Ressaca antes da festa



Muito tempo sem escrever. Pois é. E daí? Alguém está mesmo se importando com isso? Vai ver há alguém que se importa e eu não sei. Mas a preguiça, essa velha conhecida, e talvez má conselheira, diz sempre ao pé do meu ouvido que não. Não pode haver. Num lugar em que habitam 15.000 milionários que atravessaram meio planeta para ficar em Doha, no Qatar, para torrar os caraminguás acompanhando a corrida de 22 descerebrados atrás de uma bola... E querem que eu me preocupe se alguém lê o que eu escrevo? Não há crise em pindorama. Não há. Definitivamente não. Não há. Esses 15.000 milionários são a prova inconteste desta afirmação. Irrecorrível e insofismável verdade. Na mesma “vibe” há professor brasileiro viajando para Portugal como que, atravessa uma poça d’água em dia de chuva. E nos dias de sol, vai para a rua vociferar contra o corte de verbas da educação e achincalhar tudo e todos, indiscriminadamente, apenas porque fazem parte de um governo que não pauta pela ideologia do vermelho... Por falar nisso, recebi mensagem hoje com um texto interessantíssimo, só com agradecimentos a tudo e a todo que tiveram alguma participação no que aconteceu a pindorama nos últimos 25 anos. Não posso reproduzir o texto aqui: vão dizer que sou estúpido, nazista, conservador, pulha, pelego, etc.... Cansei. O texto vai ficar na margem, ali, quietinho, esperando um momento que parece não poder voltar jamais porque hoje é assim ou assado, branco ou preto, em cima ou embaixo, na frente ou atrás, perto ou longe, direita ou esquerda. Tudo assim, dois, duplo, excludente. Cadê o meio termo? Cadê a perspicácia pra perceber a ironia? Cadê o espaço para a divergência e o raciocínio? E então, deparo-me com o seguinte:
“O estarrecedor laudo do IML sobre as mortes em Paraisópolis (Leia mais: https://www.jornaldacidadeonline.com.br/noticias/17793/o-estarrecedor-laudo-do-iml-sobre-as-mortes-em-paraisopolis). Leia. É pequeno o texto, mas devastador seu conteúdo. Já, já sei, vão me chamar de hipócrita também. Caguei. Estou como cavalo de parada militar: cagando e andando, literalmente. Sou chato e estou cansado dessa chatice que não é a minha porque não é saudável: a chatice da patrulha, das certeza insofismáveis, da falácia da juventude poderosa, do politicamente correto e do “muderno”. Cansei...



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