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Mostrando postagens de janeiro, 2026

Sobre animais... mas nem tanto.

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Durante a infância e parte da adolescência, convivi com duas tias do meu pai: Júlia e Lilia, irmãs do vovô Pedro. Se foram do jeito que vieram, intocadas. A mais nova, tia Lilia, tinha o apelido de Batatinha. Era pequenina, com o rosto bem redondinho e um pouco gordinha. Um doce. Na casa delas, quando os filhos dos sobrinhos – que eram muitos – se reuniam, ela brincava de roda conosco. Entre as muitas brincadeiras, a de roda era uma das mais divertidas. Nelas, cantavam-se modinhas infantis como a que segue: Atirei o pau no gato-to-to mas o gato-to-to não morreu-reu-reu Dona Chica-ca-ca dimirou-se-se do berrô do berrô que o gato deu Miau! Ao gritar miau, todos caíamos no chão às gargalhadas, gritando e batendo palmas. Nada mais inocente, ingênuo, fácil e feliz. Diversão pura e cristalina. Pois é. Tentei reproduzir na ortografia a maneira como cantávamos a cantiga “infantil”. As aspas chamam a atenção para a chatice que se instalou graças ao projeto de terra arrasada que se i...

Releitura

Terminei de reler  Madame Bovary . Desta feita, a edição do Clube de Literatura Clássica, com sede no Rio Grande do Sul. Linda, a edição. Capa dura e ilustrada, com desenhos muito instigantes que vão sendo modificados conforme o andamento do texto. Uma ideia interessantíssima do editor. O que é que (ainda) se pode dizer sobre este “romance”? Aspas e parênteses se justificam. Trata-se de um desses livros que exigem de seus leitores uma certa devoção. Academicamente falando, já li mita bobagem acerca dele. Talvez seja efeito da minha chatice. Daí os parênteses. No “ainda” que dentro deles vai escrito, cabem miríades de considerações que a fortuna crítica da obra de Gustave Flaubert acumula ao longo dos séculos. Agora as aspas. Bem... O nome “romance” já foi ponto de fuga de polêmicas as mais diversificadas. Também já li muita bobagem deste assunto. Mas elas se justificam mesmo dado que a obra doe escritor francês não é meramente um romance, mas um “romance”. Se não for ROMANCE. A cad...

Frases...

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Há um vídeo na rede mostrando Judi Dench e Kenneth Branagh conversando e ele diz pra ela o que aconselhou a um amigo que perdeu seu pai e tinha que dizer algo no funeral. O ator inglês se reporta a uma situação vivida por ele mesmo e diz uma frase de Hamlet: “He was a man, take him for all in all, I shall not look upon his like again”, traduzindo, “Ele era um homem, em todos os sentidos, não verei outro igual a ele” ou “Ele foi um homem, considere-o por tudo que ele representa, não verei outro igual a ele”, ou ainda “Ele era um homem, aceito por tudo que representa, não verei outro igual a ele”. Mais não digo, a não ser pedir desculpas por possíveis erros de tradução...

Idade...

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Certa feita, já vai um tempo, conversando com uma amiga, ela disse que a partir dos 60 eu ia aprender o real significado da palavra limitação. É fato. Uma série de manifestações dessa coisa inexplicável – mas nem tanto – começa a fazer parte da rotina. Agora, chegando aos 70, isso começa a se adensar. E não de uma maneira negativa. Ainda bem! A pasta dental – ou dentifrício, como eu aprendi e gosto de falar – vinha numa embalagem metalizada que sempre estava “completamente” cheia. Não havia a bolha de ar que aparece hoje, na embalagem plastificada, depois de dois ou três apertos. Visitar os avós nos finais de semana. Brincar com as tias idosas no quintal de sua casa. Pedir a benção aos pais, avós, tios. Levantar-se quando o professor entrava na sala de aula. O tempo passa. E passando, ele traz coisas interessantes. Ontem recebei de outra amiga – esta portuguesa – um recorte de jornal que reproduzo abaixo. (Ao fim, vai a imagem enviada). Foi publicado ontem mesmo, até prova em contrário...

Minúscula

Autran Dourado, dizem, teria afirmado que “um leitor perfeito é um autor em gestação”. Será que seria muita empáfia de minha parte afirmar que um autor perfeito é um leitor em constante exercício?

Segundo

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É quase um milagre: estou a escrever outra postagem no segundo dia do ano. Sem um intervalo. Dois dias seguidos! Vai hoje um poema (no original e minha tradução, um tanto livre) de W.H Auden ou Wystan Hugh Auden, poeta anglo-americano – nasceu na Inglaterra e morreu na Áustria –, considerado um dos mais importantes poetas do século 20. O poema é triste, ainda que grandioso. É de uma eloquência contundente e inabalável. Pode ser que haja quem não goste, sobretudo à sombra do último período de “festas” a que a tradição nos conduz a cada ano. Repetição: em minha mensagem de Natal, falei sobre isso. Bem... Segue o texto. Funeral Blues W.H. Auden   Stop all the clocks, cut off the telephone, Prevent the dog from barking with a juicy bone, Silence the pianos and with muffled drum Bring out the coffin, let the mourners come.   Let aeroplanes circle moaning overhead Scribbling on the sky the message He is Dead. Put crepe bows round the white necks of the public d...

Primeiro

Antes de mais, feliz ano novo! Vai hoje o primeiro do ano, no primeiro dia do mesmo ano,... quem sabe mais outros virão com um pouco mais de frequência... Não posso garantir. Inauguro mais um ano deste blogue com um texto atribuído a Pablo Neruda. O particípio procede dado que, mesmo com o “ano novo”, minha preguiça continua a mesma! A ideia era publicar “Funeral Blues”, do W.H. Auden. No entanto, o tom fúnebre, ainda que monumental, do poema exigiria muita explicação por aparecer num dia de (suposta) alegria e comemoração. A suposição é por minha conta. Pensem o que quiserem. Como não queria gastar meu tempo (e paciência) com as explicações irrecorríveis, vai o anunciado. Os anos que me restam. “Nunca tinha pensado nisso desta forma, até que uma manhã, com o café fumegando, compreendi que os anos que tenho… já não os tenho. Sim, soa estranho, mas é a verdade. Aqueles anos que digo ter já se foram, permanecem em fotografias, em risos antigos, em amores que já não doem, em rou...