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Os ecos da colônia: passos empoeirados no lajedo – mistura de
pedra sabão e pedra são Tomé – guarda de uma História que jamais vai ser
contada. as palavras trocadas entre as paredes caiadas. O pranto silente que evanesce
em vapor do espírito e sobe. O teto com ferro de esteira absorve, mudo, o
passar das dúvidas e dos arroubos. Portas e postigos de janela em azul colonial.
Ainda que com vários vidros quebrados. testemunho da passagem do último síndico
que atendeu pela alcunha de diretor. As peias de aranha nos cantos. O cheiro de
mofo. as luminárias pendentes, Contraste absurdo que, em nome do absurdo, testemunham
o nada que modifica cada segundo ali passado. O frio. O vento encanado. Paredes
que não se encontram com o teto, mediação das esteiras. Centenárias. Paredes
incompletas. Tudo se ouve, a não ser o sussurrado. Os sussurros da maga
patalógica. Sussurro de mestre. Não. Sussurro doutoral. Os óculos na ponta do
nariz. Os cabelos enormes, esbranquiçados, desgrenhados. Como os daquela
cantora antes do show. Mas sem o talento. A mesma compleição física, mas sem o
talento. O sussurro que vinha da boca de chupar ovo. Para não ser deselegante.
Ovo. Os sussurros e o olhar matreiro de quem sempre tira o seu da reta. O sorrisinho
falso, longe da Gioconda. Os arranjos. Os sussurros. Os formulários e a
verborreia jurídica. A predisposição para a guarda dos direitos de classe. Uma
história mal contada. A inexplicável mudança de uma “casa” para outra. A
chegada no porto dos tempos. Sobre o lajedo – mistura de pedra sabão e pedra
são Tomé. Os passos escorregadios das atitudes questionáveis. O sorrisinho matreiro
Os formulários. preciso preencher corretamente
os formulários. É preciso anexas os comprovantes. É preciso levar até lá. O departamento
não tem secretária. Eu não posso fazer tudo. O malote não é confiável. Já há
denúncias de desvio de documentos. Cada um faz o seu. O sorrisinho falso. A
insistência em chamar a progressão de concurso. estupidez? Veneno concentrado.
Os passinhos no lajedo frio. Os corredores que não se ligam, ao teto. A
insistência na burocracia Sempre colocando os outros em situações vexatórias,
impopulares, ilegais. O pedido de doação aos “ocupantes”. A necessidade de se
solidarizar com o corpo docente. O discurso encomendado entre os olhinhos
fingidos e o sorrisinho matreiro. O sotaque execrável. A boca de chupar ovo.
Be,... ovo, que seja. Os documentos. “Que merda. Não vou fazer porra nenhuma. O
que essa mulher zinha quer. Vai encher o saco do bispo. Que merda!”. A dúvida
do colega. A mulher que foi eleita pelos pares. A tiranete de cabelos
desgrenhados. O sorrisinho falso no cumprimento pela titularidade. Os cabelos
desgrenhados passeando pelos corredores frios e empoeirados. As paredes
escutando. Os berros. A cara de sonsa. E no outro dia a exaltação. “O
departamento não tem dinheiro”. A defesa dos “pobres estudantes”. Café com os
ocupantes. Sorrisos e piadas. Gargalhadas. Os cabelos desgrenhados. Os gritos
histéricos ao comunicar a carta alheia. A braveza. O surto de tirania. Os
cabelos desgrenhados balançando aos gestos bruscos. Os óculos na boca do nariz.
A cara de sonsa durante o despautério. “Tá achando que preciso desse dinheiro.
Caguei pra esse dinheiro. quer que preencha todos os quadradinhos. Eu faço.
Pronto. Não enche o saco”. As mãozinhas postas como criança assustada. A boca
de chupar ovo e os cabelos desgrenhados. O silêncio nos passos frios na volta
do gabinete. Os sussurros. O papel preenchido. Completo. Todos os quadradinhos.
O sorrisinho de alegria e contentamento. A insistência em chamar de concurso ao
processo de progressão. O dedo em riste. Os cabelos amarrados na nuca e os
óculos na ponta do nariz. Maga patalógica. E a tirania que se sobrepunha ao silêncio
dos ambientes forrados de esteira. as portas batendo. Os sussurros. O lajedo
frio e empoeirado a testemunhar os desmandos, as falsidades, as tramas e os subterfúgios.
A falta de talento. O cabelo desgrenhado. Os formulários. “Você tem que dizer o
que está fazendo nos horários vagos. Não pode deixar em branco. É exigência da
administração”. A falsa subserviência. O ar de vítima com olhinhos matreiros e sorrisinho
falso. As mãos postas no colo. Saiu num pulo. Um corisco no escuro dos
corredores fios, por sobre o lajedo empoeirado. O susto do colega. “Essa vaca
que vocês elegeram. Vaca”. As paredes que escutam. O bater de portas. Cadeiras
arrastadas. Portas batidas O lajedo empoeirado e frio. Claro que chegou a seus
ouvidos. “Eu não votei nela!). Gritos. Portas batendo. A lembrança das
gargalhadas com os ocupantes. A cara de séria ao falar dos direitos de classe.
O ar melancólico de quem finge subserviência e exploração. O acúmulo de
trabalho no discurso carregados de chavões. Lugar comum. O vento que passeia
pelas paredes brancas que não encontram o teto. O forro de esteira. O lajedo
frio e empoeirado. Acabou.
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