Aprender
A internete é um universo interessante, para dizer o mínimo. Aprende-se com a mesma velocidade que se emburrece. Coisas instigantes e chatices monumentais se encontram sempre à “disposição do freguês”. Ontem, recebi um link que disponibilizava a síntese da história de uma mulher interessantíssima. Gostei tanto que compartilho aqui o texto que recebi. Não consegui identicar a fonte. Tomara que seja do agrado de quem chegar a ler esta postagem...
HIPATIA DE ALEJANDRIA
“O
último cientista que trabalhou em Alexandria foi uma matemática, astrônoma,
física e chefe da escola neoplatônica de filosofia: um extraordinário conjunto
de conquistas para qualquer indivíduo de qualquer época. Chamava-se Hipatia.
Nasceu em 370 em Alexandria. Hipatia, numa época em que as mulheres dispunham
de poucas opções e eram tratadas como objetos de propriedade, moveu-se
livremente e sem afetação pelos domínios tradicionalmente masculinos. Todas as
histórias dizem que ela era uma grande beleza. Teve muitos pretendentes, mas
rejeitou todos os pedidos de casamento. A Alexandria da época de Hipatia — sob
domínio romano desde há muito tempo — era uma cidade que sofria graves tensões.
A escravatura tinha esgotado a vitalidade da civilização clássica. A crescente
Igreja Cristã estava consolidando seu poder e tentando remover a influência e a
cultura pagãs. Hipatia estava sobre o epicentro dessas poderosas forças
sociais. Cirilo, o arcebispo de Alexandria, desprezava-a pela estreita amizade
que ela mantinha com o governador romano e porque era um símbolo de cultura e
ciência que a Igreja primitiva identificava em grande parte com o paganismo.
Apesar do grave risco pessoal que isso implicava, continuou a ensinar e a
publicar até que, em 415, quando ia trabalhar, caiu nas mãos de uma turfa
fanática de paroquianos de Cirilo. Arrancaram-na da carruagem, partiram-lhe os
vestidos e, armados com conchas do mar, esfolaram-na arrancando-lhe a carne dos
ossos. Seus restos mortais foram queimados, suas obras destruídas, seu nome
esquecido. Cirilo foi proclamado santo e em 1882, Doutor da Igreja.
A
glória da Biblioteca de Alexandria é uma memória distante. Seus últimos restos
mortais foram destruídos pouco depois da morte de Hipatia. Era como se toda a
civilização tivesse sofrido uma operação cerebral infligida pelas próprias
mãos, de modo que a maioria das suas memórias, descobertas, ideias e paixões
ficaram irrevogavelmente extintas. A perda foi incalculável. Em alguns casos,
só conhecemos os atormentadores títulos das obras que foram destruídas. Na
maioria dos casos, não conhecemos nem títulos nem autores. ”
O
historiador grego da igreja cristã, Sócrates de Constantinopla ou o
Escolástico, escreveu sobre ela e o seu assassinato no livro “A História
Eclesiástica”, escrito 25 ou mais anos após a sua morte. Louve Hipatia por suas
conquistas e dignidade. E apesar de ser cristão, critica o papel desempenhado
pela Igreja no seu assassinato e critica o bispo Cirilo pela sua cumplicidade.
📷 Rachel Weisz como Hipatia para o filme Agora (2010). No Brasil, o filme
foi lançado como "Alexandria".
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