Primeiro
Antes de mais, feliz ano novo!
Vai hoje o primeiro do ano, no primeiro
dia do mesmo ano,... quem sabe mais outros virão com um pouco mais de frequência...
Não posso garantir.
Inauguro mais um ano deste blogue com
um texto atribuído a Pablo Neruda. O particípio procede dado que, mesmo com o “ano
novo”, minha preguiça continua a mesma! A ideia era publicar “Funeral Blues”,
do W.H. Auden. No entanto, o tom fúnebre, ainda que monumental, do poema
exigiria muita explicação por aparecer num dia de (suposta) alegria e
comemoração. A suposição é por minha conta. Pensem o que quiserem. Como não
queria gastar meu tempo (e paciência) com as explicações irrecorríveis, vai o
anunciado.
Os anos que me restam.
“Nunca tinha pensado nisso desta forma,
até que uma manhã, com o café fumegando, compreendi que os anos que tenho… já
não os tenho.
Sim, soa estranho, mas é a verdade.
Aqueles anos que digo ter já se foram, permanecem em fotografias, em risos
antigos, em amores que já não doem, em roupas que já não me servem e em sonhos
que mudaram de forma.
Os verdadeiros anos que tenho são os
que me restam para viver, os que ainda não me viram rir às gargalhadas, os que
ainda guardam um abraço, uma conversa sob a lua ou um brinde inesperado.
Nesta idade, compreende-se que o tempo
já não se mede em velas ou novas rugas, mas em momentos valiosos, em risos que
se prolongam e em silêncios que não nos pesam.
Quero passar os anos que me restam
devagar, sem pressa, com a calma de quem já não precisa de provar nada. Já não
me preocupo se o relógio está a correr.” Ou se a vida mudar de planos. Que ela
siga seu curso, que mude, que me surpreenda.
Tudo o que eu quero é que os anos que
me restam sejam meus, verdadeiramente meus… vividos com a alma aberta, o
coração em paz e a certeza de que tudo o que fui, com meus erros e acertos, me
trouxe até aqui.
E aqui estou eu: tomando café, observando a vida passar pela janela, grata pelos anos que já não tenho… e abraçando com carinho aqueles que ainda viverei.”
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