Sobre animais... mas nem tanto.


Durante a infância e parte da adolescência, convivi com duas tias do meu pai: Júlia e Lilia, irmãs do vovô Pedro. Se foram do jeito que vieram, intocadas. A mais nova, tia Lilia, tinha o apelido de Batatinha. Era pequenina, com o rosto bem redondinho e um pouco gordinha. Um doce. Na casa delas, quando os filhos dos sobrinhos – que eram muitos – se reuniam, ela brincava de roda conosco. Entre as muitas brincadeiras, a de roda era uma das mais divertidas. Nelas, cantavam-se modinhas infantis como a que segue:

Atirei o pau no gato-to-to

mas o gato-to-to não morreu-reu-reu

Dona Chica-ca-ca dimirou-se-se

do berrô do berrô que o gato deu

Miau!

Ao gritar miau, todos caíamos no chão às gargalhadas, gritando e batendo palmas. Nada mais inocente, ingênuo, fácil e feliz. Diversão pura e cristalina. Pois é. Tentei reproduzir na ortografia a maneira como cantávamos a cantiga “infantil”. As aspas chamam a atenção para a chatice que se instalou graças ao projeto de terra arrasada que se implantou sobre a terra brasilis e que atinge o bom senso em seu próprio coração. Ainda bem que existe uma coisa chamada “resistência inteligente”. Voltando às primeiras aspas, elas apontam para a letra da cantiga. Nesta, descreve-se uma paulada num gato que não morre, mas mia. Os chatos de plantão vão querer “cancelar” essa cantiga “infantil” e a seu autor (que não sei quem é). E aí eu trago à cena desta postagem o que aconteceu com um cachorro em Santa Catarina: torturado, judiado e, consequentemente, morto por quatro ou cinco psicopatas juvenis, “educados” por pais que, muito provavelmente, foram “educados” a partir de certa “pedagogia” e sua ideologia subsequente. Mais não digo. A indignação é muita, extrema, absoluta por saber que os animais adolescentes estão foragidos na terra do tio Sam. É bem a cara do “bananil”...

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