estima profunda, uma amizade inalterável. Não me nega a Ophelinha outro tanto, não é verdade? Nem a Ophelinha, nem eu, temos culpa nisto. Só o Destino terá culpa, se o Destino fo...