Vergonha
Então é assim. Você consegue um emprego e começa a
contribuir para a seguridade social. Boa parte de seu salário é corroída por
esta contribuição, sustentada pela promessa de um “ressarcimento justo” com a
aposentadoria. Daí, a partir de certa idade, o sujeito que contribui a vida
toda é OBRIGADO por lei a se apresentar anualmente na agência bancária em que
recebe o “benefício” – a sordidez é tanta que ainda se mantém essa aberração
lexicográfica e semântica a sustentar discurso canalha. A obrigatoriedade é pretensamente
justificada sob a alegação que o “sistema” tem que verificar a efetiva
existência do sujeito “beneficiado”. É a famigerada “prova de vida”. Ontem foi
noticiada a morte de um senhor de 90 anos, debilitado e acamado por conta de uma
epidemia, que teve que ser levado ao banco nos braços do filho para fazer a tal
“prova”. A alegação é a de que o “gerente” do banco disse que poderia sair da
agência para fazer a “prova”. Pois é. Depois que o homem morreu, o banco disse
que isso não pode ter acontecido porque ninguém pode sair da agência para tal
fim. O inss tenta tirar o dele da reta dizendo que disponibiliza funcionário
para fazer a maldita prova em domicílio, sob requisição do usuário. O banco se
negou a depositar a aposentadoria do homem que morreu porque ele não fez a
prova de vida e... e... e... A minha indignação é tamanha que nem sei. Não sei
como é que funciona isso em outras plagas. Aqui em pindorama é essa iniquidade,
essa vergonha, essa indecência. Enquanto isso, um bando de descerebrados correm
atrás de uma bola – ganhando milhões pra fazer isso – em nome de representa a
nação brasileira. Outra catrefa de igualmente descerebrados vocifera e gasta
mais dinheiro ainda para brindar a própria ignomínia, ignorância, deslealdade e
falta de vergonha na cara. E a patuleia acredita que existe uma saída. Que vergonha,
meu Deus, que vergonha eu estou sentindo...


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