Sonetos
Não devia, pensam alguns. Mal não faz, pensam outros. E eu? Será que todo mundo que faz alguma coisa se faz essa pergunta, levando em consideração a possibilidade das duas situações anteriores? Pois e... Pensei nisso hoje. ando publicando pouco em meu blogue. Falar em preguiça é chover no olhado. Então... vamos nos ensopar. É preguiça sim, sem medo de erra. Preguiça porque sei que pouquíssimas pessoas vão ler e minha vaidade fica alquebrada, tonta, sai tropeando comme um bateau ivre por aí... Sempre foi assim, sempre vai ser assim. Esse tipo de coisa não muda. Tudo isso (será “tudo” mesmo?) porque três poemas meus vão ser publicados numa antologia (mais uma), fadada ao ostracismo, e dois deles – dois sonetos na verdade – vou publicar aqui hoje. Devia? Não devia? Não vou lançar a pesquisa porque sei que não vou conseguir amealhar respostas suficientes para sustentar nenhuma margem de erro, por mínima que seja. Então, deixa pra lá e dá-lhe os sonetos. Antes, porém, uma nota explicativa (Ai como sou chato!). São sonetos petrarquianos ou italianos, porque possuem dois quartetos e dois tercetos. Não são sonetos ingleses ou shakespeariano – estes têm dois três quartetos e um dístico. Nem são sonetos monostróficos, porque não têm estrutura composta por uma única estrofe de 14 versos. Por outro lado, não são alexandrinos, porque não seguem a regra do número de sílabas poéticas, o que os transforma em sonetos de versos livres, mas mantêm esquema rimático simples. Vamos a eles:
Soneto I
O velho pensador, sábio que era, sempre criou
o que foi e é de suprema importância,
tanto para quem vive, como para quem parou
de acreditar que o amor vence a distância.
Se velho era, é porque jovem foi, um dia
e feliz, deve ter sido, creio eu, por isso mesmo.
No entanto, sua imagem de jovem como o dia
cega a quem acredita que o tempo passa a esmo.
Nada, tão simples e tão caro, fica assim à solta,
à disposição de quem quiser mesmo aproveitar.
Ainda assim, vale a pena lembrar, que revolta
a alma continua, célere, a crer que amar
é apenas questão de sempre estar à volta
mesmo à distância, de quem se quer amar.
Soneto II
Pluralia tantum, é como latinos se expressam
quando, sérios, ensinam sobre palavras duplas.
No entanto, se esquecem, e sempre se enovelam.
quando o amor os acomete, por janelas amplas.
Não precisa ser de perto, tocando, fisicamente sentido
para que amor se sinta e se viva, completamente.
Basta que se saiba e sinta, mesmo em traço invertido,
que a distância também proporciona sossego à mente.
Vamos lá, coração inflexível e nobre,
tente avançar as barreiras de seu saber,
mesmo que para tanto se torne, ora pobre,
ora rico em sabedoria, que sempre se faz crer.
As mutações físicas como as mentais, se descobre,
prescindem de tanto ardor, no simples querer.


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