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Mais um desabafo

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A ironia amarga que ressuma do relato do que um vereador nessa terra de meu Deus fez causaria engulhos em qualquer um, faria Machado de Assis e Rui Barbosa cortarem os pulsos por se sentirem incapazes de escrever o que quer que seja sobre a tal ironia. O infeliz (porque, sim, ele é um infeliz!) rouba dinheiro de uma facção criminosa, causa a morte de um “laranja” e devolve o dinheiro roubado. Por isso tem sua condenação revogada pelo “tribunal do crime”. Pode uma coisa dessa? A democratização do roubo acaba de registrar seu caso fundador. A jurisprudência da contravenção é institucionalizada. E os impostos que todos nós pagamos serve para isso. Paralelamente, fica-se sabendo que um bebê de mais ou menos quarenta dias de vida é assassinado pela própria mãe. Ela tem 17 anos, portanto, legalmente, como “menor de idade” é inimputável. Não vai acontecer NADA com ela. E ela vota. Não duvido que, mais um tempo, e ela engravida de novo. Vai saber que é o “pai”... E o que acontece? Nada. Ofic...

Afinidade(s) eletiva(s)

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Um dos meus poemas “de eleição”. Minha afinidade com este heterônimo de Fernando Pessoa é, em certa medida, indescritível. Ele se dá com Álvaro de Campos e, na prosa, com Bernardo Soares. Creio que o fio que nos une é o do ceticismo e da melancolia. Ainda assim, é indescritível. Há outros da mesma “eleição”, é claro. Por hoje, fico com esse, dado o “estado de ânimo” a que sou levado a experimentar dadas as circunstâncias da realidade em que vivo, infelizmente... “Quando vier a Primavera, Se eu já estiver morto, As flores florirão da mesma maneira E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada. A realidade não precisa de mim. Sinto uma alegria enorme Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma. Se soubesse que amanhã morria E a Primavera era depois de amanhã, Morreria contente, porque ela era depois de amanhã. Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo? Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo; E gosto porque assim ...

Agora...

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VERGONHA Esta é a palavra de ordem... ou deveria ser... Que triste... Que preguiça... Que raiva...

(Im)paciência...

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A menina, vestindo roupinha “descolada”, usando franjinha curva (ridícula), coberta com um lenço do hamas, portando o iphone 17 de praxe, apresenta-se como radicalmente anticapitalista. Faz uma pergunta a seu debatedor. Quando ele começa a responder, ela corta e faz observações descabidas. Ele tenta de novo e ela corta outra vez, usando argumentos falaciosos. Por uma terceira vez, ele tenta retomar a resposta e ela, claro, corta, ainda uma vez tentando estabelecer sofismas insustentáveis. Por dois ou três minutos esta balbúrdia continua. Eu desligo o vídeo e sigo em frente. Não tenho paciências para babaquices hipócritas dessa “juventude” burra, chata, desinformada, tendenciosa, preconceituosas, arrogante, etc., etc., etc.

Indignação, vergonha, medo

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Ainda no mesmo capítulo de ontem, vai a postagem de hoje. Sem mais palavras. Recebi do dileto amigo Paulo Meyer que me atura há anos com minhas chatices viageiras... “Uma sociedade que obriga uma pessoa de noventa anos a usar um smartphone para acessar seus próprios direitos não é moderna: é uma sociedade que decidiu se livrar de seus idosos. Em 2026 tudo virou um aplicativo, um código, um portal. Mas quem construiu este país com as próprias mãos hoje se encontra analfabeto dentro da própria casa. Para marcar uma consulta ou pagar uma conta, é preciso um filho ou um neto quando existe um. O sistema falhou. Isto não é inovação. É EXCLUSÃO a tecnologia deve ajudar, não selecionar quem tem direito à dignidade. Quando deixamos para trás aqueles que vieram antes de nós, não estamos evoluindo: estamos apenas nos tornando mais cômodos e mais egoístas. Simples assim...” PS: desconheço a autoria...

Momentos que vêm e vão...

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Num momento como o que relata o “perdão judicial” a uma mãe que é cúmplice – declarada, documentada e provada – do assassinato de seu próprio filho; como o que coloca um homem vestido de mulher na presidência de uma comissão que existe para defender... as mulheres; como o que um padre fica sentado, com as pernas cruzadas a olhar para o alto, enquanto os ministros da Eucaristia fazem o seu trabalho que deveria ser “colaborativo” – é bom prestar atenção ao prefixo... Nesse momento eu sinto uma preguiça enorme, uma vergonha imensurável e uma tristeza abissal... A conclusão é a de sempre: estou ficando velho... e mais chato do que sempre fui. É com este espírito que partilho o texto que segue, recebido de outra velhota amiga, já da terrinha. Se gostarem, bem... se não gostarem... amém! “A idade em que o tempo se senta à mesa   Existe uma fase em que o espelho abandona a diplomacia.   O cabelo sai de fininho, o joelho vira locutor, a memória se esconde justo quando o rosto ...

Poesia

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Garcia Lorca. Diz-se “Lôrca” ou “Lórca”? Já ouvi as duas formas. Sempre utilizei a primeira. Fica a dúvida. Um poeta – na acepção mais ampla e plena do termo – de Língua Espanhola. Vítima do Franquismo. Andaluz de alma e letra. Algo parecido com o calundu tupiniquim? Ou, mesmo, com a “naturalidade” de Alberto Caeiro? Vai saber... Os olhos de quem lê ditam regras que a mais profunda teoria não consegue explicitar. Ainda assim, há quem, se arvore na ingenuidade de firmar que sabe o que o poeta dia. Sabe mesmo? Sempre tive dificuldades em dar aulas sobre poesia. Não por incapacidade. Minha falsa modéstia não me deixa aceitar o fato de que tinha “a manha”. Como já disse uma amiga: sou um excelente mastigador de palavras. Então... Mas a dificuldade permanece, na memória. Quando falava sobre poesia, na sala de aula, sempre tinha em mente a impressão de que meus alunos achavam que eu era doido e que eu estava inventando coisas. Sempre ficava pensando que eles se perguntavam, de onde é que eu ...