Desabafo


Tempo. Muito tempo. No retorno à capital paulista, ouvi de um amigo que meus livros não vendem porque não sei fazer marketing. Isso é verdade. Disse a ele que não submeter-me-ia a grupinhos, igrejas, panelinhas, grupelhos para alçar o píncaro da fama. O preço é muito alto. Leio tanta bobagem que é incensada como “Literatura Brasileira” que fico pensando que emburreci de vez. Tenho mania de ler contracapa e orelhas de livro antes de lê-lo, de fato. Pode ser um erro. Não sei dizer e continuo fazendo isso. Pago pra ver. Há ocasiões em que me arrependo. Há outras que, ao contrário, o prazer da leitura é multiplicado exponencialmente. Que palavra estranha este advérbio, exponencialmente. Diz, de maneira completa, o que quer dizer. Não deixa dúvida. No entanto, tão pouco gente usa. Raciocínio similar pode ser desenvolvido para este meu desabafo. Minha vaidade ainda está carente de reconhecimento. Tive um prazer enorme ao ver uma estranha pegar o meu livro – que deixara no assento atrás do meu, no metrô lisboeta – e lê-lo, calmamente. Não sei que palavras usar para descrever o que senti. Gostaria que isso fosse multiplicado... exponencialmente. Mas, de acordo com meu amigo que vive em São Paulo, não sei fazer marketing. E não sei mesmo. Chegando (rápido) aos 70, não tenho muito ânimo para aprender a fazê-lo. Guardo minha vaidade carente e tento continuar escrevendo. Para quem? Creio que para mim mesmo. Não basta, mas, fazer o quê...

De fato, o que quis foi introduzir o pequeno texto abaixo sobre amizade. Assunto caro, de valor, para tentar retomar um ritmo que, há muito, sei impossível de manter...

“Você sabe qual é a relação entre os seus dois olhos? Eles piscam juntos, se movem juntos, choram juntos, enxergam juntos e dormem juntos. Mesmo que nunca possam se ver... A amizade deveria ser exatamente assim! Posso ficar meses sem te ver, ou até mesmo sem falar com você, mas você precisa saber que não preciso te ver para sentir que você está comigo.”.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Parábola

A prova da cobra

Apesar dos pesares...