Conhecimento



Uma pergunta eu sempre me incomodou: que teorias e autores relevantes O Aristóteles e o Platão utilizaram como arcabouço teórico para desenvolver suas teses em Filosofia? Hoje, penso eu, ainda não foi encontrada a resposta. Creio, penso eu, de novo, que por impossível. Mas na lonjura em que estão o bom senso e a parcimônia – não menciono a honestidade e a eficácia para não correr risco de cassação de título – da produção acadêmica, sobretudo em algumas áreas do conhecimento, fica mais longe a possibilidade de considerar essa produção um exemplo de possíveis tentativas de resposta. Este fio de raciocínio é longo, intrincado e multifacetado. Custaria um esforço enorme, um tempo imenso. Não vou enfrentar essas agruras. Paro com a minha chatice aqui para trazer o verbete dicionarizado de uma palavra fundamental, sempre fundamental: Conhecimento. Substantivo masculino. Ato ou efeito de conhecer. Ato de perceber ou compreender por meio da razão e/ou da experiência. Faculdade de conhecer. Por extensão de sentido: domínio, teórico ou prático, de uma arte, uma ciência, uma técnica etc. Relacionamento ou conjunto de relacionamentos que uma pessoa ou grupo de pessoas mantém com outras, quer por amizade, quer por mera formalidade. Por extensão de sentido: fato ou condição de estar ciente ou consciente de algo; ciência, informação, notícia. Somatório do que se conhece; conjunto das informações e princípios armazenados pela humanidade. No comércio, significa recibo. Na Filosofia, ato ou faculdade do pensamento que permite a apreensão de um objeto, por meio de mecanismos cognitivos diversos e combináveis, como a intuição, a contemplação, a classificação, a analogia, a experimentação etc. No plural: erudição, cultura, instrução. Pois bem. Este é o verbete dicionarizado com alguns pitacos meus, da ordem da organização do texto e não de seu conteúdo. Como se vê, o tal de conhecimento não nasce pronto. Não brota do chão. Não é herdado por osmose, mitose ou transmissão cromossômica.  Conhecimento é produzido a cada passo, cada dia, cada minuto, cada experiência. Quero crer que não me equivoco ao afirmar que, em conclusão, conhecimento é algo da ordem do absolutamente relativo. Em que pese a plausível contradição em termos. Não há absolutos. Portanto desnecessário, inútil e ignorante a briga pela posse da verdade que esse suposto conhecimento produz.


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