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Mostrando postagens de 2019

A Primeira Tentação De Cristo - Porta dos Fundos ● Luiz Felipe Pondé

Nada como a inteligência... https://youtu.be/6Zeab_YOHDE

Cacos de memória

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O drops Dulcora que a tia dava na porta do Delfim Moreira. O bombom dado pela professora no Monte Calvário. Dona Mauricéia e a festa de despedida. Dona Lourdes e Dona Carmélia, irmãs da Síria, diretoras sorridentes. A brava Dona Maria José Dutra. Dona Odila, o livrinho e a vela na Primeira comunhão; Irmã Laura. Vovô Pedro, Lorde, o vira lata, e a grama na varanda da casa da vila. O pé de jambo. Dona Frida. Jaguara. O América e sua piscina funda. Marli, Gláucia e Jair: a disputa. JEB’s, Maceió, 1972. Passagem aérea para todos os atletas pagas pelo governo do Garrastazu Médici! O primeiro disco da Elis. A primeira (e única!) puta! Depois, o noviciado. Os papos na sala de jogos da Ponte Preta, depois do almoço e do jantar, ouvindo Beethoven. A morte de Clarice Lispector. As aulas de Teoria da Literatura com a Vera Felício e o Audemaro; de Análise sintática, com Jaime França; de História externa da Língua Portuguesa, com a Virgínia; de Morfologia, c...

Tres fronteiras

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Então, de repente, do nada, o professor, ou a professora – ai essa chatice de ter que esquecer que a riqueza da Língua Portuguesa permite o uso de uma única forma para os dois gêneros vocabulares... chatice! Não vou dar asas à cobra aqui!– vira-se para os alunos e pergunta na lata, apontando para a mesa onde está um livro: o que está sobre a mesa? E todos respondem: um livro. Ele pergunta de novo: de quem é o livro? E a resposta: da professora. Então, ele muda o livro de lugar e continua com uma série de perguntas sobre o livro e sua posição. Um dos alunos pergunta para que aquilo tudo. E o professor, pachorrentamente, responde que aquilo tem a ver com a ideia de posição. Ou seja, não importa onde o livro esteja, como ele esteja sobre a mesa. O fato de ele estar sobre a mesa continua o mesmo. Em outras palavras a sua posição não interfere no fato de estar sobre a mesa. Então outro aluno pergunta, mas o que isso tem a ver com a “matéria”? O professor, mais pachorrentamente, responde...

Ressaca antes da festa

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Muito tempo sem escrever. Pois é. E daí? Alguém está mesmo se importando com isso? Vai ver há alguém que se importa e eu não sei. Mas a preguiça, essa velha conhecida, e talvez má conselheira, diz sempre ao pé do meu ouvido que não. Não pode haver. Num lugar em que habitam 15.000 milionários que atravessaram meio planeta para ficar em Doha, no Qatar, para torrar os caraminguás acompanhando a corrida de 22 descerebrados atrás de uma bola... E querem que eu me preocupe se alguém lê o que eu escrevo? Não há crise em pindorama. Não há. Definitivamente não. Não há. Esses 15.000 milionários são a prova inconteste desta afirmação. Irrecorrível e insofismável verdade. Na mesma “ vibe ” há professor brasileiro viajando para Portugal como que, atravessa uma poça d’água em dia de chuva. E nos dias de sol, vai para a rua vociferar contra o corte de verbas da educação e achincalhar tudo e todos, indiscriminadamente, apenas porque fazem parte de um governo que não pauta pela ideologia do verme...

Parábola

Como “se dar bem” com uma tese de doutoramento.

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Leia toda a obra de Walter Scott e tudo o que encontrar sobre ela. Leia os três romances indianistas – O guarani , Ubirajara e Iracema – do José de Alencar, e um que outro comentário, resenha ou artigo sobre eles. Afinal você vai escrever uma tese de Literatura Comparada. A sua proposta – você vai dizer isso na “Introdução” da tese e, depois, na hora de fazer a sua defesa – é comparar o trabalho ficcional dos dois, cada um utilizando sua língua, como instrumento de consolidação da identidade cultural à qual pertencem, utilizando, para tanto, o desenvolvimento de um uso nacionalizado” da própria língua: o scottish , no caso do Scott e o “brasileiro”, no caso de Alencar. Só esta proposta já vai angariar muitos “ah” e “oh”, tanto da banca de qualificação, quanto de alguns colegas – não todos porque, afinal, todo mundo é humano e “a inveja mata”. Escreva umas 450 páginas, espaço 1,5, margens de dois centímetros em papel A4; pode usar Times New Roman ou Arial. Tudo isso vai depender...

Fotos Antigas de Belo Horizonte

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Conselhos para uma boa convivência em sociedade

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Se for funcionário da secretaria de obras do governo – federal, estadual ou municipal, não interessa – combine com seus colegas um rodízio. Conforme o número de elementos na turma, dois ficam trabalhando, os demais discutem, cospem no chão, mexem com as mulheres que passam, falam de futebol, recamam do governo e bebem água. Quando for viajar de avião, não se esqueça de levar o cabo de força do celular para ligar numa das tomadas disponíveis no aeroporto. Quando enxergar uma, corra e faça bastante alarido, para mostrar que o espaço é seu. Sente-se numa cadeira e espalhe as bagagens pelas demais, fazendo cara feia para quem perguntar se o assento está ocupado. Para finalizar com chave de ouro, corra para a fila do embarque, prestando atenção para esta não ser a do grupo marcado em seu bilhete, assim que o funcionário da companhia pegar no microfone para iniciar o embarque. Ao almoçar num restauram à la carte , lembre-se de chamar o garçom fazendo bastante alarde, para mostr...

Impacto

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O que dizer de Joker ? A atuação de Joaquin Phoenix é inquestionavelmente impecável. Tenho de reconhecê-lo, apesar de dele não gostar. Impecável. O phisique du role é impressionante. Seus movimentos corporais, numa verossimilhança incontestável – no que diz respeito à personagem, seu modus operandi , a trilha sonora e ao roteiro da história – tudo faz jus ao elogio deste, aqui, pobre ignorante em cinefilia... Gostei do filme. Só não vejo muito sentido no alarido que se formou aqui e ali depois de seu lançamento. Dizem que comparações são inevitáveis. Porém, tudo o que li sobre este tópico não me agradou. Isso porque penso que Joker , por si mesmo, é incomparável com outras versões da mesma história. In-com-pa-rá-vel. Vejamos se sou capaz de explicar isso, ainda que indiretamente. Repito gostei do filme, mas não me agradei do que li sobre ele. Isso porque não vejo pontos em comum com as demais apropriações desse arcano cultural do ocidente capitalista envolvendo uma sociedade “líqu...

De viagens

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As mangueiras, frondosas, ladeiam o passeio, dos dois lados, da avenida Presidente Vargas. O risco de queda de mangas, é claro, existe. Mas a beleza do quadro, em seu conjunto urbano, não admite certos retoques que lhe tirem as cores. Exuberante é a palavra, penso, correta, para descrever não apenas este túnel verde, mas todas as praças da capital do Pará. Que surpresa! A impressão que se tem, a princípio, não é lá muito alvissareira. Percebe-se, com engano, que a cidade se apresenta suja. Como disse, é engano. A falta de restauração dos muitos casarões que se espalham pela cidade, sobretudo no cetro, é que causa esta enganosa impressão. A cidade é limpa, cuidada, nos limites da higiene urbana e da decência. Mesmo na região em que se concentram muitos casarões. Muito diferente do Maranhão. Claro está que não visitei TODA a cidade, por impossível. No entanto, as cercanias pelas quais caminhei, empapado de suor, por conta do vento morno úmido que sopra durante todo o dia, mesmo antes e...

Ecos do passado - final

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Depois de um período extenso - ainda que nem tanto - de ausência, volto para concluir a série que reúne textos que escrevi e sobre os quais não tenho informações mais detalhadas como origem, objetivo e localização. É isso, então, acabou! De um como e um porque sem saber (ao certo onde) As coisas se tornam menos importantes do que as ideias das coisas: tudo o que for feito às ideias das coisas inevitavelmente acontecerá também com as coisas.                                        . (Fraser, citado por Freud em Totem e Tabu ) Toda dicotomia – e a que encadeia História e Literatura não escapa a esta regra – leva a pensar em dúvida, em questionamento. Os anos 60 e 70 estão embutidos neste quadro referencial. Eles foram um fervilhar, direto e constante, de ideias. Eles espalharam-nas como ...