Rapidinha


Um menino corre sobre a neve. Tem-se a impressão de que foge de alguém. Mas não há ninguém. Uma árvore arde em chamas. O menino continua correndo. Corta. Um homem idoso numa cama recebe choques para tentar reanimá-lo. E massagem cardíaca. Várias tentativas e coração do idoso volta a bater. Corta. O menino chega perto da árvore em chamas e cai de joelhos. Cobre o rosto com as mãos. Corta. O médico diz que o idoso tem que tomar os remédios em vez de esconder as pílulas no travesseiro.

Esta é a sequência inicial de um filme intitulado Ecos do passado (título original Kalavryta 1943, 2021, direção de Nicholas Dimitropoulos). Foi o último trabalho de Max von Sydow, que pouco fala, mas rouba a cena nos poucos minutos em que aparece na tela. Prova viva de que talento não é medido por quantidade seguidores nas redes sociais. Ele é herdeiro de uma arte que teve Gloria Swanson mulher que atuava com os olhos – coisa que “atores” de hoje não fazem ideia doque seja. O filme baseia-se em fato histórico – coisa que os “jornalistas” de hoje também não fazem ideia do que seja – ocorrido durante a segunda guerra. Não vou falar muito para não desmanchar o prazer de quem se aventurar a assistir o filme. Porque é uma aventura, baita aventura, mais que deleitosa. Vale muito a pena. Disponível na Netflix. Um filme curto, com roteiro enxuto e enredo simples, fluido, quase óbvio. Ou óbvio mesmo. O que, aqui, não passa de mais um elogio para um trabalho que trata de questões existenciais de cunho ético-moral – coisa que o “cinema” de hoje resolveu abandonar em nome sabe-se lá de quê. E aqui fico. Sem medo de receber pedradas. “Faz parte do meu show”...



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