Postagens

Mostrando postagens de 2023

Advento(?)

Imagem
É Natal. Um tempo, querendo ou não, em que se sente algo diferente. Em outras quadras, neste tempo, na semana seguinte ao primeiro domingo do advento, era chagada a hora de reunir-se na casa das tias Julia e Lilia, irmãs do vovô Pedro. Recava-se o terço enquanto se ia montando o presépio. Ficava na sala, ao lado da porta, na minúscula casa em que as duas morava. Minúscula para quem lá voltou depois de adulto. Quando na infância, a casa era uma fantasia. Montava-se o presépio, depois a comida, a bebida, a cantoria, as brincadeiras de roda com tia Lilia no quinta. No dia de Reis, o processo era o contrário.  Rezava-se o teço enquanto se desmontava o presépio. E dá-lhe comer, beber, cantar. Uma festa. Foram anos assim, na repetição fervorosa, casta e simples, sincera, de uma família que celebrava o Natal,  comme il faut . Assim sendo, fico pensando como é que alguém pode pensar em “adequar” o Natal aos parâmetros de uma “ordem do dia” em tudo e por tudo, estapafúrdia, muitas...

Surpresa

Imagem
Conta a lenda que ao sair de seu retiro, feito depois do longo período de recuperação, fruto de suas leituras, Inácio de Loyola caminhou de volta a sua casa quando se deparou com um riacho. Nele, percebeu um brilho intenso. Meteu a mão na água, mas o brilho desapareceu. Tentava pegar a pedra que refletia o brilho. Debalde. Toda vez que tentava, o mesmo resultado: o lodo do riacho encobria o brilho. Tocado, então, pelo Espírito Santo, Inácio entendeu o que significava aquilo. O brilho era para ser contemplado, não, tocado. O nome do riacho é Cardoner. A passagem da biografia do Santo recebeu o nome de “Visão do Cardoner”. Salvo engano meu, é este o título que aparece na  Autobiografia  de Inácio. Esta é a minha visão – mantida pela memória de quase trinta anos desde a experiência jesuítica em Campinas. Claro está que ela responde ao ditado popular: quem conta um conto, aumenta um ponto. Trago esta passagem aqui para falar do carisma da Companhia de Jesus:  contemplatio age...

Memória...

Imagem
 

Aviso

Para quem me lê: comecei hoje uma série de publicações no Instagram ( @lectorjoseluizscriptor ) com textos de minha autoria. Em breve começarei a publicar podcasts num canal que estou criando no Youtube. Espero que gostem, comentem e compartilhem... Obrigado!

Exercício

A postagem de hoje é uma provocação, um exercício. As reticências ao final podem ser lidas como um convite para dar continuidade à história. Pensei em usar todas as expressões que andam sendo objeto da sanha obtusa e rasteira de gente ignorante e tendenciosa... Aceita quem quer. “Quando o telefone tocou no criado mudo, Mané se assustou. Atendeu logo. Era o Negão, do sítio em Conceição do Pará. Ligava pra dizer que Nonata tinha morrido. Nonata era uma preta velha que foi babá de Mané. Depois ficou trabalhando como cuidadora da mãe dele e de duas de suas tias, as solteiras. Mané tinha um afeto enorme por ela. Todo final de semana ia para o sítio e ficava com ela. Já estava doente. Negão era seu filho. Teve um problema sério na infância e não tinha nenhum dente. Jamais comeu carne. Morria de medo de dentista e jamais procurou um para sanar a falta de dentes. Tinha um sorriso cativante. Era um homem corpulento, forte, mas dócil e atencioso. Estava chorando muito ao telefone. Mané disse que...

Momento

Imagem
Não se trata de uma expressão qualquer... “Notável saber jurídico e reputação ilibada”. Notável: adjetivo de dois gêneros, digno de nota, de atenção; que pode ser percebido; apreciável, sensível. Saber jurídico: de acordo com  Walber de Moura Agra: “notável saber jurídico   significa que o cidadão, obrigatoriamente, deve ser bacharel em direito, com robustos conhecimentos que se traduzam em sapiência nos julgamentos . Reputação:  substantivo feminino, conceito de que alguém ou algo goza num grupo humano; renome, estima, fama. Ilibada: adjetivo, não tocado; sem mancha; puro; que ficou livre de culpa ou de suspeita; reabilitado, justificado. Tirem suas próprias conclusões.

Leituras

Imagem
O texto que segue foi publicado hoje num grupo de que faço parte - Compartilhando leituras - no Facebook. Como não sei quem tem curiosidade procurar por esse tipo de grupo... resolvi partilhar aqui. Dessa maneira, mantenho o ritmo de postagens do blogue, vencendo a preguiça... Faz tempo que não partilho nada por aqui. O que não quer dizer que eu não esteja lendo. Pelo contrário. O prazer só aumenta com esta prática solitária e saudável, uma coisa insubstituível. Tenho o prazer de anunciar que, mais uma vez, decidi parar de ler um livro que estava me chateando muito Don Juan. Sim. Uma chatice. Parei no segundo canto. Não vejo sentido em me obrigar a ler o cartapácio enviado pelo Clube de Literatura Clássica do qual fui sócio. A edição é muito bem cuidada e bonita, como as demais do mesmo clube. No entanto, a leitura não rendia. Não vi graça nenhuma. Minha erudição não é para tanto, se é que tenho alguma. Entretanto, li três obras que me chamaram a atenção. Duas delas de um mesmo autor, ...

Um poema

Imagem
Poesia. Matéria complexa, apesar da aparência de simplicidade. Trabalho de construção de sentido conjugado com escolha de palavras para consolidar imagens, ideias, visões de mundo. Muito se pode dizer sobre poesia. Quando dava aulas, meu maior temor eram as aulas de poesia. Sempre tive a sensação de que enquanto lecionava, os estudantes pensavam que eu era doido e que estava inventando o que eu falava. Com a narrativa era bem mais simples. Uma leitura superficial de um trecho de romance ou conto e a “coisa” se explicava. Já com a poesia... Meu temor se escorava na ausência quase absoluta de interesse dos estudantes e na absoluta falta de compromisso com a leitura. No fim de carreira, já não me importava mais. Muita decepção. Comentando, com uma amiga, sobre a delícia que a aposentadoria me dava, dizia que uma das coisas que mais me encantavam no fato de não ser mais obrigado a dar aulas para quem não estava interessado nelas, era o fato de não ter que ler (s0bretudo) poesia e dar expli...

Uma carta

Imagem
Ando um tanto sorumbático. Macambúzio, por vezes. O calundu me arresta solerte, de vez em quando. O tempo passa e muito pouca coisa muda, o que não deixa de ser triste, ainda que irrecorrível. Entre um e outro momento leio, ou escuto música, ou fico olhando para o nada... deixando tempo passar. Numa dessas, escutei alguém lendo um texto. Era uma carta. Foi escrita por Dom Pedro II (até que se prove o contrário – sempre é bom lembrar. Ele foi um homem muito importante para o Brasil. Cometeu erros, por óbvio, mas sua importância suplanta seus deslizes. Ele anda a fazer falta como modelo, guia, exemplo a ser seguido. Gostei da ideia. Procurei o texto integral e trago-o aqui. Deixo a critério de cada um pensar o que quiser, tentar encontrar um sentido, uma explicação. Não tenho mais saco para tanto... “ Estou bem velho, mas ainda consigo as areias das praias do Rio de Janeiro. Ainda consigo sentir a brisa das manhãs, e o cheiro delicioso de café que só minha antiga terra era capaz de gerar...

Atrasado

Imagem
Mexendo nos arquivos do computador, encontrei o texto que segue. Era para ter sido postado no Dia de Finados, mas não o fiz. Já não me lembro o porquê. Provavelmente, preguiça, pra variar... De qualquer maneira. Gostei tanto dele que trago aqui hoje. O autor é poeta português de mais que boa cepa. É cardeal, se não me engano... “Sobre a amizade O modo como uma grande amizade começa é misterioso. Podemos descrevê-lo como um movimento de empatia que se efetiva, um laço de afeição ou de estima que se estreita, mas não sabemos explicar como é que ele se desencadeia. Irrompe em silêncio a amizade. Na maior parte das vezes, quando reconhecemos alguém como amigo, isso quer dizer que já nos ligava um património de amizade, que nos dias anteriores, nos meses anteriores, como escreveu Maurice Blanchot, “éramos amigos e não sabíamos”. Aquilo de que uma amizade vive também dá que pensar. É impressionante constatar como ela acende em nós gratas marcas tão profundas com uma desconcertante simplicida...

Fiasco

Imagem
Há momentos que poderiam muito bem ser evitados. Os motivos são variados e quase inumeráveis. As consequências, inimagináveis. O que se diz a respeito não pode ser objeto de previsão. Sim, há momentos assim. De qualquer maneira, as variáveis de uma situação não podem também ser pré-determinadas. Ainda que, às vezes, isso possa acontecer, bastando, para tanto, apenas um pouco de bom senso. No entanto, a vaidade humana não conhece limites e acaba por se perder num cipoal que ela mesma criou. Muita falação. Foi o que se deu, dias atrás, na abertura de um prélio automobilístico na capital bandeirante. Um fiasco. A dita “cantora” – há controvérsias, não poucas – não abriu a boca durante alguns trechos do Hino nacional. Ao fim, deu uma desculpa mais que esfarrapada, dizendo que houve problema no som... Balela. A sua boa não se mexeu por diversos momentos da execução. Um fiasco. Não vou comentar nada. Não quero correr o risco de ficar dando explicações para quem não as merece. Ainda assim, de...

Três palavras: um universo

Imagem
Denegrir : verbo transitivo direto e pronominal . Significa t ornar escuro, com aspecto obscuro, sem brilho; obscurecer: a sujeira denegria os móveis (em sentido figurado).   Manchar a reputação de algo ou de alguém; difamar ( esta acepção pode ser considerada ofensiva ): os boatos denegriram a imagem da empresa; ele se denegriu com o escândalo de corrupção. Reduzir a transparência de; manchar-se: denegrir um tecido. Etimologia (origem da palavra   denegrir ). O verbo denegrir tem sua origem do latim “denigrare”, que significa manchar a reputação de alguém ou tirar o mérito de. Buraco negro :  é uma região do espaço-tempo   em que o campo gravitacional é tão intenso que nada – nenhuma partícula   ou Radiação eletromagnética   como a luz  –  pode escapar. Criado-mudo :  substantivo masculino .  Móvel pequeno colocado ao lado da cabeceira da cama; mesa de cabeceira.   Etimologia (origem da palavra   criado-mudo ). A palavra ...

Ecos

Imagem
Devo confessar que, no olho do furacão instalado pelo alarmismo internacional, fomentado pela “mídia” ciosa de sua receita e devota ao “politicamente correto”, eu não confiava nas vacinas que foram, apressada e urgentemente, anunciadas como a proteção última contra um vírus novo. Confesso que só me vacinei porque viajo anualmente para o exterior e não poderia fazê-lo naquele momento e durante posterior e alongado período, se não portasse o famigerado certificado de vacinação. Confiar, de fato, não confiava, como ainda não confio. Acredito em vacinas, sobretudo aquelas que contam com respaldo de testes e testes multifacetadamente realizados e depois de anos de experimentação e comprovação das diversas possibilidades de eficácia e efetividade.   Creio que muitos relatos que li, notadamente sobre a situação da Suécia – inexplicavelmente ignorados pela já referida “mídia” – podem ser levados em consideração. Veja bem, eu disse “levados em consideração”. Com isso, não estou a dizer que ...