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Mostrando postagens de janeiro, 2022

Como assim?

“Uma das coisas que ele sabia era que um dia, sem aviso prévio – mais provavelmente –, ele iria morrer. E durante a tal noite, ele ficou sem saber se o que estava sentindo era o tal de processo de morrer. Uma sensação estranha, incômoda, desagradável. As horas não passavam, o calor, o som das batidas do coração no ouvido. Num dos ouvidos, na verdade. A mesma sensação que vinha se repetindo. Na mesma proporção de suas dúvidas. Os sonhos confusos. Todos os mortos e vivos a comemorar um aniversário. O incômodo contínuo. A angustiada ansiedade por conta do equívoco no roteiro da viagem. O planejamento lento, detalhado, minucioso. A ideia de que foi pouco. Simultaneamente, a certeza de que a mão tinha gostado. Um desejo realizado, ainda que mal planejado. Tudo muito comum, reles. Os livros que não foram escritos a bordejar a mente inquieta no meio da noite. A chama da vela a incomodar a pálpebra sensível, um pequeno passo até a insônia. O tum-tum do coração que não parava. O efeito do analg...

INBRASCIMG / NM Assessoria Cultural / Nilze Monteiro - Homenagem a Oswal...

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Silêncio

“O homem, ao largo de seus noventa anos, comenta, numa roda de amigos algumas coisas que sua memória recupera das veredas do tempo. Começou com a sua arte quando ela começava na terra em que vivia. Não contaram pra ele o que acontecia. Ele viu. Se não viu foi quem fez acontecer também. Entre risos e hesitações lembrou-se da infância simples, humilde – pobre, nas palavras dele – num lugarejo esquecido na natureza, longe de qualquer indício de ‘civilização’. Mais risadas. Lembrou-se de que ‘dormia com as galinhas’ e ac0dava às quatro da manhã para ordenhar as vacas. Antes de dormir, apartava os bezerros, para que eles não esgotassem o leite das vaquinhas que durante o dia pastavam, Bovinamente, como é de sua natureza. Comentou sobre a natureza, os hábitos simples, a rotina da ordenha. Lembrou-se de que, para que o leite fluísse com mais facilidade, amarrava o bezerro nas patas traseiras da vaca. Assim, ela olhava o bezerro e soltava o leito sem problema. Na falta dele, o leite não saía. ...

Falatório

Li o trecho que segue na  Revista Oeste , que assino e de que gosto muito ( https://revistaoeste.com/revista/edicao-97/a-criminalizacao-do-amor ): “Isso é bem extremado. À guisa de lidar com uma prática que a maioria das pessoas considera repugnante — colocar muita pressão em homossexuais para tentar fazê-los abandonar seus desejos supostamente perversos —, o direito de divergir em questões de “identidade de gênero” e “expressão de gênero” está sendo erodido. O direito dos pais e de outros adultos de dizer a um menino que acha que é uma menina que, na verdade, ele é um menino e vai continuar vivendo como menino está fortemente abalado. Não foram feitas garantias claras de que a possibilidade de pais ou psicólogos terem conversas francas com crianças que querem “fazer a transição” vai se manter intacta. De acordo com Ted Falk, membro conservador da Câmara dos Comuns canadense, críticos perguntaram “repetidas vezes” aos redatores do texto da lei se “conversas com um líder religioso, ...

Três - parte 3

Pois é. Dizer que o gajo continua a escrever sob a égide de Paul Auster é exagero. O rapaz evoluiu, no sentido de aprimorar a própria, marca escritural. Estou falando de João Tordo. Em sue último romance,  Felicidade , ele se apresenta mais maduro, mais seguro. Um tanto constante em certos procedimentos ficcionais. Mantém a verve. Consegue envolver o leitor de maneira sutil. Há sempre um segredo, um detalhe que escapa. Rastros de experiências outras a indicar caminhos possíveis para o deslinde de situações aparentemente insolúveis. A história se desenrola a partir de um acontecimento ocorrido na adolescência do protagonista. Arrastam-se as consequências por uns 20 ou 30 anos, em minuciosa análise de detalhes que vão compondo um quebra-cabeça a desenhar o “mapa da mina”. Já adianto, sem querer fazer o famigerado  spoiler : não se trata de romance policial. Matriz de criação do jovem escritor, o romance policial tem cedido espaço, ao longo de sua obra, para o “tratamento” de que...

Três - patte 2

Os três escritores ainda figuram em minha lista particular de preferências. Conheci pessoalmente os três. Com um deles, ainda mantenho certo contato, ainda que muito esporádico, depois que o visitei em sua residência. Os outros dois, conhecidos em país estrangeiro – meu e deles – são apenas autores de predileção. Não tenho contato. Li muitas obras dos três. Gostaria de ter lido tudo que os três escreveram, mas, como todo mundo sabe, livros portugueses custam uma fortuna nos estados unidos de bruzundanga. Além disso, estou naquela fase de não mais acumular volumes em estantes que só retroalimentam a cadeia alimentar dos fungos, ácaros e insetos, sob a pele diáfana da poeira que o tempo deixa como rastro. Ele passa. Os livros ficam. José Luis Peixoto foi o primeiro que conheci, em Zagreb, como João Tordo, na mesma cidade. Graças às atividades propostas pela Leitora de Português do Instituto Camões, a Sofia Soares, conheci-os. Escutei deles uma conferência. Conversei com eles. Foi muito b...

Três - parte 1

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Três. Número ímpar. Também, número primo. Simbolicamente, representa, salvo engano meu, o equilíbrio perfeito, entre outras coisas.   Três é um número sagrado, relacionado à luz. É o número do resultado da moldagem das substâncias – produto  d a união. Número dos extrovertidos, dos inteligentes, criativos e espirituosos. Em nossa tradição cultural/espiritual, o homem (1) se uniu com sua companheira (2) e juntos geraram um filho. Assim surge o número 3, a tríade, a trindade. Ideia de progressão cíclica: começo, meio e fim. O 3 é representado pelo triângulo, primeira forma geométrica perfeita, pois todos os lados têm a mesma medida. Claro está que não elimino aqui as outras “espécies” de triângulo: isósceles, retângulo, escaleno, equilátero, obtusângulo, acutângulo.  No Sepher Yetzirah, é o terceiro caminho da sabedoria, da inteligência sagrada e da sabedoria original. Na esfera superior, 3 são os princípios divinos. Na esfera do intelecto, significa os 3 degraus dos abenço...

(Re)início

  Começou 2022 e, mesmo antes de 2021 terminar, eu já não escrevia com tanta regularidade. Deixa isso pra lá. Como faço desde que comecei a escrever um blogue, tento, anualmente, modificar a aparência dele. É, de fato, uma tentativa de deixá-lo mais atraente, o que parece não surtir muito efeito. Mas lá se vão mais de dez anos. Se não me equivoco, comecei quando estava em Zagreb, naqueles dois anos instigantes e, mesmo, reveladores que lá passei. Pois bem. Na primeira postagem do ano, ainda com os motores em estado de aquecimento, faço a transmissão de ideias alheias. Trata-se de trecho de um artigo de J.R. Guzzo, publicado na edição da revista   Oeste , da última sexta-feira (ontem). Assevero que, pelo fato de transportar literalmente o trecho aqui, não estou a subscrever cegamente as ideias do autor. Jamais faço isso. Quem me conhece sabe. Logo, a motivação é uma certa inquietude trazida pelas miríades de incertezas e falácia acerca de tudo que ocorre no planeta. Coisa cansa...

Teresa Salgueiro | #alegria | Video Oficial

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