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No meio da
escadaria. No meio daquela gente toda. A academia em polvorosa. Agitada,
elétrica, crente me seu esplendor e glória na bajulação dos ícones de areia que
perambulavam pontificais no meio da patuleia letrada. Um triunfo. De repente,
do nada, Zildah Kurve atravessa o povo e pergunta se estava tudo bem. Tudo,
tudo bem sim. Tem certeza, insistiu ela. Claro, não estou doente nem nada. Não
me refiro a isso, replicou a dona. Se eu fosse você passava na secretaria. Uns dias
se passaram. A dúvida. Cisma. Elucubrações das mais inusitadas antes do aperto.
A secretária na parede,. Comadre, adora um fuxico. Não foi difícil arrancar
oque se passava. Antes disso porém, a presença pesada e nefasta daquele com
cara de pug. Horroroso. Esquisito. Ele não passou pela seleção. estava um grau
abaixo, quase a terminar e agora estava ali. No grau superior. Esquisito. As
bolsas não saíam. De repente a constatação, o de cara de pug tinha bolsa. Era
última. A secretária, fofoqueira, ainda que competente confirmou. Como assim?
Sem passar pela seleção. Isso mesmo. De cara limpa. Cara de pug, mas cara limpa
na expressão da falsa ingenuidade e da pose de gênio. Era ir à caça da explicação.
Aperta daqui, aperta dali, a secretária entregou o jogo. Confidente. Solidária.
Lúcia Shoupanna comunica a seu amante, o coordenador. Conluio. As férias de meio
de ano próximas. O congresso e a patuleia azeda e elétrica. O clima perfeito
para o golpe. O de cara de pug, brilhante. Ele. O pivô do crime. O coordenado,
amante da Maria, acede e convoca. Quatro dias depois de iniciadas as férias de
meio de ano. Providencial. Primeira chamada. Nada. O eco se repete na segunda
chamada. O regimento. A brecha. A oportunidade. Três presentes, terceira
chamada. Regimental. Blsa aprovada para o cara de pug. Zildah Kurve e Lúcia
Shoupanna, amigas e cúmplices. O amante chancela. A bolsa. Você sabia? Na
terça-feira. Um grupo do grau superior. Você sabia? Na quarta-feira, outro
grupo. Por fim, na quinta-feira, o terceiro grupo do grau superior. Você sabia?
O circo armado. Suspiros e sussurros. Não era nome de filme. Alguma coisa no
ar. Mal estar. Olhos virados. Suspiros e sussurros. O coordenador chama. O de
cara de pug é tímido, está deprimido. O diz que diz é grande. Ninguém sabe
direito. Há que conversar. Explicações. Desculpas. Acobertamento do golpe. Não
há conversa. Que importa a melancolia do de cara de pug. Está deprimido? Vá se
tratar. O direito de um não pode ser o regozijo de outro. Indevidamente. Então
a escada e a pergunta fazem sentido. O burburinho da patuleia na escada. Zildah
não podia ter sido mais esperta. A pergunta no ar. A dúvida. A insinuação. Bem o
seu feitio. E pensar que aquilo já foi motivo de orgulho. Estar com aquilo num
jantar. Sentar num boteco e beber a noite toda. Uma glória. Conviver com
aquilo. Era escol, na imaginação. Lixo. Esgoto. Sujeira. A escada e o
burburinho foram o golpe de mestre. Em três semanas o que era de um teve seu
destino certo. “Não há bem que sempre dure, nem mal
que nunca se acabe...”. O adagiário, uma vez mais, correto. O tempo passa. Não mais burburinho.
Não mais patuleia. Não mais protegido com cara de pug. Outro nível. O pico. O
cume. O ápice. A vingança. Zildah e Lúcia se juntam, de novo, para o retorno. O
vômito do reconhecimento da falta de vergonha. A contraprova. Não mais
burburinho. Não mais patuleia. Agora era o golpe fatal. O impedimento. A
destruição de uma carreira toda. Bala que sai pela culatra. Mas contou com o
auxílio de outros dois. “Negligência cabal no que se refere ao estudo de textos
literários (...), em sua relação com as cartas, embora tenha anunciado
repetidamente este propósito”. A falácia.
A tentativa de desmerecimento. Ato falho. A pequenez do ser humano em
uma de suas manifestações mais hediondamente cabais. Definitivas. O tiro pela
culatra. O ex-professor na corriola. Será que leram mesmo? O tiro pela culatra.
Bola fora. O recomeço. Reabertura do processo. A exigência demandada e
cumprida. Nova comissão. Novos olhares. Resquícios do golpe na sombra dos
nomes. O retorno. O triunfo a aprovação. Os dois títeres a consignar a infâmia
que sopita do pântano. As duas vociferaram por escrito e falharam. As duas. De
novo o adagiário: o feitiço que se volta contra o feiticeiro. Ficou na
lembrança. Obscura. O burburinho da escada. A patuleia esbaforia. O olhar
esgazeado de veneno de Zildah. Nada. Um passado de décadas. O retorno que se
faz justo a cada lembrança. A cada rememoração. O que era lixo virou livro.
Duas letras. Sete séculos de reconhecimento. Trezentas e poucas páginas de
aprovação. Nada de burburinho em escada. Nada de patuleia convencida, Não mais.
Nunca mais!
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