Poesia


Garcia Lorca. Diz-se “Lôrca” ou “Lórca”? Já ouvi as duas formas. Sempre utilizei a primeira. Fica a dúvida. Um poeta – na acepção mais ampla e plena do termo – de Língua Espanhola. Vítima do Franquismo. Andaluz de alma e letra. Algo parecido com o calundu tupiniquim? Ou, mesmo, com a “naturalidade” de Alberto Caeiro? Vai saber... Os olhos de quem lê ditam regras que a mais profunda teoria não consegue explicitar. Ainda assim, há quem, se arvore na ingenuidade de firmar que sabe o que o poeta dia. Sabe mesmo? Sempre tive dificuldades em dar aulas sobre poesia. Não por incapacidade. Minha falsa modéstia não me deixa aceitar o fato de que tinha “a manha”. Como já disse uma amiga: sou um excelente mastigador de palavras. Então... Mas a dificuldade permanece, na memória. Quando falava sobre poesia, na sala de aula, sempre tinha em mente a impressão de que meus alunos achavam que eu era doido e que eu estava inventando coisas. Sempre ficava pensando que eles se perguntavam, de onde é que eu tirava a aquilo que eu estava falando. Ora... ora... Era sempre a mesma sensação, ainda que, com o passar do tempo, eu soubesse que a maior parte da minha “plateia” sequer fazia ideia do que eu estava a falar. Não tinham, sequer, lido o poema que preparara e que passara para ela antes. Não liam. Simples assim. De qualquer maneira, com ou sem a falta de cumplicidade da “plateia”, a sensação me invadia, mas não me paralisava. Cheguei a ser achincalhado por dois ou três “pares” que ridicularizavam o fato de eu ler trechos d’Os lusíadas nas aulas de Literatura Portuguesa. Argumentavam que aquilo era perda de tempo. Imagina... Os mesmos pares, pelo menos um deles, que teve a pachorra de oferecer um curso de crítica literária e não colocar nenhum texto “literário” na ementa. Nem romance, nem conto, nem poesia, nem teatro. Nada. Nenhum texto com qualquer resquício de Literatura para ser “criticada”. Nada. Nonada. E eu é que perdia meu tempo...

eiando os lamentos de lado, resolvi partilhar um poemeto do Lorca. Homenagem singela e sentida. Poeta de que gosto imenso! Vai o original e a tentativa de tradução, que sei pobre.

 

¡Ay qué trabajo me cuesta
quererte como te quiero!


Por tu amor me duele el aire,
el corazón
y el sombrero.


¿Quién me compraría a mí
este cintillo que tengo
y esta tristeza de hilo
blanco, para hacer pañuelos?


¡Ay qué trabajo me cuesta
quererte como te quiero!

...............................................................................................................

Ai que trabalho me dá

amar-te como te amo!

 

Por teu amor me dói o ar

o coração

e o chapéu

 

Quem me compraria

a bandana que tenho

e essa tristeza qual um fio
branco, para fazer lenços?

 

Ai que trabalho me dá

amar-te como te amo!



 

 

 




 

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