Postagens

Mostrando postagens de 2022

Antepenúltimo

Há um certo mistério quando alguém escreve um livro e dá a ele o nome de biografia. Parece que cada palavra sobre o biografado se recobre de certa magia, transforma a vida deste num emaranhado de rocambolescas aventuras, todas ela inalcançáveis para o sujeito comum. Isto é apenas aparente. No causo de alguém escrever a própria biografia, esta “magia” se faz sentir com mais impacto. Felizmente, para a salvação de leitores contumazes, isto só acontece quando o autor da referida obra já é, digamos, consagrado. Isto é um alívio, pois entre a fantasia e a mentira, a fronteira é muito tênue, quase esgarçada. Confesso que não sei por que escrevi isto. No entanto, tenho a certeza de que a ideia me veio depois de terminar a leitura de dois livros de um mesmo autor português. Esta leitura segue a de outro escritor brasileiro, a mim muito caro que, de relance, parece-me aproximar-se ficcionalmente do lusitano. Explico-me. Os livros mais recentemente lidos são  Apoteose dos mártires  e...

Diário

Tenho tentado manter um diário. A duras penas, por conta de minha abissal personalidade macunaímica. Neste diário, hoje, registro um fato que me toca, ainda que pouco. A morte de uma escritora. Ficou uma saudade. Nélida Piñon faleceu agora à tarde, em Lisboa. Quisera eu estar vivendo lá, onde ela vivia, ultimamente. Conheci-a em Santa Maria, ainda nos anos 90, já não sei se 3 ou 4, mas 90... Chatices... Fui apanhá-la no aeroporto da cidade, ao lado da base aérea num final de tarde chato, entediante, em que eu estava pelas tampas num mal humor inexplicável. Hoje, eu penso que já era sintoma de uma crise depressiva que vim a viver por alguns meses depois. Pois. Fui designado para ir apanhá-la no aeroporto. Lá fui. Queria fazer qualquer coisa menos estar ali, esperando por uma senhora desconhecida – então presidente da Academia Brasileira de Letras – que chegava para uma conferência no dia seguinte. Teria que levá-la ao hotel e, quem sabe – como acabou por acontecer – ao restaurante. No d...

Bolsonaro sabotado dentro do governo, Peru reage e o poder supremo começ...

Imagem

Vergonha

  Reproduzo ipsis litteris ! Lea Beraldo 1   h    ·  Este artigo do Mestre Guzzo tem de ser lido pelos milhões de brasileiros que ainda conseguem ver, neste país de elites completamente cegas de tanto olharem apenas para o próprio umbigo. “Ministros do STF passam vexame em Nova York – e não podiam calar ninguém” Por J.R. Guzzo - Gazeta do Povo - 14/11/2022 “Seis ministros do STF, nada menos que seis, e tudo de uma vez só, estão presentes num dos mais constrangedores momentos jamais vividos pela suprema corte do Brasil – uma boca livre explícita, na base do “tudo pago”, em Nova York. A coisa se chama “O Brasil e o Respeito à Democracia e a Liberdade”; são umas palestras dos ministros para elogiar a si próprios e cantar os seus atos de heroísmo na guerra que movem há quatro anos contra o governo de Jair Bolsonaro e a favor da volta de Lula à presidência da República. É coisa de dar vergonha – se ainda houvesse alguém capaz de sentir vergonha nessa história toda. O...

Seminário

Imagem
II SEMINÁRIO IBÉRICO DE EX-LÍBRIS   da Academia Portuguesa de Ex-Líbris  70 anos ao serviço da  arte, da ciência e do património  Lisboa, 11 e 12 de novembro de 2022  Sociedade de Geografia de Lisboa  Academia Portuguesa de Ex-Líbris  II SEMINÁRIO IBÉRICO DE EX-LÍBRIS  da Academia Portuguesa de Ex-Líbris  70 anos ao serviço da arte, da ciência e do património  Lisboa, 11 e 12 de novembro de 2022  Sociedade de Geografia de Lisboa | Academia Portuguesa de Ex-Líbris  ***  A 12 de novembro de 2022, a Academia Portuguesa de Ex-Líbris cumpre 70 anos de atividade contínua ao serviço da valorização da arte ex-librística.  Sete décadas de produção, arrolamento, estudo, colecionismo, divulgação e preservação de um património que cruza, em permanência, a história do livro, da ciência, da arte, do património, da cultura e das mentalidades, desvendando diferenciados contextos de produção e utilização, independentemen...

Dizem...

Dizem que o autor do texto que segue é do Nicolau Maquiavel. Segundo ouvi dizer por aí, ele mesmo não era maquiavélico (sic)! De uma forma ou de outra, devo dizer que não fui “às fontes”. Não gastei meu tempo procurando saber se é fato mesmo que a autoria é mesmo do Maquiavel. Não tenho o costume de fazer isso, sobretudo quando faço postagens em meu blogue – que é “meu”! Dizem que isso é errado. Não faço por pura preguiça. E não tenho vergonha disso. Como ele, o blogue, tem pouquíssimos leitores, o risco de receber a visita do “ federal black uber ” é mínimo! Vai ver é por isso mesmo que acabei taxado de fascista, intolerante, preconceituoso. Nada contra. cada um pensa o que quiser do outro. Não posso fazer nada. Chega de blá-blá-blá. Segue o texto. “Um povo que aceita passivamente a corrupção e os corruptos, não merece a liberdade. Merece a escravidão. Um país cujas leis são lenientes e beneficiam bandidos, não tem vocação para a liberdade. Seu povo é escravo por natureza. Um povo cuj...

Adaptação

Traduzi o poema abaixo de uma língua estrangeira. Adaptei seu conteúdo, com menos explicitude, para não correr riscos. É preciso enxergar, para além de ver...   “É proibido      mostrar imagens                     pendurar a bandeira do Brasil em qualquer fachada. utilizar fatos históricos em documentários. falar que ele defende a legalização do aborto. afirmar que ele é a favor da liberação das drogas. asseverar que ele pactua coma validade das invasões de terras. confirmar que ele quer a volta de censura. divulgar a sua amizade com ditadores latino- americanos. dizer que há ligação sua com as farc’s. propalar que ele foi condenado. insinuar que ele é ladrão. deduzir que ele se favoreceu de manobras ‘superiores’. rir do fato de que ele tem amigos ‘superiores’ que o  protegem. relacioná-lo à morte daquele outro. ligá-lo àquele ‘cabo eleitoral’ detido. associar sua pessoa ao pê com dois cês. comentar sob...
  Então... Meu novo livro de poesia continua em pré-venda! https://www.lojapedregulho.com.br/andando-descalco-em-asfalto-quente Vamos lá, adquira o seu. Quando do lançamento, você o leva e eu aponho o autógrafo! Vamos lá! ânimo! Colaborem! Abraço

Luiz, Daniel e a bondade

Imagem

Sobre Rodolfo

Outra personagem inventada. Antes da fraude eletrônica de que fui vítima, pensei nela. O nome tem seus motivos que vão ficar ocultos por questão de discrição. Como de outras vezes, não sei o que vai ser disso. Enquanto não decido, sigo inventando... É assim uma espécie de torpor que toma a alma. Olhar para o horizonte é quase um sofrimento. Cada respiração parece dilacerar a pouca esperança que resta de se ter confiança na humanidade. Um roubo. Uma coisa a que qualquer um está sujeito e que pode acontecer a qualquer momento. Inusitado. A experiências não é boa. A sofisticação dos meliantes anda tão aprimorada que o contato com o banco passa a fazer parte da paranoia: quem garante que os próprios meliantes não conseguiram simular todos os ademanes discursivos de um funcionário do setor de fraudes de um banco grande para ludibriar, em segundo grau, com mais profundidade, e com maldade cirúrgica, o desavisado correntista. Desânimo. Desconfiança. Paranoia. Mistura de sentimentos que faz fa...

O jabuti do Butão

Imagem

Uma carta

Uma carta. Ainda não sei o que vou fazer com ela. Quem escreve é Otacílio Piffio, o escritor identificado por esse pseudônimo. Não sei se darei a ele um nome. Por enquanto mantenho o nome da personagem do romance que ele escreve igual ao pseudônimo que usou para escrevê-lo. Acredito que pode dar um certo ar de suspense. Não pretendo que o romance seja policial. Não quero mistério pelo mistério. Isso, a garotada das oficinas de escrita criativa é capaz de fazer. O “mercado” gosta e consome. Isso é vulgar. Está se tornando cada vez mais vulgar. Gosto de ler, mas não gosto de cultivar o gênero. Sou chato, sim e daí? Por isso não sei o que fazer com essa carta. Não sei se revelarei o nome verdadeiro do autor do romance. E tenho que pensar no que já escrevei, no corpo encontrado no quarto de hotel, na relação entre a camareira e o rapaz da limpeza. Tem o detetive. A Zuleica e agora esse destinatário da carta de Otacílio Piffio. Tanta coisa! A preguiça só faz aumentar. Por enquanto, fico com...

Livro novo

Imagem
Boa noite! Meu novo livro de poesia já se encontra em pré-venda na ligação a seguir: https://www.lojapedregulho.com.br/andando-descalco-em-asfalto-quente . Colabore e adquira já seu exemplar! Quando do lançamento, leve-o para receber seu autógrafo. Colabora aí, vai... Obrigado!

Poesia

Vi ontem, por acaso, um vídeo com uma senhora declamando um poema. Era a própria poeta, Ana Luísa Amaral, portuguesa. Encantou-me a maneira como disse o próprio poema. Encantou-me o poema. A Literatura, uma vez mais, atenuando, em minh’alma as agruras do tédio, esse que não me abandona, jamais. Tomara que gostem! SONETO CIENTÍFICO A FINGIR   Dar o mote ao amor. Glosar o tema tantas vezes que assuste o pensamento. Se for antigo, seja. Mas é belo e como a arte: nem útil nem moral.   Que me interessa que seja por soneto em vez de verso ou linha devastada? O soneto é antigo? Pois que seja: também o mundo é e ainda existe.   Só não vejo vantagens pela rima. Dir-me-ão que é limite: deixa ser. Se me dobro demais por ser mulher (esta rimou, mas foi só por acaso)   Se me dobro demais, dizia eu, não consigo falar-me como devo, ou seja, na mentira que é o verso, ou seja, na mentira do que mostro.   E se é soneto coxo, não faz m...

Rascunho

Assim, simples. Não seria uma história. Não de fato. Poderia ser, mas não sei. Não estou seguro se faria sentido se fosse mesmo uma história. O homem andaria muito, observando o sol, o vento, o céu. Sentiria o vento e a textura da terra em que pisa. Tudo com muita calma e prazer. Sim, prazer. Não seria possível imaginar esse homem sem prazer. Em todos os sentidos. Espero que isso venha a ficar claro. Pois então. O homem anda, por dias a fio, encontra lugares de que gosta. O ângulo da luminosidade. Os acidentes geográficos que pode identificar dali. Se for do alto de uma falésia, o mar seria outro ponto de interesse. Não importa. O que vale mesmo é saber que antes de mais nada ele anda, muto. E para sem cálculo, sem previsão. Para quando sente que deve parar e quando sente que o lugar em que está é suficiente para fazer o que ele tem que fazer. Sim. Ele faz porque tem que fazer. Claro que ele gosta, mas tem que fazer. O senso de obrigação é atávico e ele não sabe explicar por quê. As pe...