Postagens

Mostrando postagens de agosto, 2022

Óbvio

  Lá do outro lado, um oceano e um mar depois, vive-se num país interessante. Por volta das dez e meia da noite, todos os dias, menos aos domingos ouve-se na rua a chegada de um caminhão. Em seguida, um barulho rouco, fundo, seguido de um guinchado e depois, de novo, o mesmo barulho rouco, fundo. Todos os dias, mais ou menos à mesma hora, com exceção dos domingos. É a colheita do lixo, orgânico em sua maioria. Isso porque papel plástico e vidro têm recipientes em quase todas as esquinas dos bairros, próprios e específicos para recolher estes materiais. Também do ouro lado, menos um mar, vive-se em outo país também interessante. Ao perceber a necessidade de recapeamento das pistas de uma avenida movimentada em um bairro eminentemente residencial, afastado do centro da cidade, o administrador público precede à obra. Primeiro uma das duas pistas de um lado, em toda a sua extensão. Quando as máquinas começam a se aproximar do fim deste trecho, atrás delas vêm outras máquinas a fazer o ...

Tédio

Já faz tempo, eu sabia que o tédio habita aqui ao lado,  duas casas depois da minha, descendo a rua. Não é muito longe, seu cheiro enche quartos e sala  e banheiro e cozinha amainando o espírito de quem chega, nublando sonhos que se perdem no tempo. Deixando cada coisa em seu lugar devidamente envolta na pátina da mesmice. O tédio é amistoso, não interfere nem cobra nada. Pasmado consigo mesmo, observa e, às vezes, sorri, meio de lado como a conjecturar as asneiras que vê acontecer aqui e na vizinhança que nem sonha ser observada com acuidade como o lince. Olhar a beirada puída da toalha de mesa ou a ranhura no pé do sofá, a sustentar o peso da banalidade que se assenta e não se movo, nem com a brisa da tarde outonal que escurece o espírito. Nada disso interessa ao tédio. Companheiro mudo e solidário, ele passa despercebido de quem apenas visita, de passagem, como a procurar a novidade impossível. O tédio não é mau, não fere, nem insiste, persiste em seu canto quedo e lasso, a...

Jantou! Os melhores momentos das tretas e da choradeira

Imagem

O imperador e o ladrão

Imagem

Bolsonaro no JN - Foi bem melhor do que você pensa

Imagem

Livros

Que livro duro. Que livro triste. Que livro soberbo! Faz mais ou menos 45 anos, na Rua Ricardo Tim, em Campinas, conversava com o Rogério, cearense do Crato, noviço do segundo ano. Depois do almoço, era praxe um papinho na “sala de jogos”, ouvindo música – com ele, apenas a erudita. No dia desta conversa, o concerto número 4 para piano e orquestra de Beethoven.  Foi a primeira vez. Deslumbramento. Foi o primeiro ame falar de Literatura, de um modo que me fascinou. Perguntou o que eu achava de Graciliano Ramos. EU disse que era um escritor seco, chato e sem graça. Tinha lido dele apenas Vidas secas, no ginásio, por obrigação, para fazer as famigeradas – hoje extintas – provas de leitura. Não gostei. Ele riu muito. Disse que com três palavras destruí décadas de literatura. Continuamos a conversa e no final ele aconselhou-me a ler  Caetés ,  Memórias do Cárcere  e  Angústia . Não me lembro se, necessariamente, nessa ordem. Depois de ler os romances indicados –...

Personagem nova

Pensei num nome exótico. Escrevi as linhas que seguem. Ainda não sei o que vou fazer com esta personagem. Não tenho certeza se ela vai fazer parte da trama, se vai ter continuidade, se, de alguma forma, vai ter alguma relevância. Só gostei do nome que inventei. Bem esquisito e sonoro. Era exatamente o que eu queria. Mas o que será que vai se passar começa? Que papel vai desempenhar? Aceito sugestões... ******************************************************* Zuleica Sueli chegou logo à delegacia. Trazia uma caixa colorida com as iniciais OP. Dentro da caixa havia 36 cartões postais. Dois cachos de cabelo, umas flores secas. Fitas desbotadas e uma caneca antiga, daquelas que precisavam de tinteiro. Sua irmã, a camareira do hotel, não sabia daquela caixa. Ficou intrigada quando Zuleica comentou sobre ela. O delegado fez algumas perguntas. Estava calmo e atento às respostas. Zuleica Sueli parecia um pouco incomodada. Não estava à vontade no meio de três homens. A irmão advertira. Cada um d...

A propósito de cartas...

Recebi de uma amiga que não indicou a autoria. Tomei a liberdade de fazer algumas correções e modificações, em prol da clareza. Claro está que nem tudo mundo vai gostar... Não posso fazer nada! Há 52 anos, Dilma Rousseff, em 1968, com Pimentel (ex governador de Minas Gerais), e outro terrorista, invadiram a invernada do Barro Branco, chegando ao posto avançado da Escola de Bombeiros, atacando o sentinela soldado da Polícia Militar de São Paulo, Antônio Carlos Jefery, matando-o, sem chance de defesa e roubando sua arma. Impunes, lograram uma vida política. Ela chegando à Presidência da República, ele governador de Minas Gerais e o outro Ministro ... Jefery, aos vinte e três anos, morreu. Os assassinos recebem pensão milionária do Estado. Alguém da família do soldado recebe pensão de praça da PMSP. Início da madrugada de 20 de setembro, uma da manhã, sexta-feira, o “Soldado Aluno” Antônio Carlos desloca-se para a guarita, em substituição de outro colega, que estava de serviço, o tamb...