Calundu
O calundu de ontem foi forte. Tanto que uma diarreia bacteriana se instalou. Assunto nem um pouco poético? É fato, mas faz parte do dia a dia de qualquer indivíduo sobre a face do planeta. Não há como glamourizar. Não se está absolutamente livre desta possibilidade. Não há poesia que consiga apagar esse traço da existência. E, no entanto, a chatice ou a vergonha ou, ainda, a presunção, fazem com que a imaginação se assanhe e consiga criar uma cortina de fumaça ilusória e obsedante... As palavras estão aí para isso mesmo: dizer o que tem que ser dito. De um jeito ou de outro. Por acaso, no meio do ócio criativo de mais um dia bobo, o domingo, vejo a cena de um dos episódios da série The crown, em que a primeira-ministra Margareth Tatcher declama um poema de Charles Mackay, “No enemies”:
You
have no enemies
You have no enemies, you say?
Alas! my friend, the boast is poor;
He who has mingled in the fray
Of duty, that the brave endure,
Must have made foes! If you have none,
Small is the work that you have done.
You’ve hit no traitor on the hip,
You’ve dashed no cup from perjured lip,
You’ve never turned the wrong to right,
You’ve been a coward in the fight.
Uma tradução rápida, pode
até ser descuidada e ligeira é:
Você não tem inimigos
Você não tem inimigos,
você diz?
Ai de mim! Meu amigo,
essa bravata é pobre;
Aquele que se envolveu na
luta
Do dever, que aos bravos desdobre,
Certamente fez inimigos!
Se você não tem nenhum,
O trabalho que você fez é
comum.
Você não deu um soco em
nenhum traidor,
Você não quebrou nenhum
copo de lábio delator,
Você nunca transformou o
errado em certo,
Você foi um covarde na
luta decerto.
Não gastei muito tempo na
tradução. Tentei manter as rimas do original, por belas que são. Cometi falhas,
é correto, mas a intenção não foi, mesmo, acertar sem falhas. Antes, o desejo
de comunicar algo que não se consegue dizer impôs-se. Disso pode ser que eu
entenda. Pode ser. Acredito que sim, mas sempre haverá uma sombra de dúvida.
Que o calundu passe...
Comentários
Postar um comentário