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Mostrando postagens de janeiro, 2020

Ecos do Sul

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Faz um tempo. Foi na agência dos correios. Ali é comum encontrar livros à venda em agências postais. Para além de todos os outros serviços. Isso pareceu-me sinal de civilidade e cultura. Uma gente que, ainda que não leia em sua totalidade – seria muita ingenuidade minha pensar assim – está preocupada com a EDUCAÇÃO, através da leitura. Iniciativa mais que instigante. Pois é... Foi numa dessas agências. Exatamente na agência de Coimbra, na avenida Fernão de Magalhães, de saudosa e doce memória. O livro havia saído naquele ano mesmo. Capa vermelha. Formato 16x24, muto mais interessante que o desgastado 14x21, mais elegante e pomposo. Capa vermelha. Letras em branco. E o nome bem no meio, Os memoráveis . Para quem conhece, é dela mesmo, Lídia Jorge. Um livro que, em certa medida segue os mesmos trâmites ficcionais de A costa dos murmúrios. A voz narrativa é construída a partir do trabalho de uma das personagens. Esta, por sua, vez é responsável por uma escrita – neste caso, a produç...

Retorno a um “Howard’s End” particular

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Toda vez eu tinha vontade de chorar. Exatamente quando o ônibus começava a descer a longa avenida que vai dar na estação rodoviária, aquele aperto no peito se anunciava e angustiava e ficava ali remoendo, morno, mole, quente. Eu não conseguia chorar, mas a vontade... ah., a a vontade... esta ficava ali sempre, dizendo presente. no início da descida da rampa. Isso se dava toda vez que eu chegava a Porto Alegre. Não sei explicar. Era sempre assim. Foi sempre em todas as vezes, desde a primeira. Não importava de onde eu viesse, a vontade dizia presente, sempre! Foram cinco anos de idas e vindas mais regulares e numerosas. Depois, num intervalo de dois a três anos, mais umas três ou quatro vezes. Daí, um longo período de “estiagem”, quase vinte anos. E o retorno se deu. O motivo particular foi a formatura da Bruna, que conheci menina, aos três anos. Da última vez que a vi, estava namorando com o rapaz com quem veio a se casar. A mesma Bruna, doce, alegre, a cara da mãe e do pai. Mist...

Sussurrar ideias

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   Murmúrio: ato ou efeito de murmurar. Barulho incessante das ondas do mar ou de água corrente. É o que em muitas passagens da narrativa o leitor pode encontrar. Ora para marcar a espacialidade da cena descrita, ora para qualificar outra cena. Ora para denunciar desmandos, exageros, crimes e consequência de atos violentos. Rumor contínuo e sussurrante do vento sobre árvores e folhagens. Da mesma forma que o barulho do mar, o ciciar do vento entra como elemento compósitos de certas passagens. Intensifica a descrição, em sua maior parte implícita, intrínseca, recoberta de um cenário muito conhecido da Literatura Portuguesa: o território africano, especificamente aquele que foi domínio colonial português por muito tempo. Comentário, dito, frase, pronunciamento etc. feito em voz muito baixa. Em muitas passagens da narrativa, em alguns diálogos e, mesmo em alguns solilóquios, o texto apresenta essa acepção de murmúrio. Quase sempre, estas passagens marcam alguns devaneios ...

Cantora Gospel Lucimara Pires bate na mãe de 70 anos de idade

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Três caminhos

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Iris , com Judy Dench; Still Alice , com Julianne Moore e Vivir dos veces , com Oscar Martínez ator não “conhecido” em Hollywood (que eu saiba). Três lições sobre um mal que assombra a humanidade: Alzheimer. Os três filmes são contemplados com desempenhos impecáveis dos atores que vivem os protagonistas: Iris, Alice e Emílio, na ordem. Haveria muito o que dizer sobre os pontos em comum entre as três narrativas. De início, o óbvio, as três desenvolvem-se a partir da constatação do desenvolvimento da patologia ligada ao Alzheimer em universos distintos: o mundo da filosofia/poesia e o mundo da universidade Linguística e Matemática). No segundo, uma pequena nuance: Alice ainda é uma professora ativa, Emílio já está aposentado. No mais, as diferenças são muitas. Alice convive com sua família, digamos, de maneira intensa. Já Emílio, vive só e sua relação familiar se reduz a uma filha, acompanhada de genro e neta, mas não convivem “intensamente”. Ao contrário... Iris é uma escritora/filó...

Dois pontos

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Assim que foi lançada na Netflix, vi todos os capítulos da série Messiah . Levei quase três dias para fazê-lo. Mas fiz. Fiquei muito bem impressionado. Claro está que, como produção norte-americana, se não me engano, a obsessão da agente do serviço secreto chega às raias do patético tal sua necessidade de denegar o óbvio e de perseguir sua teoria. Ela reúne todas as “provas” da “montagem” que o protagonista lidera e não consegue sair do mesmo lugar: o mar de dúvidas que a envolve e engolfa. Aliás, praticamente todos os estereótipos de certa histeria coletiva típica dos descendentes de tio sam estão ali: a adolescente rebelde sem causa, o religioso com dúvidas de fé, a esposa insatisfeita encharcando a própria malícia, o jovem ingênuo que se vê mesmerizado por um mito, o velho cínico que arregimenta jovens para fins questionáveis, a jornalista com ligações espúrias que lhe garantem furos de notícias, o político corrupto que trabalha contra a presidência da república, o presidente s...

PORTA DOS FUNDOS MERECE RESPOSTA?

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"Mãe eu fiz o que me pediste..."

"Mãe eu fiz o que me pediste..." : MÃE... fiz o que me pediste. Fui à festa, mãe. Fui a uma festa, e lembrei-me do que me disseste. Pediste-me que eu não bebesse álcool...

Fluxo de consciência

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Vai e olha de soslaio. Faça isso antes que alguém venha dizer que não pode. Não se obrigue a ficar dando explicações. Deixe lado aqueles que, a tudo que você diz, escrevem que concordam ou discordam, mesmo que você não tenha pedido a opinião alheia. A chatice anda tão grande que não se pode mais olhar uma criança por muito tempo, ou esbarrar, sem querer, obviamente, numa senhora, ou chamar carinhosamente alguém de neguinho/a. Se, por acaso, você escrever que não gosta de fulano por isso e mais aquilo, vão dizer que você é fascista por aquilo e aquilo-outro. Se você não usa o mesmo jargão, fodeu. De fato. De verde e amarelo. Gasta-se tempo e esforço pra falar mal de gente sem a menor expressão, sem a menor importância, só porque aparece na televisão, fala o que mandam – está enganado quem acredita que as opiniões são “pessoais” e/ou “sinceras” na telinha – e depois ficam posando de isentas e indiferentes. Come-se, bebe-se, grita-se, come-se de novo, bebe-se ainda mais, grita-se mai...

Ano novo

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Duas garrafas de vinho tinto (Tarapacá, Carmenere), uma taça de espumante à meia-noite, um shot de tequila depois das duas da manhã, montes de croquetes, empadinhas, pão de queijo, linguiça defumada e caramelizada, tabule, salpicão e pra terminar uma pratada de macarrão frito feito em casa. Copos e copos de água mineral com gás, São Lourenço. Mais dança, trenzinho, gritaria, risos e lágrimas, fotos e mais gritaria. Esse é o resumo da passagem de ano. Um dia antes, escrevi o texto que vai em seguida. Era para ter sido ontem, mas a ressaca não deixou. Não só a ressaca. Acrescente-se o calor, a moleza, o fígado aos gritos, sem dor, mas aos gritos, mais calor e a preguiça, a macunaimicamente proverbial preguiça. Isso tudo não deixou que fosse hoje, que fosse adiado para hoje. Um adiamento que serve para inaugurar a nova cara do meu blogue. A cada seis meses... cara nova! *************************************************************************** Passagem E pensar que o mes...