Ecos lusitanos
Meditação
do Duque de Gandía sobre a morte de Isabel de Portugal
Sophia
de Mello Breyner Andresen
Nunca mais
A tua face será
pura limpa e viva
Nem o teu andar
como onda fugitiva
Se poderá nos
passos do tempo tecer.
E nunca mais darei
ao tempo a minha vida.
Nunca mais
servirei senhor que possa morrer.
A luz da tarde
mostra-me os destroços
Do teu ser. Em
breve a podridão
Beberá os teus
olhos e os teus ossos
Tomando a tua mão
na sua mão.
Nunca mais amarei
quem não possa viver
Sempre,
Porque eu amei
como se fossem eternos
A glória a
luz o brilho do teu ser,
Amei-te em verdade
e transparência
E nem sequer me
resta a tua ausência,
És um rosto de
nojo e negação
E eu fecho os
olhos para não te ver.
Nunca mais
servirei senhor que possa morrer.
Prospecção
Miguel Torga
Não são pepitas de oiro que procuro.
Oiro dentro de mim, terra singela!
Busco apenas aquela
Universal riqueza
Do homem que revolve a solidão:
O tesoiro sagrado
De nenhuma certeza,
Soterrado
Por mil certezas de aluvião.
Cavo,
Lavo,
Peneiro,
Mas só quero a fortuna
De me encontrar.
Poeta antes dos versos
E sede antes da fonte.
Puro como um deserto.
Inteiramente nu e descoberto.
Oiro dentro de mim, terra singela!
Busco apenas aquela
Universal riqueza
Do homem que revolve a solidão:
O tesoiro sagrado
De nenhuma certeza,
Soterrado
Por mil certezas de aluvião.
Cavo,
Lavo,
Peneiro,
Mas só quero a fortuna
De me encontrar.
Poeta antes dos versos
E sede antes da fonte.
Puro como um deserto.
Inteiramente nu e descoberto.



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