"Ela"
Aí a magrela diz: não se trata disso, a gente tem que investir na polícia.
O quatro-olhos, então, ironicamente,
comenta: ah, mas a polícia mata crianças, mulheres e negros; a polícia é
assassina, a polícia invade residências familiares.
A magrela insiste. Não adianta. A
magrela não aprende. Ela fala pelos cotovelos. Ela fala o que mandam que ela
fale. Repete o que ouve à exaustão. Usa sempre os mesmos argumentos estereotipados
que fazem com que a máxima da repetição da mentira transformando-se em verdade
se cumpra. A magrela não se emenda. A magrela é chata, é feia, é desengonçada e
é sem graça. Que falta de graça meu Deus! Que falta de tudo! Por que será que a
magrela não desiste? Masoquismo? Ou será mesmo a estupidez que a impede de
enxergar o óbvio. Ninguém gosta dela. E ela continua, continua, continua e
continua. Papagueando lugares comuns, arrotando chavões. Ela também está no
time que tem apenas um objetivo na vida: a derrubada. Será que ela não sabe que
isso não vai mudar em nada. Ou melhor, vai sim. Vai mudar assim. vai mudar como
aquela frase (não literal): mexa-se em tudo, sempre e mais, para manter tudo no
mesmíssimo lugar. A adaptação é minha. O autor original é italiano: Giuseppe
Tomaso di Lampedusa. Literalmente.


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