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Mostrando postagens de março, 2020

Diferenças

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    Duas mulheres, um bando de rapazes, um tempo incomensurável e a verborragia de um narrador que nem narra, nem se identifica como tal. Bobagem? Não creio. Mário de Andrade, no início do século 20, advogou o direito à experimentação estética – creio que era esta a expressão literal usada pelo polígrafo paulista – para a consolidação de um processo de busca de construção da brasilidade a ser representada, contada, narrada pela literatura que aqui se fazia. Não tenho notícia de tal axioma no que diz respeito à Literatura Portuguesa. Nessa altura da vida, isso já não mais me interessa. O que está em jogo aqui é meu gosto pela leitura de um livro que, tecnicamente, é tratado como romance. Particularmente, não sei que nome dar. De fato, nem sei se é mesmo necessário “dar um nome” a esse tipo e texto, ou a qualquer outro. E esta é outra questão que vou abandonar à margem do caminho. Misto de registo autobiográfico, diatribes sobre o ato de escrever, anotações esparsas e...

Conhecimento

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Uma pergunta eu sempre me incomodou: que teorias e autores relevantes O Aristóteles e o Platão utilizaram como arcabouço teórico para desenvolver suas teses em Filosofia? Hoje, penso eu, ainda não foi encontrada a resposta. Creio, penso eu, de novo, que por impossível. Mas na lonjura em que estão o bom senso e a parcimônia – não menciono a honestidade e a eficácia para não correr risco de cassação de título – da produção acadêmica, sobretudo em algumas áreas do conhecimento, fica mais longe a possibilidade de considerar essa produção um exemplo de possíveis tentativas de resposta. Este fio de raciocínio é longo, intrincado e multifacetado. Custaria um esforço enorme, um tempo imenso. Não vou enfrentar essas agruras. Paro com a minha chatice aqui para trazer o verbete dicionarizado de uma palavra fundamental, sempre fundamental: Conhecimento. S ubstantivo masculino. Ato ou efeito de conhecer. Ato de perceber ou compreender por meio da razão e/ou da experiência. Faculdade de conhec...

Maria Callas sings "Queen of the Night" aria from "The Magic Flute" by M...

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Insistência

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Quis escrever um poema sobre a cor alaranjada do por do sol. O poema não saiu. O céu escureceu. Uma chuva miúda caiu. Mas o poema ficou encruado lá em cima, depois das nuvens. Ou ficou embaixo da terra, esperando melhor momento para brotar. O que fazer? Sem saber ao certo, caminhei. Trinta minutos. Quarenta voltas. Quatro mil metros. Dose diária de um remédio amargo a fazer efeito se tomado, religiosamente de segunda a sexta. Ainda assim, mesmo medicado, o poema não saiu. Nas páginas do livro experimental de Nuno Bragança, a procura pelos verso exato se perdeu. Os nomes das personagens. A reprodução do que vai na cabeça de cada personagem. A diagramação de algumas páginas e a intermitência de trechos em letra miudinha, em itálico, em primeira pessoa, a eriçar os pelos da cabeça e dar coceira no cérebro. Nada do poema sair. O chimarrão, preparado fora do rincão gaúcho. A mistura de suco de acerola, limão e um pozinho mágico para, supostamente, acelerar o metabolismo: gengibre, gua...

A culpa é ou não é da China?

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Aproximações

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O primeiro volume da coleção de obras de Graciliano Ramos – de que me falta apenas um volume – Vidas secas – apresenta Caetés , publicado em 1933. Em interessante ensaio de apresentação da obra do escritor alagoana. Wilson Martins faz observações que vou retomar aqui. O volume que me falta foi emprestado para uma prima, em priscas eras. Ela jamais me devolveu. Eu jamais consegui encontrar este volume. O da coleção. Capa dura. Com ensaio inicial. A marca peculiar desta coleção, da Martins Editora, é, exatamente, esta: o ensaio inicial. Pois nele, no volume que acabo de reler, com prazer imensurável, Wilson Martins apresenta uma leitura interessantíssima que serve de guia inaugural de leitura, para aquele que vai se aventurar no universo ficcional de Graciliano Ramos. Claro está que não vou defender uma tese para debater com as ideias do crítico citado. Não estou a escrever um tratado, um artigo ou uma recensão. Registro apenas algumas linhas que nascem da releitura – repito, inco...

Moradora canta " Avé Maria" em dia declarado Estado de Emergência na Pra...

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CORONAVÍRUS: A VERDADE Sobre o Coronavirus no Brasil [COMPARTILHE] | O q...

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Um médico falando com propriedade. omo não levar a sério? O, pelo menos, escutar?

Três

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São três os momentos do dia, as fases da vida, os lados do triângulo, as pessoas da Trindade Santa, as perguntas de esfinge para Édipo, as chamadas do brinde espanhol: arriba , adelante , adentro ! Três. Dizem que um número forte, simbolizando o equilíbrio perfeito. São três as vidas da personagem principal do romance de João Tordo. O romance se intitula, por óbvio, As três vidas . Romance denso, grande, verboso, mas deliciosamente fluido. Da primeira leitura, ficou um sabor a Paul Auster. Comentei com o autor, quando o conheci pessoalmente em Zagreb. Rapaz tímido, simpático, um tanto gago. Talvez pelo nervosismos da situação àquela atura. Gostei do gajo. Gostei do livro dele. Já li outros. Estou curiosíssimo para ler o último que ele lançou A noite em que o verão acabou . O rapaz consegue escrever sem incomodar. A mim não me incomoda. Há autores que escrevem bem, mas incomodam, fazem a leitura de seus escritos quase um sacrifício. Não é o caso de João Tordo. A urdidura do texto ...