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Mostrando postagens de junho, 2019

Da leitura - final

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“O método indutivo nem sequer detém a exclusividade como passo inicial, por razões a que nos dedicaremos agora. Em primeiro lugar a inferência, que se liga à indução, ela funciona realmente nos processos intuitivos, como estudou a Psicologia. É quando nos deparamos com um escasso número de dados que a inferência funciona melhor e nos tipos de personalidade mais intuitivos. Ou seja, quando ainda o conhecimento sobre um assunto não é grande é que se torna preciso construir hipóteses por inferência. A partir daí a inferência intuitiva deixa de ser pertinente, podendo mesmo ser rejeitada. Vejamos que argumentos há para rejeitá-la. Em primeiro lugar, a fraca ou vaga previsibilidade comummente apontada às ciências humanas não obriga ao uso do método indutivo, como defendem os historicistas; e também é característica das “antecipações de largo escopo” de que fala Popper, antecipações que se encontram por igual na astronomia. Em segundo lugar a previsibilidade existe nos estudos literár...

Sea Organ (Morske Orgulje) and the Adriatic Sea in Zadar, Croatia

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Da leitura III

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Dando continuidade, hoje, lembrei-me de colocar as aspas... “Leitura histórica e metodológica             Falta-nos referir ainda uma terceira disciplina, que não é a da leitura crítica nem a da leitura teórica, mas a da leitura histórica. A sua pertinência foi discutida e polemizada por muitos autores de referência, o que torna obrigatória uma reflexão sobre ela. De forma geral, a ideia dominante foi a de que os “métodos” das ciências “históricas”, “humanas” ou “sociais” são intrinsecamente diferentes dos métodos das “ciências naturais”. Karl Popper, em A miséria do historicismo , desmonta várias dessas posturas, ainda chamadas em seu socorro por René Wellek, que no entanto reagia a uma apropriação primária ou superficial do método científico, apropriação que estará na base do historicismo. Wellek perfilha uma ideia abrangente do que seja a teoria da literatura (um “ organon de métodos”), que não coincide com a que d...

Da leitura II

Continuando a postagem de ontem... Leitura crítica e teórica A leitura é desenvolvida em dois momentos: um (o dos apontamentos) analítico; outro explicativo. O desenvolvimento de cada um destes aspectos dá origem a um gênero próprio: o crítico e o teórico respectivamente. A crítica é, seguindo o mesmo método filológico, o estudo dos critérios. A crítica literária será, por isso e em princípio, o estudo dos critérios utilizados em literatura – mais precisamente, na composição de obras literárias ou poemas. Ficam assim diferenciados do significado comum de comentário retórico à literatura e próximos da expressão croceana “caracterização da poesia”, se ela for tomada no sentido de um estudo dos critérios e não propriamente do “conteúdo da poesia, (do) sentimento que a poesia exprimiu” ou representou, porque o julgamento crítico é o da eficácia estética e o da consecução poética, interessando-lhe por isso mais a relação entre “forma” e “conteúdo” que a discussão sobre a natureza dos ...

Da leitura...

Mexendo e remexendo em meus arquivos, do tempo em que ainda lecionava, encontrei um texto que fala sobre leitura. Não tenho, neste arquivo, sequer uma pista de quem seja o autor e de onde tirei o texto. Por isso, vai entre aspas. No entanto, as ideias nele contidas me parecem instigantes e quis partilhar. Se eu tiver paciência, continuarei em outra postagem. O texto tem vinte páginas... "A atividade incontornável dos críticos, dos teóricos, ou dos historiadores literários, é a da leitura. Não obrigatoriamente a primeira, mas incontornável: “não obrigatoriamente a primeira” porque nos parece possível formular hipóteses críticas, teóricas ou históricas, sem ser necessária uma leitura prévia do corpus a considerar, pois, de início, há que considerar a ideia de que o que fica de outras aquisições é a possibilidade de deduzir hipóteses a partir de postulados gerais. Geralmente, as questões surgem antes da colheita de dados. A palavra leitura não é inócua. A sua etimologia famil...

A prova da cobra

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Foi assim, da primeira vez. Era uma prova de concurso, 1991. Prova escrita. Cinco horas para fazer. Uma hora de consta e quatro horas para redação. Uma tortura. No fim, a mão e o braço já não respondem ao impulso do cérebro. A gente fica parecendo um robô com falha elétrica em seu sistema motor. Uma tortura. Mas estava lá eu. O ponto sorteado tinha por nome “A escola de Frankfurt”. E eu pensei comigo: que diabos é isso. Sinceramente, até aquele momento (e que momento!) eu jamais tinha ouvido ou lido tal expressão. Mas estava ali, na minha frente, escrito no quadro-negro (que jamais foi negro, sempre verde, a lousa, ou pedra, como já ouvi dizerem...!). Escola de Frankfurt. Fiquei sem saber por onde começar a pensar no que escrever e, pios, onde pesquisar, no meio dos tantos livros que carreguei para a hora de consulta que a prova nos dava. Nada. Eu tinha que escrever alguma coisa. Daí em me lembrei de Horkheimer, Benjamin e Adorno. Fui me lembrar de que eles, alemães, sempre se re...