Conexão
“Este autorretrato,
tirado em Portugal há algumas semanas, realmente reflete meu estado mental
recente: múltiplas camadas entrelaçadas resultando em infinitas reflexões
recursivas que, no final, levam a uma dor de cabeça persistente, mas nenhuma
conclusão (para registro, certifiquei-me de verificar a grafia e “reflexão” com
um “x” é uma forma arcaica de “reflexão”). Após refletir, optei por escrever um
post que não tem significado para ninguém além de mim, enquanto navego pelo meu
estado mental perplexo. Talvez haja alguém que possa se conectar com este
tópico e ache-o relacionável. Nunca se sabe...
Estou dentro ou fora?
É importante onde estou
para refletir sobre o que quero? Ou são meus desejos que, em última análise,
ditam minha localização em um determinado momento? Dois dias atrás, comecei a
escrever este post, mas parece que minha mente não está em sincronia com meus
pensamentos. Minhas ideias estão dispersas, com palavras e frases se
misturando, formando uma bolha circular que me aprisiona completamente.
Inesperadamente, ontem à noite, criei uma música. A melodia surgiu primeiro,
com a letra logo atrás. Será que algum dia a compartilharei? Talvez... O tempo
dirá. Por enquanto, terminarei minha taça de vinho e tentarei desligar meus
pensamentos circulares.”
É certo; então reprimamos
esta fera condição,
fúria, esta ambição,
pois pode ser que
sonhemos;
e o faremos, pois estamos
em mundo tão singular
o viver só é sonhar
a vida ao fim nos imponha
que o homem que vive,
sonha
o que é, até despertar.
Sonha o rei que é rei e
segue
com esse engano mandando
resolvendo e governando.
E os aplausos que recebe
vazios, no vento escreve;
e em cinzas a sua sorte
a morte talha de um
corte.
E há quem queira reinar
vendo que há de despertar
no negro sonho da morte?
Sonha o rico sua riqueza
que trabalhos lhe
oferece,
sonha o pobre que padece
sua miséria e pobreza;
sonha o que o triunfo
preza
sonha o que luta e
pretende,
sonha o que agrava e
ofende
e no mundo, em conclusão,
todos sonham o que são,
no entanto ninguém
entende.
Eu sonho que estou aqui,
de correntes carregado
e sonhei que em outro
estado
mais lisonjeiro me vi.
Que é a vida? Um frenesi.
Que é a vida? Uma ilusão,
uma sombra, uma ficção;
o maior bem é tristonho,
porque toda a vida é
sonho
e os sonhos, sonhos são.”
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