Dois poemas

Ando tentando compor outro livro de poemas. Hoje "resolvi" estes dois:


Entre a nuvem e o poema
é interposta a palavra do poeta
que, silente,
pensa na resposta
à dúvida que algures alguém se faz.

Pensar
a escrita de um poema como quem pensa
na existência da nuvem
é brincar de nada e dançar ao som
da lira que a musa silente toca,
enquanto observa o poeta, em dúvida.

E duvidar, um dia, pode levar ao escrever
que faz do poeta
aquele que pensa, e duvida,
entre sonoridades alheias
que acompanham
o olhar cândido e suspicaz
de quem tudo vê.

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O conhecimento da noite
se insinua pela sombra,
pressupõe o sol,
prova inconteste da existência de si.

Ciclo natural.
Ondas térmicas que envolvem a alma inquieta
que se deleita, só,
no manto claro do satélite,
reflexo
convexo da luz.

Ir e vir
que não fatiga, inspira
a constatação célere
de que não vale a pena o abatimento.

Portanto,
conhecer a noite é o passo
que se dá ao perceber
que a sombra não existe (só existe)
por conta do sol.
Contemplação.

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