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Mostrando postagens de julho, 2023

Um sábado

A exatos 28 dias, numa tarde de sábado como a de hoje, estava eu em Lisboa, para lançar meu livro  Andando descalço em asfalto quente – miragens poéticas  sob os auspícios do Real Circolo Francesco II di Borbonne, do qual sou membro. O livro encontra-se à venda na página da Editora Pedregulho ( www.lojapedregulho.com.br , para quem, talvez, se interessar...). Uma tarde quente do verão alfacinha. Salão cheio. Gente amiga. Evento caloroso, simpático, agradável (apesar do calor), coroado com um jantar no restaurante Clara Jardim (que recomendo vivamente). Na ocasião, três amigos falaram: Luis Laforga Granjo, Ana Cristina Martins e Vitor Escudero. Dos três, apenas o primeiro escreveu um texto que, com sua autorização aqui compartilho. Fiquei honrado, comovido e grato.  Segue o texto.  "Andando descalço em asfalto quente – miragens poéticas: uma análise...  Esta obra apresenta-nos uma poesia pessoal, íntima, em jeito de quem nos conta uma história ou histórias. ...

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XXI Se eu pudesse trincar a terra toda E sentir-lhe um paladar, E se a terra fosse uma coisa para trincar Seria mais feliz um momento… Mas eu nem sempre quero ser feliz. É preciso ser de vez em quando infeliz Para se poder ser natural… Nem tudo é dias de sol, E a chuva, quando falta muito, pede-se. Por isso tomo a infelicidade com a felicidade Naturalmente, como quem não estranha Que haja montanhas e planícies E que haja rochedos e erva… O que é preciso é ser-se natural e calmo Na felicidade ou na infelicidade, Sentir como quem olha, Pensar como quem anda, E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre, E que o poente é belo e é bela a noite que fica… Assim é e assim seja… Alberto Caeiro  

Palavras

Li, não sei onde, já não me lembro, o trecho que segue. A curiosidade me foi aguçada pela rapidíssima análise etimológica da palavra “família”. Gosto de palavras. Gosto mais ainda do que se pode descobrir nelas, com elas e através delas, para não dizer dentro “delas”. Se é que palavra tem lado de dentro e lado de fora. Vai saber... De um jeito ou de outro, como diz o ditado: é o que temos pra hoje... A própria palavra “família” compartilha uma raiz com o termo latino   famulus , ou seja, o “escravizado doméstico, por intermédio da família, que originalmente se referia a todos aqueles sob a autoridade doméstica do   pater familias , do chefe da casa (sempre um homem). Por sua vez,   domus , a palavra latina para “casa”, nos deu só “doméstico” e “domesticado”, mas também   dominium , o termo técnico que designava tanto a soberania do imperador como o poder de um cidadão sobre suas propriedades particulares. Por essa via chegamos às noções (literalmente “familiares”) do...

Dois livros

A conquista , do Coelho Neto e  Homens imprudentemente poéticos , do Valter Hugo Mãe. O que eles têm em comum? Nada. Absolutamente nada, a não ser o fato de eu os ter lido recentemente. Na verdade, o romance do brasileiro foi relido. Descobri isso por conta das anotações que fiz ao longo do texto e das palavras desconhecidas (para mim) circuladas. Tenho essa mania. Uns dizem que é um sacrilégio riscar ou livros ou escrever neles. Não vou nessa onda. Escrevo, faço perguntas, sublinho passagens inteiras. Um hábito ou uma mania, vai saber. Sei que o faço.  Punto i basta ! Já o romance do português li num impulso. Fazia tempo que o havia comprado e já estava bem coberto de pó na estante. Tirei-o. Li-o. E... Bem, os comentários virão logo a seguir. Como soe acontecer, minha proverbial preguiça me levou a consultar a Wikipedia e a página da Amazon à procura de comentários, observações e/ou resenhas acerca dos livros. Encontrei, respectivamente, o que segue.  A Conquista  é...

Portugal

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Dezenove dias, contados a dedo, quase a hora. Um período mais longo que o último, em novembro passado. Quatro dias a mais. O destino era o mesmo. A novidade é que o período de estadia pode aumentar. devagar e sempre. Voltar é sempre bom, mas todas as vezes que lá chego, tenho a sensação de que estou voltando para casa. Já pesei muito sobre isso, sobre esta sensação de pertencimento que ocorre, vez ou outra, alhures. Não consigo encontrar uma resposta definitiva. Isso não me aflige. Ao contrário, aumenta a expectativa da volta. O esterno retorno de que trataram tantos filósofos. Comecei, como de outra vez, a fazer um diário. Daí, pensei: os leitores serão os mesmos, pouquíssimos, mas, até prova em contrário, constantes, presentes. Mais gente deve até ler, mas não sou informado, não fico especulando. Como diz o Ney Matogrosso, ficar contando “seguidores” é muita arrogância. Eu diria idiotice. Somos do mesmo signo, o Ney e eu, mas pensamos diferente em algumas coisas. Digo isso sem empáfi...

O PRESIDENTE BURRO • Ariano Suassuna

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Cid na CPMI - A coragem fez a melhor sessão

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Outro diário de viagem 3

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Miríades de pessoas. Todas as cores. Uma babel na horizontal. Filas imensas e a fachada do mosteiro, incólume, reverberava ao sol escaldante da manhã de terça-feira. Belém. Passei ao largo, fui visitar o Museu da Marinha. Que aventura. Um mergulho na História dos descobrimentos, de guerras que os sucederam, da indústria naval portuguesa, as camarinhas reais, o primeiro voo transatlântico – Gago Coutinho e Sacadura Cabral. Uma efeméride. Um museu a visitar. Enquanto me deliciava maravilhado com o que vi, a multidão suava na espera de poder adentrar outro monumento da beleza e da História: o mosteiro dos São Jerônimos. Já o visitei duas vezes. Sempre penso em voltar a fazê-lo, no entanto, sei que sempre haverá filas, enormes, multinacionais e multilíngues. Da mesma forma, do outro lado da esplanada, já na beira do Tejo, o padrão dos descobrimentos. Ao lado da Torre de Belém – ainda que haja alguma distância entre os dois pontos – o padrão eleva-se sobre o rio apontando para o mar. Já ten...

Outro diário de viagem 2

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Nada como um dia depois do outro. Isso serve para o bem e para o mal. Nada é definitivo ou unilateral. Os dias passam, podem até se repetir, mas nunca são, de fato, os mesmos. Por mais parecidos que sejam, diferem num ou noutro detalhe que sempre, e mais, pode escapar. Isso já depende de uma série de outros fatores. A lista é grande e pode ser enfadonha. Não vou descrevê-la agora, aqui, por enfadonha que é. De mais a mais, a minha preguiça me deixa pouca margem de negociação e tenho considerações mais valiosas (para mim) sobre os três últimos dias. Sábado, dia importante para mim; domingo, o dia mais bobo da semana e h oje que, por aqui, deste lado do grande lago, já está a caminhar para o fim... com calor. No sábado lancei mais um livro de poesia:   Andando descalço em asfalto quente – miragens poéticas . A sessão se deu na sede da Academia Portuguesa de Ex Libris, de que sou membro, numa promoção do Real Circolo Francesco II de Borbone, de cuja delegação portuguesa também sou mem...