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Mostrando postagens de dezembro, 2023

Advento(?)

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É Natal. Um tempo, querendo ou não, em que se sente algo diferente. Em outras quadras, neste tempo, na semana seguinte ao primeiro domingo do advento, era chagada a hora de reunir-se na casa das tias Julia e Lilia, irmãs do vovô Pedro. Recava-se o terço enquanto se ia montando o presépio. Ficava na sala, ao lado da porta, na minúscula casa em que as duas morava. Minúscula para quem lá voltou depois de adulto. Quando na infância, a casa era uma fantasia. Montava-se o presépio, depois a comida, a bebida, a cantoria, as brincadeiras de roda com tia Lilia no quinta. No dia de Reis, o processo era o contrário.  Rezava-se o teço enquanto se desmontava o presépio. E dá-lhe comer, beber, cantar. Uma festa. Foram anos assim, na repetição fervorosa, casta e simples, sincera, de uma família que celebrava o Natal,  comme il faut . Assim sendo, fico pensando como é que alguém pode pensar em “adequar” o Natal aos parâmetros de uma “ordem do dia” em tudo e por tudo, estapafúrdia, muitas...

Surpresa

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Conta a lenda que ao sair de seu retiro, feito depois do longo período de recuperação, fruto de suas leituras, Inácio de Loyola caminhou de volta a sua casa quando se deparou com um riacho. Nele, percebeu um brilho intenso. Meteu a mão na água, mas o brilho desapareceu. Tentava pegar a pedra que refletia o brilho. Debalde. Toda vez que tentava, o mesmo resultado: o lodo do riacho encobria o brilho. Tocado, então, pelo Espírito Santo, Inácio entendeu o que significava aquilo. O brilho era para ser contemplado, não, tocado. O nome do riacho é Cardoner. A passagem da biografia do Santo recebeu o nome de “Visão do Cardoner”. Salvo engano meu, é este o título que aparece na  Autobiografia  de Inácio. Esta é a minha visão – mantida pela memória de quase trinta anos desde a experiência jesuítica em Campinas. Claro está que ela responde ao ditado popular: quem conta um conto, aumenta um ponto. Trago esta passagem aqui para falar do carisma da Companhia de Jesus:  contemplatio age...

Memória...

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Aviso

Para quem me lê: comecei hoje uma série de publicações no Instagram ( @lectorjoseluizscriptor ) com textos de minha autoria. Em breve começarei a publicar podcasts num canal que estou criando no Youtube. Espero que gostem, comentem e compartilhem... Obrigado!

Exercício

A postagem de hoje é uma provocação, um exercício. As reticências ao final podem ser lidas como um convite para dar continuidade à história. Pensei em usar todas as expressões que andam sendo objeto da sanha obtusa e rasteira de gente ignorante e tendenciosa... Aceita quem quer. “Quando o telefone tocou no criado mudo, Mané se assustou. Atendeu logo. Era o Negão, do sítio em Conceição do Pará. Ligava pra dizer que Nonata tinha morrido. Nonata era uma preta velha que foi babá de Mané. Depois ficou trabalhando como cuidadora da mãe dele e de duas de suas tias, as solteiras. Mané tinha um afeto enorme por ela. Todo final de semana ia para o sítio e ficava com ela. Já estava doente. Negão era seu filho. Teve um problema sério na infância e não tinha nenhum dente. Jamais comeu carne. Morria de medo de dentista e jamais procurou um para sanar a falta de dentes. Tinha um sorriso cativante. Era um homem corpulento, forte, mas dócil e atencioso. Estava chorando muito ao telefone. Mané disse que...