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Mostrando postagens de 2026

Mais um desabafo

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A ironia amarga que ressuma do relato do que um vereador nessa terra de meu Deus fez causaria engulhos em qualquer um, faria Machado de Assis e Rui Barbosa cortarem os pulsos por se sentirem incapazes de escrever o que quer que seja sobre a tal ironia. O infeliz (porque, sim, ele é um infeliz!) rouba dinheiro de uma facção criminosa, causa a morte de um “laranja” e devolve o dinheiro roubado. Por isso tem sua condenação revogada pelo “tribunal do crime”. Pode uma coisa dessa? A democratização do roubo acaba de registrar seu caso fundador. A jurisprudência da contravenção é institucionalizada. E os impostos que todos nós pagamos serve para isso. Paralelamente, fica-se sabendo que um bebê de mais ou menos quarenta dias de vida é assassinado pela própria mãe. Ela tem 17 anos, portanto, legalmente, como “menor de idade” é inimputável. Não vai acontecer NADA com ela. E ela vota. Não duvido que, mais um tempo, e ela engravida de novo. Vai saber que é o “pai”... E o que acontece? Nada. Ofic...

Afinidade(s) eletiva(s)

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Um dos meus poemas “de eleição”. Minha afinidade com este heterônimo de Fernando Pessoa é, em certa medida, indescritível. Ele se dá com Álvaro de Campos e, na prosa, com Bernardo Soares. Creio que o fio que nos une é o do ceticismo e da melancolia. Ainda assim, é indescritível. Há outros da mesma “eleição”, é claro. Por hoje, fico com esse, dado o “estado de ânimo” a que sou levado a experimentar dadas as circunstâncias da realidade em que vivo, infelizmente... “Quando vier a Primavera, Se eu já estiver morto, As flores florirão da mesma maneira E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada. A realidade não precisa de mim. Sinto uma alegria enorme Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma. Se soubesse que amanhã morria E a Primavera era depois de amanhã, Morreria contente, porque ela era depois de amanhã. Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo? Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo; E gosto porque assim ...

Agora...

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VERGONHA Esta é a palavra de ordem... ou deveria ser... Que triste... Que preguiça... Que raiva...

(Im)paciência...

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A menina, vestindo roupinha “descolada”, usando franjinha curva (ridícula), coberta com um lenço do hamas, portando o iphone 17 de praxe, apresenta-se como radicalmente anticapitalista. Faz uma pergunta a seu debatedor. Quando ele começa a responder, ela corta e faz observações descabidas. Ele tenta de novo e ela corta outra vez, usando argumentos falaciosos. Por uma terceira vez, ele tenta retomar a resposta e ela, claro, corta, ainda uma vez tentando estabelecer sofismas insustentáveis. Por dois ou três minutos esta balbúrdia continua. Eu desligo o vídeo e sigo em frente. Não tenho paciências para babaquices hipócritas dessa “juventude” burra, chata, desinformada, tendenciosa, preconceituosas, arrogante, etc., etc., etc.

Indignação, vergonha, medo

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Ainda no mesmo capítulo de ontem, vai a postagem de hoje. Sem mais palavras. Recebi do dileto amigo Paulo Meyer que me atura há anos com minhas chatices viageiras... “Uma sociedade que obriga uma pessoa de noventa anos a usar um smartphone para acessar seus próprios direitos não é moderna: é uma sociedade que decidiu se livrar de seus idosos. Em 2026 tudo virou um aplicativo, um código, um portal. Mas quem construiu este país com as próprias mãos hoje se encontra analfabeto dentro da própria casa. Para marcar uma consulta ou pagar uma conta, é preciso um filho ou um neto quando existe um. O sistema falhou. Isto não é inovação. É EXCLUSÃO a tecnologia deve ajudar, não selecionar quem tem direito à dignidade. Quando deixamos para trás aqueles que vieram antes de nós, não estamos evoluindo: estamos apenas nos tornando mais cômodos e mais egoístas. Simples assim...” PS: desconheço a autoria...

Momentos que vêm e vão...

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Num momento como o que relata o “perdão judicial” a uma mãe que é cúmplice – declarada, documentada e provada – do assassinato de seu próprio filho; como o que coloca um homem vestido de mulher na presidência de uma comissão que existe para defender... as mulheres; como o que um padre fica sentado, com as pernas cruzadas a olhar para o alto, enquanto os ministros da Eucaristia fazem o seu trabalho que deveria ser “colaborativo” – é bom prestar atenção ao prefixo... Nesse momento eu sinto uma preguiça enorme, uma vergonha imensurável e uma tristeza abissal... A conclusão é a de sempre: estou ficando velho... e mais chato do que sempre fui. É com este espírito que partilho o texto que segue, recebido de outra velhota amiga, já da terrinha. Se gostarem, bem... se não gostarem... amém! “A idade em que o tempo se senta à mesa   Existe uma fase em que o espelho abandona a diplomacia.   O cabelo sai de fininho, o joelho vira locutor, a memória se esconde justo quando o rosto ...

Poesia

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Garcia Lorca. Diz-se “Lôrca” ou “Lórca”? Já ouvi as duas formas. Sempre utilizei a primeira. Fica a dúvida. Um poeta – na acepção mais ampla e plena do termo – de Língua Espanhola. Vítima do Franquismo. Andaluz de alma e letra. Algo parecido com o calundu tupiniquim? Ou, mesmo, com a “naturalidade” de Alberto Caeiro? Vai saber... Os olhos de quem lê ditam regras que a mais profunda teoria não consegue explicitar. Ainda assim, há quem, se arvore na ingenuidade de firmar que sabe o que o poeta dia. Sabe mesmo? Sempre tive dificuldades em dar aulas sobre poesia. Não por incapacidade. Minha falsa modéstia não me deixa aceitar o fato de que tinha “a manha”. Como já disse uma amiga: sou um excelente mastigador de palavras. Então... Mas a dificuldade permanece, na memória. Quando falava sobre poesia, na sala de aula, sempre tinha em mente a impressão de que meus alunos achavam que eu era doido e que eu estava inventando coisas. Sempre ficava pensando que eles se perguntavam, de onde é que eu ...

Explicação

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Certo. Vamos dizer que seja mesmo natural: miríades e miríades de pessoas de todas as classes sociais, nas mais diversas condições socioeconômicas, com os mais diversos vieses ideológicos (se é que boa parte dessa gente saiba o que é isso!), nos mais diversos graus de formação escolar/educacional. Bem. Todo esse montante humano aos gritos, aparentemente felizes, histéricos mesmos com a leitura de um nome. Um nome de um sujeito que se locupleta numa situação que é considerada invejável por boa parte da massa acima descrita. Um nome entre tantos outros nomes que se dedicam a correr atrás de uma boa e passam o resto do tempo a desfrutar das benesses de fazê-lo, com os mais variados graus de mau gosto. Um nome. Isso é mesmo “natural”. Ou eu é que atingi o mais alto grau da chatice e do ceticismo. Custo a crer que (ainda) haja quem defenda isso, quem consiga elaborar duas linhas de raciocínio lógico para defender isso. Para mim, apenas uma palavra descreveria tal situação: inominável. Segui...

Protesto

Já usei o poema que uso hoje nesta postagem. É poema “de cepa”. Deu-me uma vontade imensa de usar esta expressão que, não sei dizer, já deve (ou não!) ter sido usada por alguém de fama, ou também por alguém absolutamente anônimo como eu. Ando enjoado com as notícias, com os acontecimentos, com o fruto do que foi plantado anos atrás. A natureza é sábia e não mede esforços, não seleciona seu público. Ela “É”! O poema diz muito e neste exato momento em qu um quadro tenebroso (re)começa a se desenhar no horizonte – e o vamos aguentar até outro ou mais adiante... vai saber), no mesmo momento em que “estudantes” reclamam o “direito” de receber um salário mínimo para estudar com a desculpa mais que esfarrapada que este é o seu trabalho, o que, na cabeça deles, e só lá, é suficiente para justificar seu “direito” à grave. Que tontice. Isso me faz triste, cansado, desesperançado. Mas a vida continua, como a natureza. E ainda bem que temos poesia ... “de cepa”... para desanuviar os negrumes que j...

Vergonha

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Há momentos em que sinto uma enorme vergonha de ter nascido no Brasil, de ser brasileiro de saber que amigos, inimigos e pessoas que não conheço e, possivelmente, nunca conhecerei ficam sabendo do que se passa por aqui. É neste sentido que reproduzo o editorial do Estadão (data de publicação no fim da postagem) sobre a reprovação de um jagunço da canhotada institucionalizada. Publico literalmente, sem tirar nem pôr, como a minha vergonha...   Senado rejeita indicado do presidente ao STF, o que não acontecia desde o século 19, mas não o fez porque se tratava de um despreparado, e sim porque decidiu escancarar a crise com Lula.   Fez muito bem o Senado ao recusar a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Como já dissemos neste espaço, o advogado-geral da União não possuía notável saber jurídico, um dos mais importantes pré-requisitos constitucionais para vestir a toga no STF, e só foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva porque d...

Calundu

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O calundu de ontem foi forte. Tanto que uma diarreia bacteriana se instalou. Assunto nem um pouco poético? É fato, mas faz parte do dia a dia de qualquer indivíduo sobre a face do planeta. Não há como glamourizar. Não se está absolutamente livre desta possibilidade. Não há poesia que consiga apagar esse traço da existência. E, no entanto, a chatice ou a vergonha ou, ainda, a presunção, fazem com que a imaginação se assanhe e consiga criar uma cortina de fumaça ilusória e obsedante... As palavras estão aí para isso mesmo: dizer o que tem que ser dito. De um jeito ou de outro. Por acaso, no meio do ócio criativo de mais um dia bobo, o domingo, vejo a cena de um dos episódios da série The crown , em que a primeira-ministra Margareth Tatcher declama um poema de Charles Mackay, “ No enemies ”: You have no enemies You have no enemies, you say? Alas! my friend, the boast is poor; He who has mingled in the fray Of duty, that the brave endure, Must have made foes! If you have none, ...

Desabafo

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Tempo. Muito tempo. No retorno à capital paulista, ouvi de um amigo que meus livros não vendem porque não sei fazer marketing . Isso é verdade. Disse a ele que não submeter-me-ia a grupinhos, igrejas, panelinhas, grupelhos para alçar o píncaro da fama. O preço é muito alto. Leio tanta bobagem que é incensada como “Literatura Brasileira” que fico pensando que emburreci de vez. Tenho mania de ler contracapa e orelhas de livro antes de lê-lo, de fato. Pode ser um erro. Não sei dizer e continuo fazendo isso. Pago pra ver. Há ocasiões em que me arrependo. Há outras que, ao contrário, o prazer da leitura é multiplicado exponencialmente. Que palavra estranha este advérbio, exponencialmente. Diz, de maneira completa, o que quer dizer. Não deixa dúvida. No entanto, tão pouco gente usa. Raciocínio similar pode ser desenvolvido para este meu desabafo. Minha vaidade ainda está carente de reconhecimento. Tive um prazer enorme ao ver uma estranha pegar o meu livro – que deixara no assento atrás do m...

(In)Certezas...

Estou aposentado desde 2018. E feliz com esta situação: meu particular dolce far niente , num sentido muito, mas muito particular e pessoal. Pois bem. Li o texto que segue, enviado por alguém que penso não conhecer. Já faz um tempinho que o guardei e vou partilhar pois tenho inveja do autor. Em outras palavras, durante os quinze últimos anos de minha carrière , eu disse a mesma coisa. Infelizmente, parece que só piorou... “Um dos mais graves problemas das Humanidades é assumir a inferioridade que lhe imputam em relação às ciências exatas e da natureza. Isso se dá nem sempre de modo direto. A forma preferencial é importação do modelo de funcionamento e avaliação das ciências duras. O pior exemplo são os chamados congressos científicos, que não são nada, na maior parte das vezes, do que turismo e sociabilidade. Basta ver a defesa que se faz da relevância dos coffee breaks ou almoços durante esses eventos. Isso se dá porque é ridículo pressupor que se possam apresentar ‘resultados’ em 1...

Pré venda

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  Está em curso a pré venda deste meu livro de poesia. Vamos lá, aproveite!

Dúvida "cruel"

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Bem pertinho dos 70, não tenho dúvidas de que minha chatice vem se instalando de forma definitiva em mim mesmo. Li, numa dessas páginas que circulam pela “rede”, a seguinte chamada: “Nove frases típicas de pessoas com inteligência emocional acima da média”. O que se lê depois dela segue (em parte) abaixo. Não me dei ao trabalho de procurar quem é a “fonte” e que tais. De fato, resta uma única e cristalina dúvida: não sei se rio ou se choro... “NÃO TENHO CERTEZA, VOCÊ PODE ME EXPLICAR? VAMOS VER COMO PODEMOS TRABALHAR JUNTOS. ME DESCULPE. CONTE-ME MAIS. ESTOU TE OUVINDO. COMO VOCÊ ESTÁ SE SENTINDO? OBRIGADO. EU ENTENDO, MAS… GOSTARIA DE SABER SUA OPINIÃO SOBRE ISSO.”

Resposta a uma insistência

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Gerson insistiu tanto, mas tanto, que acabei por comprar o livro. Não me lembro de tê-lo lido antes. Se o fez, não deixou marca na memória, a leitura. Contudo, gostei bastante, apesar de ser da lavra do mesmo autor. Em seus três movimentos, como uma sonata, um concerto ou uma sinfonia – se bem que gênio(s) da música compuseram peças que tais com mais de três movimentos – o romance encanta por conta da agudeza com que aborda os temas que lhe são caros, ou que foram pré-estabelecidos pelo autor ele mesmo. Vai saber. A fé, a moral, comportamento ético, senso de justiça e responsabilidade, percepção da realidade, mudança história, revolução, valorização da sociedade do trabalho, etc. Eis uma lista deles, os temas e/ou subtemas que permeiam a caudalosa narrativa de Ressurreição , da autoria de Liev Tolstói. Sim. Ele mesmo. autor russo de quem já ousei chamar de chato e quase fui execrado pelo mesmo Gerson. Fi-lo e repito, é chato sim. Mesmo no caso presente, devo confessar. Na leitura que d...

O que fazer?

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É o fim da picada. Em plano Santuário de Nossa Senhora Aparecida, um “padre” usa o espaço da homilia para militar, sem argumentos e tendenciosamente... É o fim da picada. Não é à toa que a Igreja Católica, Apostólica, Romana esteja perdendo tanto espaço, tantos fiéis, tanta significância. Há até padre que não dá comunhão, cruza pernas e braços, sentado, enquanto os ministros da Eucaristia o fazem... É triste, mas está acontecendo a olhos vistos... Que pena...