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Mostrando postagens de agosto, 2020

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  Mais de vinte anos. Desde a primeira vez que a ideia ocorreu, mais de vinte anos. Uma primeira tentativa tinha que acontecer. Não era possível que esta experiência não pudesse ser vivenciada. Não havia motivos para não acontecer. Mais de vinte anos e a oportunidade se apresentou. De repente. Inesperadamente. Por acaso, num momento de ócio, lazer, num intervalo, apareceu a chamada, os critérios e as datas. Tudo parecia conspirar a favor da ideia que demorou mais de vinte anos para se concretizar. Em tentativa, por início, mas já valia apena ter esperado. Tudo muito simples. A preparação do curriculum vitae não era trabalhosa. A carta de intenções não tinha segredo nem dificuldade. Era mandar tudo dentro do prazo e esperar pelo resultado. Aceita a inscrição, começava a verdadeira saga. A aprovação interna. Em três níveis, obrigatoriamente. Sem esquecer de que ali, como alhures, a burocracia agigantava os obstáculos e a falta de espírito de coleguismo e verdadeira valorização do tr...

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  Os pés de chapa. Dedos mal desenhados e o calcanhar bem mal cuidado – pra não dizer rachado. Todo cuidado é pouco. Tudo o que se diz é lido e pode ser lido de forma diversa da que o sentido primário imprimiu. Este sentido nem sempre é percebido. Quase sempre é distorcido. Todo cuidado é pouco, pois. Mas os pés de chapa tinham dedos horrorosos, estavam bem mal cuidados. Estavam sim. Eram sim. Ainda se fosse esse o detalhe mais degradante. Foram tantos outros. Tantos... De nada adiantaram os mais de vinte anos de relacionamento anterior. Um intruso não reconhece isso. Não é capaz de equalizar o que isso significa. E não é pouco. Vinte, quase trinta anos, se não fossem mais. Ainda que fossem menos, o intruso não saberia, por genuína incapacidade. O clube dos intrusos começou devagar, insidiosamente. A aparente humildade do rapaz do interior que vem morar na cidade fez seu papel. Desempenhou com galhardia a persona simples, aprendiz, que respeita os laços de amizade e a experiência,...

Mais um convite

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Trilogia. Substantivo feminino. Na Grécia antiga, nome dado a um poema dramático composto de três tragédias que deviam ser representadas juntas. Por extensão de sentido, quando se trata de uma narrativa, geralmente longa, convencionalmente chamada de romance, é o nome que se dá ao conjunto de três obras, unidas entre si por temática comum. Bom. Na acepção clássica, a ideia de representação em conjunto traz para os dias que correm, por exemplo plausível, a ideia da literatura “em série” dos três romances. É o que aconteceu comigo. Acabo de ler três livros de um mesmo autor. Uma trilogia. O nome dele? João Tordo. Um jovem escritor português em ascendente carreira literária na península. Os títulos das três obras que acabo de ler são: O luto de Elias Gro , O paraíso segundo Lars D. e O deslumbre de Cecilia Fluss . Não sou eu quem diz que se trata de uma trilogia. Não fui quem leu os três romances como uma trilogia. O próprio autor concebe o conjunto como tal: “Comecei logo com a ideia de...

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A massa de ar cinzento e miasmático que o sonho movimenta no inconsciente não pode ser medida. Detectada, percebida, relatada, mas não medida. A confusão se faz ou se desfaz em ainda assim, nada muda nesse sofisma. Ou seria um axioma? A fidelidade e a eternidade, para além da homofonia não resguardam a mesma durabilidade. Trinta anos. Um casamento de amor, nos moldes sociais mais circunscritos à tradição e aos costumes. Pai farmacêutico, mãe cozinheira. Os outros dois genitores, desconhecidos. Um casamento tradicional. Dois filhos. A profissão da mãe e do pai conjugadas na composição de mais um lar. A construção de uma casa como sonho impossível, trasladado para o financiamento. O lar constituído de maneira sólida e conjugada. Dois filhos. Trinta anos e dormindo abraçados. O elogio doceiro do corpo dela. O abraço noturno que satisfaz, gratifica e fortalece. Trinta anos de idas e vindas. O ritmo diário das semanas profissionais. A cidade do interior. A estação ferroviária da capital. O ...

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  Sancho Pança e Dom quixote. Inversão improvável, possível e nada gratuita. O gordo comezinho e o magro delirante. Monstros que se movimentam com o vento, moinhos do inconsciente. Toda a sorte de invenção e especulação: capacidade de reverter um processo corrente e demarcar um ponto para “um antes” e “um depois”. Não é apenas Literatura. A vida cotidiana também pode se representar por um par como este. Desde o começo, ainda que latente, esta possibilidade estava lá. As três meninas ainda faziam a prova. E o candidato tomava café com o chefe, em sua sala. “Não posso. O que vão pensar? Estou fazendo um concurso. Não posso!” O tempo passa. “pode sim” Eu sou o chefe!”. A convivência, para o bem e para o mal, estabelece um estágio adiante, o da colaboração, ainda que contra o resto. A delirante sanha dos descontentes e mal aceitos. Quase unanimidade. O fato de não obedecer aos princípios organizacionais mais elementares. A carona de todo dia, durante os primeiros anos. A amizade cresce...

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  Depois do chá da Portela em 1981, toda em azul e branco, literalmente. Carros alegóricos representando seres marinhos. Todos eles. Depois da stravaganza da Beija-flor, com uma cascata de água em três níveis com mulheres seminuas rebolando. Tempos outros. Tempos idos. Na armação, com muita cerveja, muito cigarro, lança-perfume, maconha e choro. A afonia inevitável. O fim do caso com o arquiteto, definitivo e necessário. O início de nova década. No retorno, no mesmo bar do acontecimentos inusitados, o point da capital federal, o encontro. ali não havia como saber que o tempo de três décadas e quase meias ia ser mantido coeso. Amizade que nasceu espontânea. Cerveja, cigarro. Ouvindo Elis Regina   e bebendo guará no domingo de manhã. Um litro de leite na madrugada depois do bas fond federal. Toda semana a mesma cantilena. Já lá se iam alguns anos. O namorado feio, Carlos Alberto, vulgarmente chamado Casalberto. Feio, óculos de lentes grosas, cabelo vermelho, espinhas e acne po...

A senha da mordaça é c-o-v-i-d-1-9

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Alconhonho por mais 2 anos, Doria feat. Gilmarzão e a credibilidade das...

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  Anos oitenta do século 20. Ainda era possível se divertir no Beirute. Não como no início, mas ainda possível. Já não havia casamentos improvisados entre bebedeiras homéricas e o tráfico de desejos escondidos, ali, permitidos, nos sábados à noite. Tráfego intenso. Possibilidades ilimitadas. Nada como doses cavalares de adrenalina no desejo do sexo que durasse para além da paixão. Os anos oitenta jamais serão superados. A barriga enorme. O rosto magro entre madeixas compridas e um olhar suave a sagaz. a barriga enorme dela. O grupo pequeno brincava que estava grávida de trigêmeos. A canseira no calor do cerrado. As leituras nas mesas desocupadas do segundo andar da Biblioteca Central no campus . As preleções da mulher do general que usava óculos de lentes grossíssimas. O parto seria logo. A barriga enorme. O grupo pequeno acompanhando cada passo. Até a tarde que anunciou o nascimento do menino, o terceiro filho. A visita no final da tarde. “Meu Deus, isso não é um bebê, é um sapo!”...

O procurador e os ladrões

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O charlatão de megafone

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640 DOCTORS, CV19 IS A GLOBAL SCAM

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A semana que Dória, Maia e a Globo, queriam que acabasse

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Tocar a vida, Fake News e "nasistas” covardes

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A eloquência do dinheiro no apê do secretário de SP

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STF pra cima de "Morno"

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Do alto do balcão, logo na primeira cena, aparece Gloria, em sua gloriosa magnificência. Os óculos escuros. A boca pintada com batom bem vermelho. O turbante perolado e a túnica recamada de pedrarias. “Hey you, down there!”. E entra a música. O olhar altivo e a voz arrastada. Toda a carga dramática de cada gesto, cada inflexão, cada movimento de corpo. Tudo muito estudado. Milimetricamente pensado na possibilidade expressiva do ato. Uma atriz. O desconcerto do rapaz fica patente. O susto e a admiração. Uma mulher exuberantemente desconhecida. Evolução da história: o contrato, os papeis, o roteiro a refazer. No roldão, o dinheiro, as roupas, os contatos. No meio do caminho a traição. A tentativa de suicídio. O drama estampado, verdade revelada. A herança de um mundo sem som voltando no flash que se acende no estúdio trazendo tudo de volta num átimo. Puf! A compreensão de tudo. A revolta. O desprezo e o tiro. Um corpo que flutua na piscina. De novo, magnificente, entre em cena Gloria, v...

Censura de Toga

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E lá vamos nos de novo entender o que foi que rolou.

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Hipocrisia in Natura

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