Oblivium
Foram
quatro indivíduos. Dois homens e duas mulheres. Quatro espécimes da raça humanoide.
O restante dos indivíduos do mesmo grupo não será atingido aqui, somente estes
quatro. Particularmente estes quatro. Neles, a soberba, a mesquinhez, a
covardia e o rancor, para além do desdém e da inveja – sim, inveja não
confessada, jamais assumida, mas inveja – sobra, pulula, supura. Tudo isso num
texto com algumas poucas linhas em que tudo isso se materializa, visão
distorcida e tendenciosa destes quatro cavaleiros de um apocalipse insidioso e
impossível de se sustentar. Disseram eles que não havia desarticulação entre os capítulos e os argumentos que pretendem
sustentar a argumentação. Além disso, constava – na leitura dos “quatro”
equívocos em conceitos básicos das teorias acerca da
leitura, da recepção, da psicanálise, da teoria da literatura e das inúmeras
teorias críticas sem vinculação com o eixo central da mesma
argumentação. Complementaram com a afirmação de que havia redução da perspectiva de leitura ao “olhar homoerótico”, sem se aprofundar nas contemporâneas
teorias sobre o assunto. Para além disso, afirmaram que texto pecava pela eleição,
como objeto parcial da argumentação, as cartas
de Alberto de Oliveira, sem garantir-lhes consistência, seja através da leitura
do que não existe, seja através de uma elaboração ficcional dessas cartas.
Por fim, vaticinaram que tudo foi fruto de leitura
insuficiente das cartas existentes, sem trazer à tona nenhuma teoria
consistente acerca do gênero. Encerram – com chave de ouro, ouro de
tolo, bem explicado – dizendo tudo transpira negligência
cabal no que se refere ao estudo de textos literários dos dois autores, em sua
relação com as cartas, embora tenha anunciado repetidamente este propósito.
Esses quatro tentaram, com o que acima vai escrito, atrapalhar a vida de um
indivíduo. Não conseguiram. O que eles execraram foi aceito, com louvo, em
editora estrangeira e publicado. Isso mesmo. Doa a quem doer, foi publicado.
Então, os “quatro” vão permanecer no esquecimento, pelo menos, em certo esquecimento
que se ri da tentativa frustrada deles... Coitados...


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