Inusitado
A maré de preguiça e falta de graça, somada à de vontade, tem feito buracos enormes em minhas publicações. Não me importo. Leio tanta bobagem. Escuto tanta asneira. Vejo tanta coisa horrorosa e sem graça que nem sei. Agorinha, repassando algumas coisas no facebook – coisa de ente à toa – deparei-me com uma publicação de um amigo querido, o Joel, lá do Pará (ainda volto a Belém!). Há uma imagem na postagem dele que não vai aqui reproduzida. O inusitado da informação despertou um lampejo de ânimo para fazer esta publicação...
Por que na Ásia o nome de vários países termina em
“-istão”? Porque nas línguas mais faladas nessa região do mundo, como o hindi,
o persa e o quirguiz, “-istão” quer dizer “lugar de morada” de um determinado
povo ou etnia. De acordo com esse princípio, Cazaquistão, por exemplo,
significa “território dos cazaques”; Quirguistão, “território dos quirguizes”;
Afeganistão, “território dos afegãos” e assim por diante. É algo equivalente a
adicionar os sufixos “-lândia” (que vem de land, “terra”, nas línguas
germânicas) ou “-polis” (“cidade”, em grego) ao final de nomes. Petrópolis é a
cidade de Pedro, Teresópolis, a de Teresa. Suazilândia é a terra dos suázis –
mas, recentemente, o país mudou de nome para Essuatíni que significa justamente
“terra dos suázis” na língua local. “A forma “-stão” deriva de uma antiga raiz
linguística indo-europeia. Esse sufixo carregava a ideia de ‘parar’ ou
‘permanecer’ e deu origem, por exemplo, aos verbos stare, em latim, e stand, em
inglês”, diz o linguista Mário Ferreira, da Universidade de São Paulo (USP). Do
stare latino, inclusive, vem o verbo “estar” em português. Ou seja:
pensando na raiz etimológica da coisa, você pode traduzir os nomes desses
países, ao pé da letra, como “onde estão os afegãos”, “onde estão os cazaques”
e assim por diante. A única exceção a essa regra é o caso do Paquistão batizado
cerca de 20 anos antes de o território do país ser constituído, em 1947.
“Rahmat Ali, o idealizador da independência paquistanesa, juntou ao termo
“-istão” o vocábulo “paki”, surgido a partir de uma combinação das iniciais das
áreas reivindicadas pela futura nação. O “p” representava a província do
Punjab, enquanto o “k” equivalia à região da Caxemira, no noroeste da Índia,
afirma Mário.
Note que os nomes de países islâmicos localizados
no Oriente Médio e no norte da África não carregam o sufixo “istão”. Ali, a
língua predominante é o árabe, que não possui raízes indo-europeias – ele
pertence a outro tronco, o semítico, compartilhado com o hebraico e o aramaico.
Fonte: @revistasuper
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