Fluxo de consciência


Vai e olha de soslaio. Faça isso antes que alguém venha dizer que não pode. Não se obrigue a ficar dando explicações. Deixe lado aqueles que, a tudo que você diz, escrevem que concordam ou discordam, mesmo que você não tenha pedido a opinião alheia. A chatice anda tão grande que não se pode mais olhar uma criança por muito tempo, ou esbarrar, sem querer, obviamente, numa senhora, ou chamar carinhosamente alguém de neguinho/a. Se, por acaso, você escrever que não gosta de fulano por isso e mais aquilo, vão dizer que você é fascista por aquilo e aquilo-outro. Se você não usa o mesmo jargão, fodeu. De fato. De verde e amarelo. Gasta-se tempo e esforço pra falar mal de gente sem a menor expressão, sem a menor importância, só porque aparece na televisão, fala o que mandam – está enganado quem acredita que as opiniões são “pessoais” e/ou “sinceras” na telinha – e depois ficam posando de isentas e indiferentes. Come-se, bebe-se, grita-se, come-se de novo, bebe-se ainda mais, grita-se mais alto e este ciclo pode se repetir incontáveis vezes, numa noite que se quer especial, mas que, de fato, nada tem de especial. Uma noite como outra qualquer. Ah, o lixo? Os garis passam por aí amanhã de manhã. A pessoa engorda, e logo uma multidão de repórteres que saber o que se passa. Se a pessoa emagrece, os mesmos repórteres vão dizer que é anorexia. Todos os repórteres, em/de pindorama, com honrosíssimas exceções falam “récorde” em lugar de “recórde” (os acentos servem, aqui, para marcar a tonicidade da prolação do vocábulo. Se não sabe o que eu disse, procure um dicionário e tente ler os verbetes correspondentes!). A memória histórico-política em pindorama tem a duração de quatro anos, no máximo oito. Entra eleição, sai eleição, é sempre mais do mesmo: o que saiu imediatamente antes da entrada do novo carrega todos os pecados mundo. Não presta. Será que procede de fato dizer que se “hay gobierno, soy contra”??? Ai, que preguiça. Na gramática, se o verbo é de ligação, a concordância se faz com o predicativo. Às vezes, foca tão feio. Mas a gramática diz que é assim, salvo nas ocorrências das famosas “licenças poéticas”... Alguém ainda estuda isso? Você não toma a iniciativa, não se dispõe, não se oferece e depois vem dar palpite, dizer que está tudo errado, que tem que ser de outra forma, que se fosse diferente daria certo. E então, como é que fica?! Ai que chatice...

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