A vastidão da página em branco clama pela mancha escura da letra, rasura do sentido. As ideias não fluem, permanecem escondidas aguardando um solavanco do tempo para saírem de seu miasma e emergir em desenhos múltiplos. Assim cismava o poeta, observando o espetáculo do mundo debaixo de chuvas torrenciais que insistiam em não parar. Jamais. E nada parecia mudar. O que não incomodava mais o poeta que, cético, já não via mais razão para tanto, dado o fluxo do tempo que continuava célere. Cismava e lembrava, quando vieram perguntar sobre o novo extrato a ser fabricado. Disseram que havia, pelo menos, onze cidadãos do reino a tentar o preparo exato, eficaz e seguro do extrato. Produto essencial que substituiria antigo cristal, consumido avidamente pela população, sem mais condições de ser encontrado. O encontro do horizonte com o mar delimitava o campo de visão do povo daquele reino e, por seu imaginário, nada mas além de abismos e monstros marinhos seriam encontrados a quem cons...
Foi assim, da primeira vez. Era uma prova de concurso, 1991. Prova escrita. Cinco horas para fazer. Uma hora de consta e quatro horas para redação. Uma tortura. No fim, a mão e o braço já não respondem ao impulso do cérebro. A gente fica parecendo um robô com falha elétrica em seu sistema motor. Uma tortura. Mas estava lá eu. O ponto sorteado tinha por nome “A escola de Frankfurt”. E eu pensei comigo: que diabos é isso. Sinceramente, até aquele momento (e que momento!) eu jamais tinha ouvido ou lido tal expressão. Mas estava ali, na minha frente, escrito no quadro-negro (que jamais foi negro, sempre verde, a lousa, ou pedra, como já ouvi dizerem...!). Escola de Frankfurt. Fiquei sem saber por onde começar a pensar no que escrever e, pios, onde pesquisar, no meio dos tantos livros que carreguei para a hora de consulta que a prova nos dava. Nada. Eu tinha que escrever alguma coisa. Daí em me lembrei de Horkheimer, Benjamin e Adorno. Fui me lembrar de que eles, alemães, sempre se re...
É notável se dar conta de que a letra de uma música faz tanto sentido. Apesar do fato de que o poeta – porque ele é mesmo um poeta! – tenha posicionamentos tão questionáveis – para dizer o mínimo. Deixando minha chatice de lado, compartilho o prazer de ler (e ouvir0 peça tão contundente e direta. Pensem o que quiserem. É assim que eu sou... um chato! Amanhã vai ser outro dia Amanhã vai ser outro dia Amanhã vai ser outro dia Hoje você é quem manda Falou, tá falado Não tem discussão, não A minha gente hoje anda Falando de lado E olhando pro chão, viu Você que inventou esse estado E inventou de inventar Toda a escuridão Você que inventou o pecado Esqueceu-se de inventar O perdão Apesar de você Amanhã há de ser Outro dia Eu pergunto a você Onde vai se esconder Da enorme euforia Como vai proibir Quando o galo insistir Em cantar Água nova brotando E a gente se amando Sem parar Quando chegar o momento Esse meu sofrimento Vou cobrar com juros, juro Todo esse...
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