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Mostrando postagens de junho, 2020

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E a mesma sequência em repetição. Uma, duas, tantas incontáveis vezes. A mesma repetição. Ora para um lado, ora para outro. E o sangue de Jaime escorrendo. Abundante. E o chicote rasgando o ar, Mais um, mais dois. O castigo de cem chicotadas pelo testemunho de um crime. Não poderia haver punição para um superior. Jaime viu o crime. O assassino viu que Jaime tinha visto. E as chicotadas como resultado do desleixo do destino. Desleixo. As chicotadas pareciam não bastar. O sangue escorrendo. As costas tonadas de Jaime laceradas. O banho de sangue não diminuía o erotismo implícito. As costas de Jaime. As brancas e tornadas costas de Jaime. Os braços esticados no pelourinho. O sangue escorrendo a avermelhar as cotas de Jaime. Que escultura! Uma obra de arte. João não resistia. Quando mais calado ficava Jaime, e as chicotadas não o faziam gemer, mais excitado João ficava. E o sangue nas costas de Jaime. As costas brancas e tornadas de Jaime. Uma obra de arte. Os olhos de João não piscava. ...

Senadores em foco, mas não só eles

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As salas empilhadas como caixotes num depósito. Miríades de caixotes em corredores tortuosos e estreitos. Um andar acima do outro. Biblioteca empoeirada. Livros velhos, de bibliografia básica jamais retirados, há mais de quinze ano nas prateleiras. Pó. Burocracia. Caras e boca em discursos ensaboados e desgastados, sem sentido, vazios. as salas empilhadas. Muitos maçons e militares misturados. Interesses diversos e costurados por uma única linha: lucro. Uma empresa. Em dia de vestibular, o risco era passar na porta no último dia e ser aprovado. Uma empresa. O interesse encher as salas como caixotes empilhados em corredores sinuosos. Biblioteca inútil. E o boteco do lado sempre cheio, de segunda a sexta. Os andares se sobrepunham numa luxúria de lucrar, lucrar, lucrar. O convite. Inesperado e insistente. Consuelo   ela tinha cara de cavalo. Magra, alta. Muito feia. Sempre com um lápis apontado na mão. O convite. “Venha”. A proposta para renovação do projeto. Mudanças radicais. Uma...

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Lisboa. O céu azul de Lisboa. Chegar a Lisboa é como entrar em casa, depois de uma viagem muito bem sucedida. O estar em casa que nunca se esgota, Sob um azul lilás, quase roxo, circundando o céu da cidade. Lisboa e o Tejo. O rio mar. Lugar comum que não tira o prazer de repetir o nome da cidade. Lisboa. O convite que chegou em hora inesperada. A alegria inesperada do retorno. A possibilidade de rever os amigos. Seria uma oportunidade para conhecer Samuel. cara a cara. O convite não possibilitava. Bem... Três dias para a conferências e o protocolo de praxe. Depois nada. Nenhum impedimento. Mas Samuel não sabia. Escondido em sua vida celebridade em Londres. Filmagens, entrevistas, gravações, papelada. Atender fãs e patrocinadores. A troca de mensagens truncada. Sempre a mesma. Sempre os mesmos erros de Inglês. De um e de outro lado. Na tradução do google apareciam alguns. A consulta à colega tradutora desvelava outros. Samuel não sabia disso. Estava lá em seu mundo de celebridade a s...

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Sábado. Noite de sábado. Sábado à noite, era mais explícito. Título de música, até. Dia de dormir à tarde. Ficar de bobeira em casa. Tomar um bom banho. fazer a barba. Sair de casa. O trabalho só volta na segunda. A faculdade ficou pra trás, na manhã do mesmo sábado. À noite, a fantasia. Os sonhos. A aventura. Sábado à noite. Como todos os outros sábado. A mesma cantilena. O mesmo itinerário. O carro estacionado do mesmo lugar, da mesma esquina. No mesmo bairro, a mesma casa. Sábado à noite. D. Hélia recolhia-se cedo. Domingo era dia de almoço em família. Quando a família aparecia. Sábado à noite. De repente, do nada, a prima chega e se refestela no cantinho preferido do ateliê. “Quero saber como vai sua sexualidade”. Assim na lata, sem mais. Da convivência mais chegada, apenas um carnaval com alguns familiares e amigos na capital federal. Nada mais. Os drinks , as fantasias. O rebolado na hora do samba. O marido machão e machista a criticar. A prima a incentivar. A tia mais jovem e ...

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A bandeja sobre a mesa cinza. Uma peça de prata antiga em forma de coroa. A cerâmica pintura em fundo branco a realçar a mesa. Sem saber o que estava por vir. A mesa, na sala azul, os convidados chegando. Eram quatro. Duas a duas. Com um irmão entre os dois grupos. Vivaz e falastrão. Bigodes enormes a emoldurar sorriso fraco, largo, contagiante. Violeiro e cantador. A animação de todas as festas familiares. Não estava ali. Na sala azul, onde abandeja de cerâmica pintura verde repousava sobre a mesa. Sabiam tudo. Resolviam todos os problemas numa facilidade de ar inveja a mais rápido dos mais rápidos aparelhos de laser. Sempre da mesma forma. Entrando na sala azul como ratos a vasculhar os cantos. Procurando o que comer, os ratos farejam o chão. Fungando, arrastando seus rabinhos roliços pela cerâmica calara que sustinha a mesma onde estava a bandeja. Lembrança de antepassados. Da avó italiana, o presente. Peça artesanal, folclórica, da Tchecoslováquia. Não existe mais, o país que res...

Koolulam | One Love – Bob Marley | Torre de Davi | 14/06/2018

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Koolulam | ONe Day - Matisyahu | Haifa | Feb. 14th, 2018

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Os surfistas do pico imaginário

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Maria Bethânia lê sermão de Padre Antônio Vieira sobre Santo Antônio

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Difícil debatar contra Caio Coppolla hoje ele se superou

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Que semana foi essa?

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Fica em casa, antifa.

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Poema

Delírio Entre as rotundas colinas e seus picos túrgidos antever o vale hexamétrico amplo e ondulado a caminho do pecado, sem rima e a haste intumescida erguida, entre num vasto plano de veludo acastanhado sobre colunas de alabastro, torneadas e amplas e os pés. Ai, meu Deus, os pés! O quê? Não, não é o cântico dos cânticos, mas bem poderia ser ainda que mais próximo daqui desse tempo.
Segue o endereço eletrônico para a compra de meu livro de poesia. Espero que comprem leiam e comentem! Tomara que gostem. Não vai haver lançamento por motivos que não comvém listar aqui! https://www.editorapatua.com.br/produto/184527/casa-entre-cruzada-de-palavras-de-jose-luiz-for

Início

O texto que segue pretende ser o início de um ensaio que desejo escrever sobre os livros de Bernardo Carvalho. Ainda é viva a lembrança do momento exato em que víamos o mar, depois de quase dois dias inteiros de viagem. Deslumbramento. A estreada sabia levemente, serpenteando canaviais imensos e grandes plantações de abacaxi. Aqui e acolá, aglomerados de casas, algumas taperas, e crianças brincando à beira da estrada. Os verdes canaviais e o cheiro de abacaxi eram indescritíveis. Dois dias de viagem, às vezes, passando por Macaé, às vezes, por Itaperuna. Ambas no estado do Rio. Por um ou outro roteiro, o fusca azul de meu pai mais parecia a cápsula Apolo que foi à lua em 69. Lá, na praia, meus pais, tios e amigos reunidos depois do banho matinal de mar, olhavam, para o céu, a comemorar o primeiro passo do homem na lua. Entre copos de cerveja, batidas de limão, e peixe frito, falavam, riam, bebiam e comemoravam. Três dias antes de eu completar treze anos de idade, o homem pisou na...