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Mostrando postagens de agosto, 2023

Inspiração

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  Se eu conversasse com Deus Iria lhe perguntar: Por que é que sofremos tanto Quando viemos pra cá? Que dívida é essa Que a gente tem que morrer pra pagar? Perguntaria também Como é que ele é feito Que não dorme, que não come E assim vive satisfeito. Por que foi que ele não fez A gente do mesmo jeito? Por que existem uns felizes E outros que sofrem tanto? Nascemos do mesmo jeito, Moramos no mesmo canto. Quem foi temperar o choro E acabou salgando o pranto? Leandro Gomes de Barros

Instante

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Escrevi o texto abaixo ao som do primeiro movimento da Sonata ao luar, de Beethoven. Veio assim, de uma vez. Será ideia para um início de romance? Quem sabe, um esboço de peça teatral. Não sei. escrevi de uma vez, sem pensar. Quase fiz a mesma coisa de novo, ao ouvir um Noturno de Chopin, o mais popular, o número 2. Desisti. Fiquei com o impacto do primeiro gesto... A cena tem que ser totalmente coreografada. Não sei se é possível, mas tem de ser. O clima se divide entre tenso e melancólico. A luz não é muita, nem pouca. O cenário tem poucos elementos. Uma personagem está recostada numa poltrona e observa a outra que faz as malas. Tudo coreografado, cada movimento, cada inflexão de olhar. A câmera passeia entre as personagens e os elementos de cena, coreografado também o seu movimento. O clima muda para um tom acima. Desespero, quase. As duas personagens por uma vez, e apenas uma, se olham. Talvez no terceiro terço da sonata. Olhar também coreografado. A personagem continua arrumando...

Lógicas e ilógicas?

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Há perguntas que não devem ser feitas em determinadas circunstâncias, para determinadas pessoas. Ou, por outra, há que se ter cuidado com a formulação da dúvida ou questão para a qual se quer uma resposta. Dependendo de como o enunciado se explicita, a resposta pode assustar, ou fazer rir. Exemplo disso é a sequência abaixo que recebi pelo Whatsapp. Não faço a menor ideia de quem é a autoria (em que escola, qual o professor e o aluno). Só gostei, por isso mesmo, compartilho.   Em qual guerra Napoleão morreu? – Na última que ele lutou. Onde foi assinado o Tratado de Tordesilhas? – No final da folha. Em qual Estado corre o rio São Francisco? – Líquido. Qual a principal razão do divórcio? – O casamento. Qual o principal motivo dos erros? – As provas. O que nunca como no café da manhã? – Almoço e janta. O que parece a metade de uma maçã? – Com a outra metade. Se você jogar uma pedra vermelha em um lago azul, como ela fica? – Molhada. Traduza as frases em Inglês para o Português: -...

Isto

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Isto Dizem que finjo ou minto Tudo que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto Com a imaginação. Não uso o coração.   Tudo o que sonho ou passo, O que me falha ou finda, É como que um terraço Sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda. Por isso escrevo em meio Do que não está ao pé, Livre do meu enleio, Sério do que não é. Sentir? Sinta quem lê! s. d. Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995). 1ª publicação in  Presença , nº 38, Coimbra: Abr. 1933.

Dúvida

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Alguém poderia me dizer, procurando ser o mais equilibrado possível, a que data se refere este trecho de chamada de artigos? Estou na dúvida. Com o axioma da relatividade da História, não sei dizer se se trata do passado ou do presente. Tirei o nome da revista para não incorrer em crime de questão. andam inventando tantos crimes que daqui a pouco serei condenado por estar respirando fora do rimo “adequado”. Segue o trecho da chamada: “a publicação de um dossiê temático dedicado aos debates sobre a produção poética brasileira, com ênfase nos vínculos que ela estabeleceu e estabelece com os chamados anos de chumbo. Nesse sentido, convidamos a comunidade acadêmica para a submissão de trabalhos que realizem uma (re)leitura de crítica de poetas, poéticas, poemas e movimentos (...), nos quais se observam, em diferentes níveis e de inúmeras formas, o impacto da vida no país sob um regime autoritário que censurou, perseguiu, torturou e assassinou vozes dissidentes. Estes olhares podem volt...

Comunicação

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No dia 7 de julho passado, por volta das 16 horas, fiz minha comunicação, encerrando a etapa acadêmica do XIV Encontro Nacional de Ex Libristas, promovido pela Academia Portuguesa de Ex Libris. Tentei fazer uma blague envolvendo a sardinha – um dos ícones culturais de Portugal – associando-a ao bispo devorado pelos caetés, presumivelmente, no século dezesseis aqui no Brasil. Como consequência, faço uma ilação entre o evento de canibalismo e a antropofagia de Oswald de Andrade. Tudo num clima de blague, como é de meu feitio. Devo confessar que fui ludibriado pelo google que me apresentou como de Garcia de Resende uma foto que, de fato, era de Shakespeare.  No entanto, nada disso atrapalhou o clima da comunicação que, ainda uma vez, me deu muito prazer. Segue o texto dela; Boa tarde.   Quem me conhece sabe de minha tendência a fazer blague de coisa séria. Aqui não vai ser diferente. Começo saudando a cidade que nos recebe e que tive o prazer de conhecer em 2015, quando de m...

Manipulação

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A postagem de hoje é mero resultado do famigerado seleciona-copia-cola. Tão prático, tão falacioso. Tão útil para a minha preguiça. Tirei de uma postagem do Twitter, da página de um médico cujas publicações sempre me interessam por inteligentes, sagazes, sarcásticas (às vezes), sempre acertadas. Fica, portanto, assentado que é apenas isso. Não custa insistir no fato de que o simples compartilhamento não significa a absoluta e irrecorrível concordância com o conteúdo do que é partilhado. Claro está que entre o branco e o preto há muitos tons de cinza – para além das outras cores.  Punto i basta ! “Manipulam a narrativa de  privilégios  e chamam de  direitos . Manipulam a narrativa de  trabalhos forçados  e chamam de  contribuições & impostos . Manipulam a narrativa de  propriedade privada  e chamam de  função social . Manipulam a narrativa de  pensamento independente  e chamam de  subversão . Manipulam a narrativa de...

Vírgula

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Tenho a impressão de que já publiquei este texto aqui no blogue. Gosto tanto dele que resolvi publicar de qualquer jeito, sendo uma segunda (ou terceira?) vez ou não. É importante, interessante, divertido. Num tempo em que o analfabetismo funcional grassa, sempre é bom relembrar do básico, do fundamental. Desconheço a autoria (recebi, no Whatsapp, de um amigo querido, o Gerson Luiz Roani). “100 anos da vírgula Muito legal a campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa)!  A vírgula pode ser uma pausa... ou não: Não, espere. Não espere. Ela pode sumir com seu dinheiro: R$ 23,4. R$ 2,34. Pode criar heróis: Isso só, ele resolve!  Isso, só ele resolve!  Ela pode ser a solução: Vamos perder, nada foi resolvido!  Vamos perder nada, foi resolvido!  A vírgula muda uma opinião: Não queremos saber!  Não, queremos saber!  A vírgula pode condenar ou salvar: Não tenha clemência! Não, tenha clemência! Uma vírgula muda tudo! ABI: 100 anos lutando pa...