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Mostrando postagens de abril, 2020

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Três vezes no ano. Eram só três vezes por ano. O professor determinou assim. Filho de esportista, jogador de futebol e professor de educação física. Filho de homem famoso. Feio como o pai. Determinou que seriam apenas três vezes por ano. O comparecimento às aulas de educação física seria reduzido a três aulas. O aluno era também atleta. Portanto, não precisava fazer todas as aulas, já tinha seu treinamento. Três vezes no ano. A primeira, a última e uma outra aleatória, à escolha do aluno. Qualquer dias. Apenas mais. As duas outras serviriam para o teste de Cooper. De acordo com os colegas, o atleta não precisava das aulas porque já tinha o Cooper feito. O cacófato provocava risinhos sacanas. Gozações. Hoje isso teria o nome de bullying . Mas eram gozações mesmo, das grossas. O Cooper feito. Esporte de homem era futebol, no máximo basquete ou atletismo. Voleibol e natação eram “coisa de mulherzinha”. Homem que nadava ou jogava futebol era mariquinha. Não havia outro nome àquela altu...

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Doze meses. Com exceção dos três convites de Viviane. Café, cinema e almoço. Três dias no meio de outros tantos, ao longo de doze meses. Quase exatamente doze meses trancafiado num apartamento em Niterói. Nada de conseguir demover. Nenhuma linha. Nenhuma página. Nem mesmo um relatório protocolar, por formulários a justificar o temo e o dinheiro, o trabalho dispendioso. Nada. Doze meses e nada. Depois de ficar quase dois anos empatando a vida de muita gente. Nada. Em quase exatos doze meses, nada. Nada de nada. Se visse três pessoas que não eram de suas relações conversando, já suspeitava de armação, conluio, trama para atrapalhar a sua vida. Boicote e perseguição. Tudo contra. Nada a favor. Por dois anos, o colega viajando pelo Brasil. Semana após semana. Seu nome incluído numa lista de trinta que cada um dos primeiros trinta foi instado a fornecer. Jamais foi chamado. O colega viajando e nada. No auge, no frigir dos ovos a acusação: o colega impedia a sua nomeação. Boicote. Nada. ...

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Muitos quilômetros entre uma cidade e outra. A possibilidade da repetição de outra viagem, mais longa. Mas era só desejo. O pai, a mãe, o diretor. Todos no mesmo carro. Não era ônibus. Só um carro. Uma kombi, na verdade. E não era a versão tupiniquim de Little miss sunshine . Muito porque os fatos ocorreram anos antes. muitos anos antes. Um tempo em que os afetos eram mais cristalinos e menos influenciados. Um tempo em que a sinceridade do carinho extrapolava estereótipos e num simples gesto de estender a mão na queda de um bloqueio num jogo de vôlei vaia quase mais que um orgasmo. Um tempo em que as pessoas se olhavam e se viam. Se falavam e se escutavam. Se abraçavam e se sentiam. Não apenas porque o corpo era sarado, a sunga, da moda, a gíria, do momento. Não. Era tudo como era. Da maneira que acontecia. Pelo menos, era isso como se percebia então. A mãe e o pai na frene, com o motorista. O diretor no segundo banco com alguns atletas, Rosemberg no terceiro banco. Ainda havia mais ...

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Cheia de si. Sobrancelha arqueada em gesto de superior arrogância. Sua chegada, nem sequer sentida, ficou no esquecimento do cotidiano que nem sempre satisfaz. Ilusão. A algazarra diminui um pouco. Respeito também pouco. Nenhuma expectativa ou ilusão. Muito segura, abre a boca e... Encontros vocálicos. São os encontros ocorridos entre as vogais. Há três classes de encontros vocálicos: ditongo, tritongo e hiato. O primeiro e o terceiro se dão entre duas vogais, o segundo, com três. Só há hiatos entre as vogais ‘a’, ‘e’, ‘i’ e ‘o’. A sobrancelha continua arqueada quando ela se volta para a classe. Um braço se levanta. Irritada, ela atende. “Existe hiato com ‘u’ também. Aliás, ‘i’ e ‘u’ não são vogais, são semivogais.”. Não conheço nenhum hiato com ‘u’. Nenhuma gramática registra esse tipo de hiato. Logo, ele não existe. “Errado. Existe um hiato com ‘u’: ‘duúnviro’.” O quê? “Duúnviro. É o nome que se dá ao sujeito que divide com outro o governo. Triunvirato, governo de três. Cada um del...

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"Fulgor de estrela apagada. Calor de gesto frio. Melodia de palavra muda. É assim a reação quando ele passa arrastando as chinelas, assobiando. Com uma estridência que dá gastura. Cantarolando músicas populares. Ou então, depois de comer, sentado no sofá a tirar pele da sola dos pés e colocar na boca, mordiscando o que de excremento seu corpo produz. Nojento. A pobreza da rima interna não se sobrepõe à vontade de sair correndo. Lá vêm as chinelas arrastadas. E o barrigão. E o vozeirão. Tudo é gritado, não é falado e sempre na mesma cantilena. Não tem diferença ao longo das horas do dia. Porque as horas do dia são sempre as mesmas, no mesmo ritmo, na mesma sequência. Dormir, dormir, dormir. Uma facilidade para dormir... Assim mesmo. Uma quase ingenuidade que faz ter pena. Mas será ingenuidade mesmo ou falta de informação. Faz tudo. Coração de manteiga. Aqui, ali, acolá, as opiniões toscas e geralmente bem conservadoras, quase preconceituosas: é xingar jogado de futebol, apresenta...

As Virtudes na Grécia Antiga [Λόγος (Lógos) - podcast de Filosofia] #EP1...

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ENTREVISTA QI - COVID 19 - A autópsia de um equívoco.

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Talvez, em pindorama, não vão levar a sério por se tratar de m cientista português!

Professeur Luc Montagnier : Le virus covid19 est une manipulation humaine

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Lições de Português para os incautos em tempo de pandemia III

HIPOCRISIA S ubstantivo feminino: característica do que é hipócrita; falsidade, dissimulação; ato ou efeito de fingir, de dissimular os verdadeiros sentimentos, intenções; fingimento, falsidade; caráter daquilo que carece de sinceridade.

Lições de Português para os incautos em tempo de pandemia II

GANÂNCIA S ubstantivo feminino: ação ou efeito de ganhar (d iacronismo: antigo), utilidade ou lucro que resulta do trato do comércio (d iacronismo: antigo), juro pago por mutuário (d iacronismo: antigo); â nsia por ganhos exorbitantes, avidez, cobiça, cupidez; ânsia de ágio, agiotagem, usura; desejo exacerbado de ter ou de receber mais do que os outros.

Lições de Português para os incautos em tempo de pandemia I

VAIDADE Substant ivo feminino: qualidade do que é vão, vazio, firmado sobre aparência ilusória; valorização que se atribui à própria aparência, ou quaisquer outras qualidades físicas ou intelectuais, fundamentada no desejo de que tais qualidades sejam reconhecidas ou admiradas pelos outros; avaliação muito lisonjeira que alguém tem de si mesmo; fatuidade, imodéstia, presunção, vanidade; coisa insignificante, futilidade; vanidade. (Copiado do Houaiss, editado por mim)

Fernanda Montenegro - Guardar (poema de Antonio Cícero)

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Diálogos impertinentes

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- Este trecho não vai ficar aqui. - É pra mudar de lugar? - Não. Deve ser retirado. - Por quê? -Porque não serve. - Como assim, não serve. - Está ultrapassado. - E daí? - O autor é datado. - E daí? - Vai depor contra seu trabalho. - Se o trabalho é meu, o problema também é meu. - Mas não pode ficar! - Por que não? - Já disse o porquê! - O trecho fica. - Você vai tirar! - Não tiro! Sabe porquê? - ... - Você diz que é ultrapassado. Que o autor é datado. - Isso. - Mas quando ele escreveu não era. - Não. - Então, se hoje é ultrapassado ´r porque teve seu lugar na tábua do tempo da História. - ? - Se foi superado é porque tinha algum “valor”. Preciso desse “valor”. - ... - O trecho fica! Depois e esperar um tempão na fila. - Boa tarde. - Boa tarde. Quero doar sangue. - Seu documento de identidade, por favor. - ... - O senhor tem 63 anos! - Completados na semana passada. - O senhor já doou sangue.? - Sim. Fa...