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Mostrando postagens de maio, 2023

Idiossincrasia

Definitivamente, não gosto de domingo. É o dia mais bobo da semana. Sempre. Quando trabalhava, o domingo era a certeza de que no dia seguinte tudo ia se repetir, do mesmo jeito, no mesmo ritmo. as mesmas chatices e manhas. Os mesmos dissabores e arrependimentos. A mesma canseira. Tudo igual. Pior era quando as aulas começavam às sete e meia da manhã. Teoricamente apenas. apenas nos primeiros anos, na segunda universidade em que trabalhei, os alunos chegavam no horário. Talvez por conta da “novidade”: professor novo “na casa”. Ai como essa expressão me incomodava! Lá no Sul era diferente. As aulas eram “corridas”. Todas no mesmo dia. Não tinha esse negócio de duas aulinhas hoje e duas na depois de amanhã. Horário corrido: mais inteligente, mas eficaz, mais rentável. Hoje isso não “cola”. A geração floco de neve não aguenta. O professorado, infelizmente, em boa parte dele, não tem condições de manter o ritmo necessário. Outros tempos. Isso se deve, por evidente, à minha chatice. A ela ta...

Insegurança

Faz quatro dias que estou pensando se deveria ou não publicar o texto (imenso) que segue. Não sou seu autor! O temor se justifica. Nos dias que correm, se eu disser que não gosto de "A" levo boa parte da população do planeta a entender  que gosto de "B". Assim, em termos absolutos e excludentes. Não é preciso dose elevada de bom senso para perceber a imbecilidade que posição assim radical representa. Não vou discutir a semântica dos termos nem sua reverberação discursivo-ideolóica por pura preguiça. Vou, simplesmente, compartilhar o texto (que me fez pensar. Só Isso! Fez pensar! Isso não quer dizer que eu concorde ou discorde dele!!!). Quem ler que pense o que quiser. Já fui "cancelado" por pessoas queridas por fazer isso. Já perdi amigos que pensei gostarem de mim. Isso é triste, irreversível (sobretudo para quem me cortou). Como eu não aprendo e adoro uma provocação, resolvi partilhar o texto. E repito: este ato não representa minha concordância ou disco...

Dúvida

Vi um vídeo com Ariano Suassuna declamando estas estrofes de  Leandro Gomes de Barros  e fiquei impactado. Tanto que resolvo compartilhar, ainda que correndo o risco de fazer uma coisa que á foi feita. Bem... aí está!   Se eu conversasse com Deus Iria lhe perguntar: Por que é que sofremos tanto Quando viemos pra cá? Que dívida é essa Que a gente tem que morrer pra pagar? Perguntaria também Como é que ele é feito Que não dorme, que não come E assim vive satisfeito. Por que foi que ele não fez A gente do mesmo jeito? Por que existem uns felizes E outros que sofrem tanto? Nascemos do mesmo jeito, Moramos no mesmo canto. Quem foi temperar o choro E acabou salgando o pranto?

Pandemônio

Então é assim: a criatura pinga produto químico nos olhos para ficar cega. Não contente com o resultado faz intervenção cirúrgica e consegue o que deseja? Que médico é esse que se rebaixa tanto? Numa entrevista, a criatura diz estar contente com o resultado. Afirma que desde os 21 nos “sente” que deveria ser cega. Como não era, fez por onde ficar. Que absurdo é esse? Onde vi o vídeo com um trecho de entrevista, há, nos comentários, relatos de outros casos parecidos. Entre eles, o de um sujeito que requisita cadeira de rodas do governo – se não me engano, na Noruega – ganha a dita cuja e sai andando nela, mesmo não tenho nenhum impedimento locomotor. Isto por conta do “fato” de que se “sente” um cadeirante. Isso está mesmo acontecendo? Continua, na USP a série de procedimentos clínicos para “redesignação sexual” – a expressão soa muito bem... deve render muitos Likes nas famigeradas redes sociais... – de crianças e adolescentes? Que brincadeira sem graça é esta? O rapaz, de repente, “pe...

Dúvida

Uma história deve ter começo, meio e fim. Assim não fosse, não seria uma história. Partindo deste princípio, pensar numa história ao contrário – para não usar um anglicismo desgastado – pode ser uma experiência fascinantes, ainda que corra o risco de perder seu sentido, sua lógica. Não é o que acontece com Memórias póstumas de Brás Cubas. Neste romance, Machado de Assis inventa um narrador (Inventa?) que escreve depois de ter morrido. Ele começa narrando o próprio velório e daí para trás. É fascinante. É hilário. É duro. Pensei nisso depois de ouvir um trecho de entrevista concedida por Nélida Piñon, no programa Roda viva. Não vi o programa. Não sei do inteiro teor da entrevista. Restrinjo-me ao trecho publicado por alguém numa dessas “redes sociais” que pululam por aí. Não interessa qual. O que interessa é o que a entrevista. Parece que a propósito de uma pergunta ou provocação acerca da educação nos estados. unidos de bruzundanga, a escritora afirma que o sistema educacional brasilei...

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Poema

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Um poema. Um poema de um poeta. Um poeta mineiro. Que poeta! O poema não pede análise, mas audição. Quem quiser ouvir a voz do poeta, siga esta ligação: https://www.youtube.com/watch?v=VnesgP40agw Consolo na praia Carlos Drummond de Andrade   Vamos, não chores A infância está perdida A mocidade está perdida Mas a vida não se perdeu   O primeiro amor passou O segundo amor passou O terceiro amor passou Mas o coração continua   Perdeste o melhor amigo Não tentaste qualquer viagem Não possuis carro, navio, terra Mas tens um cão   Algumas palavras duras Em voz mansa, te golpearam Nunca, nunca cicatrizam Mas e o humor?   A injustiça não se resolve À sombra do mundo errado Murmuraste um protesto tímido Mas virão outros   Tudo somado Devias precipitar-te, de vez, nas águas Estás nu na areia, no vento Dorme, meu filho