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Mostrando postagens de novembro, 2019

Como “se dar bem” com uma tese de doutoramento.

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Leia toda a obra de Walter Scott e tudo o que encontrar sobre ela. Leia os três romances indianistas – O guarani , Ubirajara e Iracema – do José de Alencar, e um que outro comentário, resenha ou artigo sobre eles. Afinal você vai escrever uma tese de Literatura Comparada. A sua proposta – você vai dizer isso na “Introdução” da tese e, depois, na hora de fazer a sua defesa – é comparar o trabalho ficcional dos dois, cada um utilizando sua língua, como instrumento de consolidação da identidade cultural à qual pertencem, utilizando, para tanto, o desenvolvimento de um uso nacionalizado” da própria língua: o scottish , no caso do Scott e o “brasileiro”, no caso de Alencar. Só esta proposta já vai angariar muitos “ah” e “oh”, tanto da banca de qualificação, quanto de alguns colegas – não todos porque, afinal, todo mundo é humano e “a inveja mata”. Escreva umas 450 páginas, espaço 1,5, margens de dois centímetros em papel A4; pode usar Times New Roman ou Arial. Tudo isso vai depender...

Fotos Antigas de Belo Horizonte

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Conselhos para uma boa convivência em sociedade

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Se for funcionário da secretaria de obras do governo – federal, estadual ou municipal, não interessa – combine com seus colegas um rodízio. Conforme o número de elementos na turma, dois ficam trabalhando, os demais discutem, cospem no chão, mexem com as mulheres que passam, falam de futebol, recamam do governo e bebem água. Quando for viajar de avião, não se esqueça de levar o cabo de força do celular para ligar numa das tomadas disponíveis no aeroporto. Quando enxergar uma, corra e faça bastante alarido, para mostrar que o espaço é seu. Sente-se numa cadeira e espalhe as bagagens pelas demais, fazendo cara feia para quem perguntar se o assento está ocupado. Para finalizar com chave de ouro, corra para a fila do embarque, prestando atenção para esta não ser a do grupo marcado em seu bilhete, assim que o funcionário da companhia pegar no microfone para iniciar o embarque. Ao almoçar num restauram à la carte , lembre-se de chamar o garçom fazendo bastante alarde, para mostr...

Impacto

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O que dizer de Joker ? A atuação de Joaquin Phoenix é inquestionavelmente impecável. Tenho de reconhecê-lo, apesar de dele não gostar. Impecável. O phisique du role é impressionante. Seus movimentos corporais, numa verossimilhança incontestável – no que diz respeito à personagem, seu modus operandi , a trilha sonora e ao roteiro da história – tudo faz jus ao elogio deste, aqui, pobre ignorante em cinefilia... Gostei do filme. Só não vejo muito sentido no alarido que se formou aqui e ali depois de seu lançamento. Dizem que comparações são inevitáveis. Porém, tudo o que li sobre este tópico não me agradou. Isso porque penso que Joker , por si mesmo, é incomparável com outras versões da mesma história. In-com-pa-rá-vel. Vejamos se sou capaz de explicar isso, ainda que indiretamente. Repito gostei do filme, mas não me agradei do que li sobre ele. Isso porque não vejo pontos em comum com as demais apropriações desse arcano cultural do ocidente capitalista envolvendo uma sociedade “líqu...

De viagens

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As mangueiras, frondosas, ladeiam o passeio, dos dois lados, da avenida Presidente Vargas. O risco de queda de mangas, é claro, existe. Mas a beleza do quadro, em seu conjunto urbano, não admite certos retoques que lhe tirem as cores. Exuberante é a palavra, penso, correta, para descrever não apenas este túnel verde, mas todas as praças da capital do Pará. Que surpresa! A impressão que se tem, a princípio, não é lá muito alvissareira. Percebe-se, com engano, que a cidade se apresenta suja. Como disse, é engano. A falta de restauração dos muitos casarões que se espalham pela cidade, sobretudo no cetro, é que causa esta enganosa impressão. A cidade é limpa, cuidada, nos limites da higiene urbana e da decência. Mesmo na região em que se concentram muitos casarões. Muito diferente do Maranhão. Claro está que não visitei TODA a cidade, por impossível. No entanto, as cercanias pelas quais caminhei, empapado de suor, por conta do vento morno úmido que sopra durante todo o dia, mesmo antes e...

Ecos do passado - final

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Depois de um período extenso - ainda que nem tanto - de ausência, volto para concluir a série que reúne textos que escrevi e sobre os quais não tenho informações mais detalhadas como origem, objetivo e localização. É isso, então, acabou! De um como e um porque sem saber (ao certo onde) As coisas se tornam menos importantes do que as ideias das coisas: tudo o que for feito às ideias das coisas inevitavelmente acontecerá também com as coisas.                                        . (Fraser, citado por Freud em Totem e Tabu ) Toda dicotomia – e a que encadeia História e Literatura não escapa a esta regra – leva a pensar em dúvida, em questionamento. Os anos 60 e 70 estão embutidos neste quadro referencial. Eles foram um fervilhar, direto e constante, de ideias. Eles espalharam-nas como ...