Poesia
Vi ontem, por acaso, um vídeo com uma senhora declamando um poema. Era a própria poeta, Ana Luísa Amaral, portuguesa. Encantou-me a maneira como disse o próprio poema. Encantou-me o poema. A Literatura, uma vez mais, atenuando, em minh’alma as agruras do tédio, esse que não me abandona, jamais. Tomara que gostem! SONETO CIENTÍFICO A FINGIR Dar o mote ao amor. Glosar o tema tantas vezes que assuste o pensamento. Se for antigo, seja. Mas é belo e como a arte: nem útil nem moral. Que me interessa que seja por soneto em vez de verso ou linha devastada? O soneto é antigo? Pois que seja: também o mundo é e ainda existe. Só não vejo vantagens pela rima. Dir-me-ão que é limite: deixa ser. Se me dobro demais por ser mulher (esta rimou, mas foi só por acaso) Se me dobro demais, dizia eu, não consigo falar-me como devo, ou seja, na mentira que é o verso, ou seja, na mentira do que mostro. E se é soneto coxo, não faz m...