Morte


Dizem que Santo Agostinho é o autor do poema que segue. Não sei dizer. Não sou capaz de comprovar. Em todo caso, a força e a beleza das palavras são suficientes para valer a postagem. Este texto foi usado numa cena delicadíssima de uma novela cujo nome não me recordo, estrelada por Antônio Fagundes. Foi sua interpretação – disponível na “rede” – que me tocou hoje pela manhã, quando rebei mensagem da querida e saudosa Suzana (tenho que visitá-la da próxima vez que a Belo Horizonte for...). A ideia é fazer pensar, com força, beleza e fé. Uživati! (Que desfrutem, em Croata).

“A morte não é nada.

Eu somente passei

para o outro lado do Caminho.

Eu sou eu, vocês são vocês.

O que eu era para vocês,

eu continuarei sendo.

Me deem o nome

que vocês sempre me deram,

falem comigo

como vocês sempre fizeram.

Vocês continuam vivendo

no mundo das criaturas,

eu estou vivendo

no mundo do Criador.

Não utilizem um tom solene

ou triste, continuem a rir

daquilo que nos fazia rir juntos.

Rezem, sorriam, pensem em mim.

Rezem por mim.

Que meu nome seja pronunciado

como sempre foi,

sem ênfase de nenhum tipo.

Sem nenhum traço de sombra

ou tristeza.

A vida significa tudo

o que ela sempre significou,

o fio não foi cortado.

Por que eu estaria fora

de seus pensamentos,

agora que estou apenas fora

de suas vistas?

Eu não estou longe,

apenas estou

do outro lado do Caminho...

Você que aí ficou, siga em frente,

a vida continua, linda e bela

como sempre foi.”


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