Diferenças
Duas mulheres, um bando de rapazes, um tempo incomensurável e a verborragia de um narrador que nem narra, nem se identifica como tal. Bobagem? Não creio. Mário de Andrade, no início do século 20, advogou o direito à experimentação estética – creio que era esta a expressão literal usada pelo polígrafo paulista – para a consolidação de um processo de busca de construção da brasilidade a ser representada, contada, narrada pela literatura que aqui se fazia. Não tenho notícia de tal axioma no que diz respeito à Literatura Portuguesa. Nessa altura da vida, isso já não mais me interessa. O que está em jogo aqui é meu gosto pela leitura de um livro que, tecnicamente, é tratado como romance. Particularmente, não sei que nome dar. De fato, nem sei se é mesmo necessário “dar um nome” a esse tipo e texto, ou a qualquer outro. E esta é outra questão que vou abandonar à margem do caminho. Misto de registo autobiográfico, diatribes sobre o ato de escrever, anotações esparsas e...