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Mostrando postagens de junho, 2024

Em tempo de mudança...

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O poema é ortônimo, até prova em contrário. Quanto a este poeta, tudo é possível, nada é absoluto. Sou fã...   Presságio Fernando Pessoa   O amor, quando se revela, Não se sabe revelar. Sabe bem olhar pra ela, Mas não lhe sabe falar.   Quem quer dizer o que sente Não sabe o que há de dizer. Fala: parece que mente… Cala: parece esquecer…   Ah, mas se ela adivinhasse, Se pudesse ouvir o olhar, E se um olhar lhe bastasse Pra saber que a estão a amar!   Mas quem sente muito, cala; Quem quer dizer quanto sente Fica sem alma nem fala, Fica só, inteiramente!   Mas se isto puder contar-lhe O que não lhe ouso contar, Já não terei que falar-lhe Porque lhe estou a falar…  

Mais alguns dias...

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No “clima” lembrei-me deste poema.   Vou-me embora pra Pasárgada Manuel Bandeira   Vou-me embora pra Pasárgada Lá sou amigo do rei Lá tenho a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada Aqui eu não sou feliz Lá a existência é uma aventura De tal modo inconsequente Que Joana a Louca de Espanha Rainha e falsa demente Vem a ser contraparente Da nora que nunca tive E como farei ginástica Andarei de bicicleta Montarei em burro brabo Subirei no pau-de-sebo Tomarei banhos de mar! E quando estiver cansado Deito na beira do rio Mando chamar a mãe-d’água Pra me contar as histórias Que no tempo de eu menino Rosa vinha me contar Vou-me embora pra Pasárgada Em Pasárgada tem tudo É outra civilização Tem um processo seguro De impedir a concepção Tem telefone automático Tem alcaloide à vontade Tem prostitutas bonitas Para a gente namorar E quando eu estiver mais triste Mas triste de não ter jeito Quando de noite me der Vontade de me matar — Lá sou amigo do rei — Ter...

Últimos momentos

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Poema declamado por Gillian Anderson, como Mrs. Margareth Thatcher, em emblemática cena da série da Netflix,  Crown , diante de Olivia Colman como Rainha Elizabeth II. Gosto de traduzir, apesar de não ter recebido treinamento formal para tanto. É um exercício de criatividade, se Haroldo de Campos estiver mesmo certo... O original You Have No Enemies Charles MacKay You have no enemies, you say? Alas! my friend, the boast is poor; He who has mingled in the fray Of duty, that the brave endure, Must have made foes! If you have none, Small is the work that you have done. You’ve hit no traitor on the hip, You’ve dashed no cup from perjured lip, You’ve never turned the wrong to right, You’ve been a coward in the fight.   A tradução Você não tem inimigos Charles MacKay   Você não tem inimigos, você diria? Infelizmente! meu amigo a vanglória é pobre; Aquele que se misturou na pancadaria Do dever, que suporta o nobre, Deve ter feito inimigos! Se...